Raio-X da custódia: Nova cela de Bolsonaro na Papudinha é cinco vezes maior que sala na PF e redefine padrão de execução penal
Comparativo detalhado anexado à decisão do ministro Alexandre de Moraes expõe abismo estrutural entre a antiga acomodação na Superintendência da Polícia Federal e as novas instalações no 19º Batalhão da PMDF, que contam com cozinha, lavanderia e equipe médica multidisciplinar.
A execução da pena do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado a 27 anos e três meses de reclusão pela tentativa de golpe de Estado, entrou em uma nova fase logística e jurídica nesta quinta-feira. A transferência do ex-mandatário para o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido popularmente como Papudinha, foi embasada por uma decisão minuciosa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O documento traz à luz um quadro comparativo técnico que revela que a nova cela de Bolsonaro oferece uma infraestrutura substancialmente superior àquela disponível na Superintendência da Polícia Federal, onde ele estava detido desde o final de novembro. A soma da área interna com a externa do novo local é cinco vezes maior do que o espaço ocupado anteriormente, configurando um ambiente que mescla rigor prisional com condições de habitabilidade diferenciadas para um ex-chefe de Estado.
A divulgação desses dados técnicos pelo STF não é um ato aleatório. Ela serve como resposta institucional às narrativas de que o ex-presidente estaria submetido a condições degradantes. Ao detalhar a nova cela de Bolsonaro, o Judiciário demonstra que o Estado está provendo recursos muito acima da média carcerária nacional, garantindo dignidade, segurança e assistência integral à saúde, desmontando argumentos de perseguição ou maus-tratos físicos.
Dimensões e Infraestrutura: O salto de 12m² para 64m²
O ponto mais impactante do relatório comparativo reside na metragem quadrada disponível para o custodiado. Na Superintendência da Polícia Federal, o espaço era restrito a um quarto com banheiro, totalizando modestos 12 metros quadrados. Essa limitação espacial era um dos pontos de fricção constantes, gerando reclamações sobre a sensação de claustrofobia e a falta de mobilidade.
Em contrapartida, a nova cela de Bolsonaro na Papudinha apresenta uma área total de 64,83 metros quadrados. Deste montante, 54,76 metros quadrados correspondem à área coberta e privativa, desenhada como um apartamento funcional. Além disso, há cerca de 10,07 metros quadrados de área externa exclusiva. O aumento exponencial do espaço físico permite uma setorização da rotina que era impossível na PF.
Enquanto a instalação anterior se limitava ao binômio quarto-banheiro, a nova cela de Bolsonaro dispõe de uma estrutura completa: quarto, sala de estar, banheiro, cozinha e lavanderia. A existência de uma cozinha interna é um diferencial logístico relevante, permitindo autonomia no preparo de alimentos e reduzindo a dependência exclusiva do “quentinhas” fornecidas pelo Estado, embora o fornecimento oficial também tenha sido ampliado. A lavanderia própria também confere maior privacidade ao ex-presidente no manejo de seus itens pessoais, evitando o trânsito de roupas sujas por terceiros não autorizados.
Alimentação e Nutrição: De três para cinco refeições
A rotina alimentar é um componente crítico na saúde de idosos, especialmente aqueles com histórico de cirurgias abdominais complexas, como é o caso de Jair Bolsonaro. Na Polícia Federal, o regime alimentar seguia o padrão básico de três refeições diárias: café da manhã, almoço e jantar. Esse intervalo prolongado entre as refeições poderia gerar desconforto ou necessidade de suplementação externa constante.
Com a transferência para a nova cela de Bolsonaro, o protocolo nutricional foi revisto e ampliado. O ex-presidente passa a ter direito a cinco refeições diárias fornecidas pela unidade custodiante. Além das três principais, foram adicionados o lanche da tarde e a ceia noturna. Essa fragmentação da dieta é mais adequada para a manutenção metabólica e demonstra o cuidado da administração do 19º Batalhão em adequar a rotina prisional às necessidades biológicas do detento de alta visibilidade.
Banho de Sol e Exercícios: O fim do improviso
Um dos aspectos mais sensíveis da custódia na Polícia Federal era a logística do banho de sol. Devido à arquitetura do prédio da Superintendência, que não foi projetado para ser um presídio de longa permanência, o banho de sol ocorria em um pátio externo improvisado. O deslocamento até essa área exigia que o ex-presidente passasse por corredores administrativos, expondo-o a funcionários e criando uma operação de segurança complexa a cada saída. O mesmo valia para a prática de exercícios físicos.
Na nova cela de Bolsonaro, essa dinâmica muda radicalmente em favor da privacidade e da autonomia. A unidade conta com uma área externa acoplada de mais de 10 metros quadrados. Isso significa que o banho de sol e a prática de exercícios físicos poderão ser realizados dentro do próprio perímetro da cela, sem necessidade de algemas, escolta ostensiva ou deslocamentos por áreas comuns. Mais importante ainda: o ex-presidente terá liberdade de horário para utilizar esse espaço, não ficando refém da disponibilidade de agentes para levá-lo ao pátio. Essa característica da nova cela de Bolsonaro é fundamental para a preservação da saúde mental em um regime de isolamento.
Regime de Visitas: Ampliação do contato social
A restrição ao contato familiar e político foi uma das marcas da estadia na PF. As visitas eram permitidas apenas às terças e quintas-feiras, em uma janela curta entre 9h e 11h. O rigor era tamanho que cada visitante tinha uma duração máxima de permanência de apenas 30 minutos, e os encontros ocorriam em uma sala administrativa adaptada, sem a privacidade ideal.
A decisão de Moraes que regulamenta a nova cela de Bolsonaro flexibiliza consideravelmente essas regras. Agora, as visitas podem ocorrer às quartas e quintas-feiras, com uma janela total de até seis horas de duração. O tempo de permanência por visitante quadruplicou, passando para até duas horas. Essa mudança altera a dinâmica política e afetiva do cumprimento da pena, permitindo diálogos mais aprofundados com advogados, familiares e aliados políticos, transformando a Papudinha em um ponto de articulação mais robusto do que a sede da PF.
Assistência Médica: Uma estrutura hospitalar à disposição
Talvez o ponto de maior contraste técnico entre as duas instalações seja a estrutura de saúde. Na PF, a assistência dependia de um médico da corporação em regime de plantão ou do acionamento de serviços de emergência móvel. As reclamações sobre o barulho do ar-condicionado e as condições de ventilação na PF eram frequentes entre familiares, que temiam pela saúde respiratória do ex-mandatário.
No Núcleo de Custódia da Polícia Militar, onde se localiza a nova cela de Bolsonaro, a estrutura de saúde assemelha-se a uma pequena clínica multidisciplinar. O local oferece um médico de plantão 24 horas, garantindo resposta imediata a qualquer intercorrência. Além disso, a equipe de suporte é vasta: são dois médicos clínicos adicionais, três enfermeiros, dois dentistas, uma assistente social, dois psicólogos, um fisioterapeuta, três técnicos de enfermagem, um psiquiatra e um farmacêutico.
Essa rede de proteção sanitária anula, na prática, qualquer argumento de que a prisão estaria colocando a vida do ex-presidente em risco por negligência médica. A presença de psiquiatras e psicólogos também indica uma preocupação com os efeitos do encarceramento prolongado na saúde mental de Bolsonaro.
Vizinhança de Alto Perfil
A nova cela de Bolsonaro não é uma ilha isolada no sistema prisional, mas parte de um ecossistema que agora concentra a cúpula do governo anterior. O 19º Batalhão da PMDF, apelidado de Papudinha devido à sua proximidade com o Complexo da Papuda, já abriga outras figuras centrais condenadas ou investigadas pelos atos antidemocráticos.
Entre os “vizinhos” de Bolsonaro estão o ex-ministro da Justiça Anderson Torres e o ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Silvinei Vasques. Embora ocupem celas distintas e o regime de incomunicabilidade entre eles deva ser mantido por questões de segurança processual, a concentração dessas figuras no mesmo batalhão facilita a logística de segurança do Estado e cria um simbolismo forte sobre a responsabilidade penal da antiga gestão.
Decisões Adicionais: Leitura, Religião e a proibição da Smart TV
O despacho de Alexandre de Moraes que detalha a nova cela de Bolsonaro também estabelece regras de conduta e acesso a benefícios. O ministro autorizou expressamente que o ex-presidente receba assistência religiosa, garantindo o direito constitucional à liberdade de crença mesmo no cárcere. Além disso, Bolsonaro poderá participar de programas de remição de pena através da leitura, um mecanismo legal que permite abater dias da condenação mediante a leitura e resenha de obras literárias.
Por outro lado, o STF impôs limites claros à conexão com o mundo exterior. Moraes negou o pedido da defesa para a instalação de uma Smart TV com acesso à internet. A nova cela de Bolsonaro terá televisão, mas apenas com acesso aos canais de sinal aberto, sem conectividade de rede. Essa medida visa impedir que o ex-presidente continue a exercer influência direta nas redes sociais ou se comunique de forma não monitorada com sua base de apoiadores, mantendo o caráter de isolamento comunicacional da pena.
Análise: A Resposta Institucional às Críticas
A minúcia com que a nova cela de Bolsonaro foi descrita e preparada revela uma estratégia do Judiciário para blindar o processo de execução penal. Ao longo dos meses em que esteve na PF, a defesa e a família de Bolsonaro exploraram politicamente as condições da carceragem, citando desde o desconforto térmico até a falta de espaço.
Ao transferi-lo para um ambiente de 64 metros quadrados com cozinha, área externa e equipe médica de ponta, Alexandre de Moraes retira o argumento da “humanidade” da mesa de negociação política. A nova cela de Bolsonaro é, objetivamente, muito superior ao padrão do sistema prisional brasileiro e até mesmo às Salas de Estado Maior convencionais.
O recado é claro: o ex-presidente está preso e cumprirá sua pena de 27 anos, mas o Estado Democrático de Direito assegurará sua integridade física com rigor. A “Papudinha” deixa de ser apenas um batalhão militar para se tornar o centro das atenções da política nacional, onde cada detalhe da rotina na nova cela de Bolsonaro será escrutinado. Com cinco vezes mais espaço e uma infraestrutura robusta, a nova residência forçada de Jair Bolsonaro marca o início de uma longa jornada carcerária, agora sob novas regras e em um novo cenário.






