Produtos brasileiros isentos da tarifa de Trump: o que ficou de fora do tarifaço e por quê
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou em 30 de julho de 2025 um decreto que aumentou significativamente as tarifas sobre produtos importados do Brasil, elevando a taxação para 50%. A medida gerou forte impacto político e econômico, afetando diretamente setores estratégicos da economia brasileira. No entanto, alguns produtos brasileiros isentos da tarifa de Trump chamaram a atenção, pois ficaram de fora da lista de sobretaxas. Esses itens, considerados essenciais ou de difícil substituição no mercado americano, garantiram uma exceção que pode ser crucial para determinadas cadeias produtivas no Brasil.
A seguir, você entenderá quais foram os principais produtos isentos, os motivos por trás dessas exceções e as consequências práticas para o comércio bilateral entre Brasil e Estados Unidos.
Por que Trump aumentou tarifas sobre o Brasil?
A nova política tarifária anunciada por Trump faz parte de uma estratégia mais ampla de proteção da indústria nacional norte-americana. Segundo o governo dos EUA, o Brasil estaria se beneficiando de forma “desproporcional” no comércio bilateral, especialmente em setores de commodities, produtos agrícolas e minérios. A medida foi considerada por analistas como uma resposta direta ao crescimento das exportações brasileiras e ao aumento da presença de multinacionais brasileiras no território americano.
A elevação de tarifas para 50% representa um impacto severo para produtos que estavam até então com acesso privilegiado ao mercado norte-americano. No entanto, houve uma série de exceções estratégicas.
Produtos brasileiros isentos da tarifa de Trump: o que ficou de fora e por quê
1. Suco de laranja e derivados
O suco de laranja brasileiro, líder no mercado global, foi um dos principais produtos isentos da nova tarifa. O motivo está na dependência dos EUA desse produto, especialmente da Flórida, que tem sofrido sucessivos prejuízos climáticos que afetam a produção local. Com isso, o Brasil continua sendo um fornecedor essencial, e o suco de laranja – tanto em polpa quanto em formas congeladas ou não – segue livre de sobretaxação.
2. Castanhas-do-brasil
As castanhas-do-brasil com casca, frescas ou secas também estão na lista de exceções. Consideradas um superalimento nos EUA, têm alta demanda no setor de produtos naturais e suplementos alimentares. O Brasil é praticamente o único fornecedor em escala comercial.
3. Minérios estratégicos
O minério de ferro (aglomerado e não aglomerado), minério de estanho, mica bruta e vários produtos minerais foram poupados do tarifaço. Os EUA não possuem reservas significativas de muitos desses itens, tornando o Brasil um parceiro crucial para abastecer indústrias como siderurgia, tecnologia e construção civil.
4. Energia e derivados
Produtos como gases naturais, propano, butano, etileno, butileno e derivados petroquímicos foram excluídos. Isso se deve à integração das cadeias de suprimento de energia entre os dois países. A interrupção desses fluxos poderia prejudicar a produção de energia e a indústria petroquímica nos EUA.
5. Aeronaves civis e peças
Um dos pontos mais sensíveis: aeronaves civis e componentes aeronáuticos ficaram de fora da nova taxação. A Embraer, uma das maiores exportadoras brasileiras, vende quase metade de seus jatos comerciais e mais de 70% dos jatos executivos para o mercado americano. A taxação sobre esses itens poderia gerar reações adversas de empresas aéreas e investidores norte-americanos.
6. Produtos químicos e fertilizantes
Produtos como fertilizantes minerais e químicos, além de diversos compostos químicos industriais, foram preservados. A agricultura norte-americana depende de insumos importados para manter seus altos níveis de produtividade, e o Brasil é um fornecedor importante.
7. Metais industriais e insumos de fabricação
Isentos da nova tarifa também estão ligas de ferro, ferronióbio, ferro-gusa, além de alumínio, silício, potassa cáustica e outros metais primários usados em indústrias pesadas. Esses insumos são cruciais para fábricas americanas de automóveis, equipamentos pesados e componentes eletrônicos.
8. Celulose, papel e madeira
A celulose brasileira e produtos derivados como polpa de algodão, fibras vegetais e papelão também não foram incluídos. Esses insumos abastecem diversas indústrias norte-americanas, como de embalagens, papelaria e higiene.
Impacto no mercado: Embraer e Suzano sobem na bolsa
Com a divulgação da lista oficial de produtos isentos, o mercado reagiu positivamente. As ações da Embraer dispararam mais de 11%, impulsionadas pela continuidade das exportações de aeronaves sem tarifas adicionais. Já a Suzano, gigante do setor de papel e celulose, viu seus papéis subirem mais de 1% com a notícia de que seus principais produtos também foram poupados.
A estratégia dos EUA por trás das exceções
Embora o aumento das tarifas seja visto como uma medida protecionista, as exceções demonstram que há limites práticos para as sanções econômicas. Os produtos brasileiros isentos da tarifa de Trump refletem uma realidade de interdependência entre as cadeias produtivas globais. Muitos dos itens mantidos fora da sobretaxa não têm substitutos imediatos ou são essenciais para setores-chave da economia americana.
Consequências para o Brasil
A medida tem dois lados para o Brasil. Por um lado, setores como carnes, café, cacau, frutas e manufaturas devem ser fortemente impactados com a nova tarifa. Por outro, a manutenção de exportações estratégicas como minérios, energia, papel, celulose e aeronaves oferece algum fôlego à balança comercial brasileira.
Além disso, a isenção de alguns produtos abre espaço para negociações diplomáticas mais profundas e específicas, que podem evitar uma guerra comercial em larga escala.
O que esperar a partir de agora
A decisão dos Estados Unidos de aumentar as tarifas para 50% sobre produtos brasileiros marca um novo capítulo nas relações comerciais entre os dois países. No entanto, a existência de produtos brasileiros isentos da tarifa de Trump mostra que a política comercial dos EUA, embora agressiva, ainda leva em conta os efeitos práticos sobre sua própria economia.
Para o Brasil, resta agora diversificar mercados, fortalecer acordos comerciais bilaterais e investir em cadeias produtivas menos expostas a riscos geopolíticos.






