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Ouro recua com fortalecimento do dólar após sinalização do Fed

por Camila Braga
02/02/2026 às 23h52
em Economia
Ouro Recua Com Fortalecimento Do Dólar Após Sinalização Do Fed - Gazeta Mercantil

Ouro recua com fortalecimento do dólar após sinalização mais conservadora do Fed

Brasília – O mercado global de commodities atravessa um novo ciclo de ajuste, com destaque para o desempenho do ouro, que passou por uma correção expressiva após a recuperação da confiança no dólar e a sinalização de maior rigor na política monetária dos Estados Unidos. A avaliação é de Fernanda Rocha, assessora de investimentos da Monte Bravo, que analisou o cenário macroeconômico internacional e seus reflexos sobre os ativos reais e financeiros.

Segundo a especialista, o movimento recente reflete uma mudança relevante na percepção de risco global, impulsionada pela estabilização do cenário fiscal norte-americano e pela indicação de Kevin Warsh para um cargo estratégico no Federal Reserve (Fed). Esse conjunto de fatores reforçou a credibilidade das moedas fiduciárias e reduziu a demanda por ativos tradicionalmente considerados proteção, como o ouro.

Leia também: Dólar recua e reflete juros do Fed e expectativa sobre a Selic.

Correção no preço do ouro marca nova fase do mercado

O preço do ouro registrou uma queda significativa, saindo de um patamar próximo a US$ 5.500 para a faixa de US$ 4.700. A correção chamou a atenção de investidores e analistas, sobretudo por ocorrer após um período prolongado de valorização do metal precioso, impulsionado por temores inflacionários, conflitos geopolíticos e expansão monetária global.

De acordo com Fernanda Rocha, o movimento não deve ser interpretado como uma ruptura estrutural, mas como um ajuste natural diante da mudança no ambiente macroeconômico. O ouro recua com fortalecimento do dólar em um contexto no qual a confiança na política monetária volta a ganhar espaço entre os agentes financeiros.

Leia também: Alta do Dólar e Seus Efeitos na Inflação: Economistas Avaliam Cenário.

“O ouro vinha funcionando como um seguro contra a perda de valor das moedas fiduciárias. Quando o mercado percebe um reforço na disciplina monetária, parte dessas posições começa a ser desmontada”, explicou.

Confiança nas moedas fiduciárias volta ao centro do debate

A recuperação do dólar está diretamente associada à retomada da credibilidade das autoridades monetárias dos Estados Unidos. Para Fernanda Rocha, moedas fiduciárias dependem essencialmente da confiança dos agentes econômicos na capacidade de um país conduzir sua política monetária de forma responsável.

Leia também: Ibovespa hoje recua na abertura com emprego dos EUA no radar; Embraer (EMBR3) sobe.

Quando há excesso de emissão sem contrapartida produtiva, o resultado tende a ser inflação e perda do poder de compra. No entanto, a sinalização recente de maior ortodoxia no comando do Fed contribuiu para reverter parte dessas expectativas negativas.

Nesse cenário, o ouro recua com fortalecimento do dólar porque os investidores passam a reavaliar a necessidade de manter posições defensivas em ativos reais, migrando novamente para instrumentos financeiros lastreados na moeda americana.

Indicação ao Fed acelera desmontagem de posições em metais

A nomeação de Kevin Warsh, conhecido por seu perfil conservador, foi interpretada pelo mercado como um sinal claro de compromisso com o controle inflacionário e a estabilidade monetária. Esse fator funcionou como gatilho para um movimento coordenado de realização de lucros nos metais preciosos.

Segundo a análise da Monte Bravo, o processo ocorreu de forma rápida e intensa, acionando ordens automáticas de venda e provocando um efeito dominó no mercado. O ouro recua com fortalecimento do dólar também em função desse mecanismo técnico, comum em períodos de alta volatilidade.

A correção atingiu não apenas o ouro, mas outros metais utilizados como reserva de valor, reforçando a leitura de que o ajuste foi sistêmico, e não pontual.

Dívida global e excesso de dólares seguem no radar

Apesar da correção recente, Fernanda Rocha pondera que os fundamentos estruturais continuam relevantes. O endividamento global permanece elevado, com destaque para o déficit nominal dos Estados Unidos, que superou US$ 1,8 trilhão em 2025.

Esse volume expressivo de dólares em circulação foi, durante meses, um dos principais motores da valorização do ouro. No entanto, com a mudança de percepção sobre a política monetária, esse fator perdeu força no curto prazo.

Ainda assim, o cenário exige atenção. A especialista ressalta que o equilíbrio entre dívida, crescimento econômico e política fiscal seguirá determinante para o comportamento dos ativos nos próximos anos.

Ouro mantém vantagem estrutural frente às moedas tradicionais

Mesmo com o ajuste recente, o ouro continua sendo um ativo com características únicas no sistema financeiro global. Diferentemente das moedas fiduciárias, o metal precioso possui escassez física, o que limita sua oferta e sustenta seu valor no longo prazo.

Fernanda Rocha destaca que ativos lastreados em bens físicos não dependem exclusivamente da confiança institucional. O ouro não pode ser criado artificialmente, o que o diferencia de moedas que podem ser emitidas conforme decisões políticas.

Esse fator explica por que, mesmo quando o ouro recua com fortalecimento do dólar, o metal não perde completamente sua atratividade, especialmente em cenários de instabilidade prolongada.

Impactos no Brasil e menor apetite por risco

No mercado brasileiro, os reflexos desse novo ambiente global também já começam a ser percebidos. O principal índice da B3 registrou queda no volume negociado, indicando uma postura mais cautelosa por parte dos investidores.

Segundo a análise, o fluxo de recursos que vinha sustentando o mercado local perdeu intensidade, com parte do capital retornando para ativos ligados à dívida americana. O ouro recua com fortalecimento do dólar em um contexto no qual o investidor global busca segurança e liquidez.

A baixa participação no volume diário de negociações reforça a leitura de que o mercado brasileiro enfrenta um momento de transição, com menor apetite ao risco e maior seletividade.

Reprecificação dos ativos redefine estratégias de investimento

O atual movimento do mercado sinaliza uma reprecificação ampla dos ativos, tanto no exterior quanto no Brasil. A combinação de política monetária mais rígida, fortalecimento do dólar e correção dos metais preciosos obriga investidores a revisarem estratégias.

Para especialistas, o momento exige diversificação, análise criteriosa de fundamentos e atenção às sinalizações das autoridades econômicas. O ouro recua com fortalecimento do dólar, mas segue desempenhando um papel relevante como instrumento de proteção em carteiras de longo prazo.

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