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Safra 2025/26 deve bater recorde global com soja e milho puxando a produção, diz Itaú BBA

por Gabriel Monteiro
04/07/2025 às 11h05
em Economia
Safra 2025/26 Deve Bater Recorde Global Com Soja E Milho Puxando A Produção, Diz Itaú Bba Gazeta Mercantil

Safra 2025/26: projeções do Itaú BBA apontam novo recorde global da produção de soja e desafios no agro

Cenário econômico e geopolítico desafia o agronegócio em 2025/26

O ciclo da safra 2025/26 promete ser um dos mais desafiadores dos últimos anos para o setor agropecuário global. De acordo com as análises do Itaú BBA, apesar das projeções positivas para culturas como a soja e o milho — fortemente impulsionadas pelo crescimento da demanda por biocombustíveis —, o ambiente macroeconômico e geopolítico continuará exercendo pressão sobre custos, produtividade e margens dos produtores.

A combinação de juros elevados, aumento nos preços dos fertilizantes e instabilidade provocada por conflitos como a guerra entre Irã e Israel, somam-se à herança de dois anos consecutivos de incertezas no setor. O alerta do banco é claro: o agronegócio ainda está lidando com os reflexos de uma “ressaca” prolongada, iniciada em 2022, e o caminho para 2026 exige atenção estratégica.

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Gestão de custos e câmbio será crucial na safra 2025/26

O lançamento do Plano Safra 2025/26, em 1º de julho, marcou oficialmente o início do novo ciclo agrícola. Segundo o Itaú BBA, esse ciclo exigirá uma postura ainda mais cautelosa por parte dos produtores. A recomendação central dos analistas é a intensificação da gestão de custos e o monitoramento rigoroso do câmbio, fatores determinantes para a saúde financeira do agronegócio diante do atual cenário internacional.

A inflação global, somada a tarifas comerciais e à alta nos preços dos fertilizantes nitrogenados, afeta diretamente os custos de produção, sobretudo nas culturas de maior dependência química, como o milho e o algodão. Apesar disso, a demanda sólida por biocombustíveis surge como um alívio e uma oportunidade estratégica para o setor.

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Biocombustíveis impulsionam soja, milho e cana-de-açúcar

A safra 2025/26 será impactada positivamente pela Lei do Combustível do Futuro, novo marco regulatório que moderniza a política de biocombustíveis no Brasil. A norma deve ampliar significativamente a demanda por matérias-primas como soja, milho e cana-de-açúcar para a produção de combustíveis sustentáveis, elevando o volume de esmagamento de soja e a competitividade das culturas energéticas.

O Brasil, como grande produtor e exportador agrícola, se beneficia dessa transição energética global. A demanda por biodiesel e etanol deve garantir mais estabilidade de preços e estimular o investimento em tecnologias para o aumento de produtividade e eficiência no campo.

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Soja: recorde global e crescimento da produção brasileira

A soja continua sendo o carro-chefe da produção agrícola nacional. A projeção do Itaú BBA para a safra 2025/26 é otimista: o Brasil deve superar os números do ciclo anterior, mesmo com um ritmo de crescimento da área cultivada mais moderado. Se o clima permanecer favorável, a expectativa é de um novo recorde global de produção da oleaginosa.

Esse crescimento será orientado também pelas políticas americanas voltadas aos biocombustíveis e pelos desdobramentos das relações comerciais com a China. Enquanto os Estados Unidos apontam para uma safra excelente, com lavouras em pleno desenvolvimento, a Argentina tende a reduzir sua área de soja, favorecendo ainda mais a competitividade brasileira.

Milho: fertilizantes pressionam, mas biocombustíveis trazem fôlego

O milho, segunda principal cultura do país, será diretamente impactado pelo custo elevado dos fertilizantes. Com o aumento expressivo dos insumos, produtores podem optar por não ampliar ou até mesmo reduzir a área plantada em determinadas regiões.

Mesmo com esse desafio, a safrinha de milho em 2025 será impulsionada pela alta demanda do setor de biocombustíveis. Os Estados Unidos, por sua vez, devem registrar a maior safra de milho da história, enquanto a China avança em produtividade, o que aumenta a competição global.

A previsão do Itaú BBA é de que, apesar do volume recorde, os estoques finais da commodity continuarão em queda pelo segundo ano consecutivo, o que pode sustentar os preços no mercado internacional.

Algodão: cultura altamente impactada pelos custos de produção

O algodão enfrenta um cenário delicado. Com cerca de 40% dos custos de produção atrelados aos fertilizantes, a rentabilidade dos produtores pode ser significativamente afetada na safra 2025/26. A expectativa é de queda global na produção, com recuo das áreas cultivadas nos Estados Unidos, Índia e China.

Nesse contexto, o Brasil surge como exceção: é o único grande produtor com projeção de aumento de produção de algodão, o que pode ampliar sua participação no mercado internacional. No entanto, incertezas políticas e restrições comerciais devem ser monitoradas de perto.

Proteínas: carne bovina, suína e de aves com boas perspectivas

O setor de proteínas animais apresenta boas perspectivas para 2025/26. A carne bovina, em especial, será beneficiada pela redução dos custos com ração, aumento nos confinamentos e firme demanda externa. O reconhecimento do Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação reforça a competitividade da pecuária brasileira, embora também exija maior rigor nos protocolos sanitários.

Para aves e suínos, a situação também é positiva. Custos controlados e preços elevados mantêm boas margens, com a demanda global se mantendo aquecida. Um ponto de atenção é a recuperação das exportações de frango, que foram afetadas pela gripe aviária no Rio Grande do Sul.

Panorama geral da safra 2025/26: desafios e oportunidades

Apesar dos múltiplos desafios enfrentados pelo agronegócio — como conflitos geopolíticos, custos de insumos e pressões regulatórias —, a safra 2025/26 surge como uma oportunidade para reorganização estratégica do setor. Culturas como soja e milho se destacam pela forte demanda, especialmente no contexto da transição energética global.

A atenção à gestão de custos, diversificação de culturas, fortalecimento de cadeias logísticas e investimentos em tecnologias agrícolas serão determinantes para que o Brasil continue na liderança global da produção agropecuária. O mercado internacional está aquecido e disposto a pagar mais por alimentos e combustíveis sustentáveis. O produtor que conseguir se adaptar, poderá colher os frutos desse novo ciclo com mais segurança e rentabilidade.

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