Revolução financeira da China inspira avanço do Pix, Drex e Open Finance no Brasil
O sistema financeiro brasileiro vive uma de suas fases mais transformadoras das últimas décadas, com o avanço acelerado de ferramentas como o Pix, o Drex e o Open Finance. A digitalização dos serviços bancários, impulsionada por uma política agressiva de inovação do Banco Central, revela uma inspiração clara: a revolução financeira da China. O país asiático, pioneiro em consolidar plataformas digitais como o Alipay e o WeChat Pay, serve de exemplo para o Brasil, que agora adapta esse modelo à sua realidade e regulações locais.
A digitalização do dinheiro, os pagamentos instantâneos, a integração de plataformas e o empoderamento do consumidor por meio do controle de seus dados estão no centro da nova estrutura que se desenha. A tríade formada por Pix, Drex e Open Finance posiciona o Brasil como uma das principais economias emergentes a seguir os passos da revolução financeira da China, buscando eficiência, inclusão e competitividade.
A revolução financeira da China como modelo global
Antes de explorar o contexto brasileiro, é fundamental compreender o que foi a revolução financeira da China. A partir dos anos 2000, o país investiu pesadamente na digitalização do sistema financeiro. O Alipay, lançado em 2004 pelo grupo Alibaba, e o WeChat Pay, do grupo Tencent, criaram um novo ecossistema de pagamentos e serviços financeiros, onde os usuários fazem tudo pelo celular: pagar, investir, contratar seguros, solicitar crédito, transferir dinheiro e comprar online e offline.
Hoje, mais de 1 bilhão de chineses utilizam essas plataformas como parte do seu cotidiano, o que eliminou boa parte do uso de dinheiro físico e descentralizou o poder dos bancos tradicionais. Com isso, o país conseguiu incluir digitalmente milhões de pessoas, especialmente nas áreas rurais, e transformou suas fintechs em líderes globais em inovação.
Essa revolução tecnológica, ancorada em infraestrutura digital e regulação adaptativa, se tornou referência para outros países, como o Brasil, que enxergam na experiência chinesa um modelo bem-sucedido de como tecnologia e finanças podem caminhar juntas.
Pix 2.0: o avanço brasileiro no sistema de pagamentos
Lançado em 2020, o Pix foi o primeiro grande passo do Banco Central para iniciar a transição digital do sistema bancário brasileiro. O mecanismo de pagamento instantâneo, gratuito e universal caiu rapidamente no gosto do público. Em 2025, o sistema já registra mais de 227 milhões de transações em um único dia — um recorde histórico.
Inspirado nos sistemas chineses de pagamento via QR Code e carteiras digitais, o Pix evoluiu. O chamado Pix 2.0 traz novas funcionalidades que ampliam o acesso e a usabilidade:
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Pix Automático: permite agendamento de pagamentos recorrentes, como contas e mensalidades.
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Pix por Aproximação: pagamentos rápidos com NFC, sem abrir aplicativos.
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Pix Parcelado: previsto para setembro de 2025, ampliará o uso como alternativa ao cartão de crédito.
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Pix como Garantia de Crédito: previsto para 2026, promete revolucionar o acesso a empréstimos.
Essas funções colocam o Pix em um patamar próximo ao das carteiras digitais chinesas, com foco em acessibilidade, praticidade e inclusão financeira.
Drex: o real digital que se aproxima do yuan digital
A segunda peça da transformação financeira brasileira é o Drex, a moeda digital oficial do Banco Central (CBDC), baseada em tecnologia blockchain. O Drex, sigla para “Digital Real Electronic Exchange”, segue uma lógica semelhante à do yuan digital da China (e-CNY), buscando digitalizar a moeda fiduciária com segurança, rastreabilidade e eficiência.
O Drex tem como objetivo principal criar um novo ambiente transacional com recursos como:
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Pagamentos com contratos inteligentes;
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Tokenização de ativos reais (como imóveis e ações);
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Possibilidade de investimentos fracionados;
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Maior interoperabilidade entre bancos, fintechs e corretoras;
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Redução de custos operacionais no sistema financeiro.
A semelhança com a revolução financeira da China é clara: o Drex pretende ser a base para um ecossistema digital no qual pessoas físicas e empresas interajam com serviços financeiros de forma instantânea, automatizada e segura. O que a China alcançou com o e-CNY e o Alipay, o Brasil busca construir com Drex e Open Finance.
Open Finance: o poder dos dados nas mãos do consumidor
A terceira peça do quebra-cabeça é o Open Finance, um modelo que permite ao consumidor controlar e compartilhar seus dados bancários com outras instituições. Isso muda completamente a lógica do sistema financeiro: o histórico bancário deixa de ser monopólio de um banco e passa a ser propriedade do cliente.
A inspiração aqui também é asiática. Na revolução financeira da China, plataformas como Alipay usam algoritmos baseados em comportamento financeiro para oferecer crédito, investimentos e seguros personalizados em tempo real.
Com o Open Finance, o Brasil dá esse mesmo passo rumo à personalização extrema dos serviços financeiros, com benefícios como:
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Maior concorrência entre bancos e fintechs;
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Crédito com juros mais baixos;
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Portabilidade de contas e empréstimos facilitada;
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Investimentos sob medida, baseados no perfil do usuário.
O objetivo é gerar um ambiente mais transparente, competitivo e centrado no consumidor — tal como o que já ocorre nos superapps financeiros chineses.
Desafios da transição para o novo sistema financeiro digital
Apesar dos avanços, o Brasil ainda enfrenta obstáculos relevantes para alcançar o nível da revolução financeira da China. Entre os principais desafios estão:
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Regulação: a PEC 65/2023, que amplia o escopo do Banco Central, precisa ser aprovada para dar suporte jurídico ao Drex e outras inovações.
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Educação financeira: o público ainda precisa ser instruído sobre os benefícios e riscos do novo modelo. Isso exige campanhas de comunicação acessíveis e contínuas.
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Segurança cibernética: com a digitalização total dos ativos financeiros, cresce a necessidade de sistemas robustos contra fraudes e vazamentos de dados.
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Interoperabilidade real: apesar dos avanços técnicos, ainda há barreiras entre bancos, fintechs e plataformas. A integração total será determinante para o sucesso do modelo.
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Inclusão digital: para que o novo sistema atinja todos os brasileiros, é fundamental ampliar o acesso à internet de qualidade e aos dispositivos móveis.
Brasil e China: paralelos e diferenças
Embora a inspiração chinesa seja evidente, é importante notar que o Brasil segue um caminho próprio. Diferente da China, onde duas empresas privadas lideraram a transformação (Alibaba e Tencent), no Brasil o Banco Central tem atuado como principal indutor da inovação.
Esse modelo híbrido — público na condução e privado na execução — tem potencial para equilibrar controle estatal e liberdade de mercado. A regulação robusta garante segurança, enquanto o setor privado estimula a competição e a inovação.
Além disso, o Drex e o Open Finance são estruturados dentro de um sistema bancário já consolidado e regulado, diferente do cenário chinês, que teve crescimento desregulado no início e depois passou por ajustes rígidos.
O futuro do sistema financeiro brasileiro
Nos próximos anos, a expectativa é que o Brasil consolide sua posição como um dos líderes em inovação financeira na América Latina. Com o Drex em fase avançada de testes, o Open Finance já em implementação e o Pix como referência global, o país tem todos os elementos para criar seu próprio ecossistema de superapp financeiro, assim como ocorreu na China.
Além disso, a internacionalização dessas tecnologias pode colocar o Brasil como referência para outros países em desenvolvimento que buscam soluções eficazes para promover inclusão e eficiência nos serviços financeiros.
A revolução financeira da China como inspiração para o futuro do Brasil
A ascensão do Pix, do Drex e do Open Finance confirma que o Brasil está se inspirando na revolução financeira da China para reformular completamente a maneira como seus cidadãos se relacionam com o dinheiro. Ao seguir um modelo digital, integrado e centrado no usuário, o país caminha para uma nova era de inclusão financeira, eficiência operacional e protagonismo internacional.
A construção dessa nova infraestrutura digital é, sem dúvida, um dos marcos mais relevantes da história recente do sistema bancário brasileiro. E o mais interessante é que esse movimento ainda está apenas começando. O que parece inovação hoje será, em breve, parte da rotina de milhões de brasileiros — assim como já acontece do outro lado do mundo.






