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Superávit comercial da China bate recorde de US$ 1,2 trilhão apesar de Trump

por Eduardo Toscano - Correspondente Internacional
14/01/2026 às 10h13 - Atualizado em 15/05/2026 às 16h59
em Mundo, Destaque, Notícias
Superávit Comercial Da China - Gazeta Mercantil

China ignora pressão dos EUA e fecha 2025 com recorde histórico no superávit comercial

A economia global testemunhou, no encerramento de 2025, uma demonstração de força e resiliência sem precedentes vinda do Oriente. Em um cenário marcado pelo retorno de tensões protecionistas e pela sombra de novas guerras tarifárias, o superávit comercial da China atingiu um patamar recorde de quase US$ 1,2 trilhão. Este resultado, divulgado nesta quarta-feira (14) pela administração alfandegária chinesa, não apenas supera todas as expectativas de mercado, mas também reconfigura o tabuleiro geopolítico, desafiando abertamente as políticas de contenção econômica lideradas pelos Estados Unidos e pelo governo de Donald Trump.

O impressionante superávit comercial da China — especificamente US$ 1,189 trilhão — é um número que fala por si. Para colocar em perspectiva, o saldo positivo da balança comercial chinesa é comparável ao Produto Interno Bruto (PIB) inteiro de economias robustas que figuram entre as 20 maiores do mundo, como a Arábia Saudita. A conquista deste marco financeiro ocorre em um momento de extrema volatilidade, onde as fricções comerciais, tecnológicas e geopolíticas se intensificaram desde o retorno dos Republicanos à Casa Branca no ano passado.

A Estratégia de Diversificação e o Superávit Comercial da China

O crescimento exponencial do superávit comercial da China não é fruto do acaso, mas o resultado de uma estratégia meticulosa desenhada por Pequim. Diante das barreiras impostas por Washington, os formuladores de políticas econômicas chinesas orquestraram um pivô estratégico, desviando o foco das exportações para mercados alternativos e emergentes. O “Sul Global” — compreendendo o Sudeste Asiático, a África e a América Latina — tornou-se o destino preferencial dos produtos manufaturados chineses.

Essa manobra permitiu que o superávit comercial da China continuasse a crescer, mesmo com as portas do mercado norte-americano se fechando parcialmente. Ao ganhar escala global nessas novas frentes, os produtores chineses conseguiram amortecer o impacto das tarifas punitivas dos EUA. A diversificação dos parceiros comerciais funcionou como um escudo, garantindo que a máquina de exportação asiática não apenas continuasse operando, mas acelerasse seu ritmo.

Segundo Wang Jun, vice-ministro da administração alfandegária da China, a capacidade do país de resistir a riscos externos foi “significativamente aprimorada” graças a essa base de parceiros mais ampla. O superávit comercial da China, portanto, deixa de ser dependente de uma única relação bilateral e passa a refletir a onipresença da manufatura chinesa em todos os cantos do globo.

O Paradoxo da Demanda Interna e a Capacidade Excedente

Analistas internacionais apontam, contudo, que o recorde no superávit comercial da China esconde fragilidades estruturais na segunda maior economia do mundo. Fred Neumann, economista-chefe para a Ásia do HSBC, observa que a competitividade extraordinária da economia chinesa é uma faca de dois gumes. Se por um lado ela reflete ganhos reais de produtividade e uma crescente sofisticação tecnológica — visível na qualidade dos veículos elétricos e eletrônicos exportados —, por outro, ela denuncia uma demanda doméstica anêmica.

A crise persistente no setor imobiliário chinês e a confiança abalada do consumidor local criaram um cenário de capacidade excedente. As fábricas chinesas produzem muito mais do que a população local consome. Para escoar essa produção e manter os empregos, a única saída é a exportação agressiva, o que infla diretamente o superávit comercial da China.

Essa dinâmica coloca uma pressão imensa sobre os formuladores de políticas em Pequim. A grande questão para 2026 é por quanto tempo a economia de US$ 19 trilhões poderá sustentar esse modelo. O superávit comercial da China serve, atualmente, como a principal alavanca para compensar a lentidão interna, enviando produtos cada vez mais baratos para o exterior. No entanto, essa estratégia tem um limite político e diplomático.

Tensões Globais e o Risco de Retaliação

O aumento vertiginoso do superávit comercial da China está acendendo alertas vermelhos não apenas em Washington, mas também em Bruxelas, Nova Délhi e até mesmo em Brasília. O fluxo incessante de manufaturados chineses baratos é visto por muitos governos como uma ameaça às suas indústrias nacionais. Neumann alerta que o desequilíbrio gerado pelo superávit comercial da China pode elevar as tensões com parceiros comerciais, especialmente aqueles que também dependem de exportações industriais e veem seus mercados invadidos.

À medida que 2026 se aproxima, a China enfrenta o desafio hercúleo de afastar as preocupações globais sobre suas práticas comerciais. O excesso de capacidade industrial, financiado por subsídios estatais implícitos ou explícitos, é o ponto central das críticas. Se o mundo decidir fechar as portas de forma coordenada para proteger suas indústrias, o superávit comercial da China poderá sofrer um revés significativo, obrigando o país a lidar com seus problemas internos de demanda sem a válvula de escape das exportações.

Dados de Dezembro: Um Final de Ano Forte

Os números de dezembro de 2025 confirmam a tendência de alta. As remessas externas cresceram 6,6% em termos de valor na comparação anual, uma aceleração em relação à alta de 5,9% registrada em novembro. Esse desempenho superou largamente as previsões de economistas consultados pela Reuters, que esperavam um aumento modesto de 3,0%. Esse impulso final foi crucial para consolidar o recorde anual do superávit comercial da China.

Do lado das importações, houve também uma surpresa positiva, com alta de 5,7%, superando a previsão de 0,9%. Zhiwei Zhang, economista-chefe da Pinpoint Asset Management, avalia que o forte crescimento das exportações ajuda a mitigar a fraca demanda doméstica. Para ele, com o mercado acionário em alta e uma relativa estabilidade nas relações entre EUA e China — apesar da retórica —, é provável que o governo chinês mantenha a postura de política macroeconômica inalterada no primeiro trimestre de 2026, confiando no superávit comercial da China como motor de crescimento.

O Setor de Terras Raras: Estratégia e Geopolítica

Um componente vital que impulsionou os números e a influência geopolítica chinesa foi a exportação de terras raras. Mesmo sob restrições governamentais iniciadas em abril, as exportações desses minerais estratégicos atingiram em 2025 o nível mais alto desde 2014. Esse movimento é contra-intuitivo, mas revela a complexidade da dependência mundial em relação à China.

O país exportou um total de 62.585 toneladas métricas do grupo de 17 elementos essenciais para a fabricação de tudo, desde smartphones e carros elétricos até mísseis e equipamentos de defesa. Isso representa um aumento anual de 12,9%. O controle sobre esses recursos é uma das cartas na manga de Pequim em sua disputa com o Ocidente. Embora a China tenha imposto controles de exportação em resposta às tarifas dos EUA, a demanda global falou mais alto, e os acordos firmados com a Europa e os próprios Estados Unidos permitiram a retomada dos embarques, contribuindo para o superávit comercial da China.

Em dezembro, houve uma queda mensal de 20% nas remessas, explicada pela formação de estoques antes do recesso de Natal, mas o volume ainda foi 32% maior do que no mesmo mês do ano anterior. A capacidade da China de manipular a oferta desses minerais continua sendo um fator de risco para a cadeia de suprimentos global e um elemento de barganha que sustenta a força do superávit comercial da China.

Desaceleração Automotiva no Horizonte de 2026

Apesar dos números robustos do comércio geral, sinais de fadiga começam a aparecer em setores-chave que foram motores do crescimento recente. A Associação Chinesa de Fabricantes de Automóveis (CAAM) emitiu projeções cautelosas para 2026. As vendas e as exportações de veículos devem desacelerar em meio à demanda fraca e incertezas externas.

A previsão é que as vendas de veículos cresçam apenas 1% neste ano, uma queda drástica em relação ao avanço de 9,4% registrado em 2025. O segmento de veículos elétricos e híbridos plug-in, a joia da coroa da indústria chinesa, também deve ver seu crescimento diminuir para 15,2%, ante os explosivos 28,2% do ano anterior.

As exportações de veículos, que foram vitais para o superávit comercial da China em 2025, devem avançar 4,3% em 2026. Embora positivo, esse número é modesto quando comparado à expansão de 21,1% observada no ano passado. Essa desaceleração reflete tanto a saturação de certos mercados quanto o aumento das barreiras tarifárias impostas pela União Europeia e outros países que tentam proteger suas indústrias automotivas da concorrência chinesa.

O Futuro do Superávit Comercial da China

Olhando para o futuro, a sustentabilidade do superávit comercial da China dependerá da habilidade de Pequim em navegar um ambiente internacional cada vez mais hostil. A dependência excessiva de exportações para manter o crescimento do PIB é uma vulnerabilidade que os rivais geopolíticos da China conhecem bem.

Se o governo Trump decidir escalar a guerra comercial para um nível de bloqueio total ou tarifas universais, e se a Europa seguir o mesmo caminho, a China terá que encontrar formas de estimular o consumo interno de maneira eficaz — algo que tem falhado em fazer nos últimos anos. Por enquanto, o superávit comercial da China de US$ 1,2 trilhão serve como um colchão financeiro gigantesco, permitindo ao país acumular reservas e investir em inovação tecnológica.

No entanto, o desequilíbrio que esse superávit gera na economia global é insustentável a longo prazo. O mundo não tem capacidade infinita para absorver a produção chinesa. A pressão para que a China valorize sua moeda ou altere suas práticas industriais deve aumentar. O superávit comercial da China é, ao mesmo tempo, um troféu de eficiência industrial e um alvo nas costas da economia chinesa.

O ano de 2025 entra para a história como o momento em que a China provou que pode continuar crescendo e exportando massivamente, independentemente de quem ocupa a Casa Branca. A estratégia de diversificação de mercados provou-se acertada, e o setor tecnológico chinês mostrou maturidade. Contudo, os desafios para 2026 são reais. Com o setor automotivo desacelerando e o mundo em alerta contra o “dumping” de produtos asiáticos, manter o superávit comercial da China nesses níveis estratosféricos exigirá mais do que apenas preços baixos; exigirá diplomacia e, talvez, uma reforma profunda no modelo de crescimento do país.

Por ora, os dados são incontestáveis: a China continua sendo a fábrica do mundo, e seu peso na balança comercial global é maior do que nunca. Resta saber como o Ocidente reagirá a esse domínio contínuo e quais serão as próximas jogadas na complexa partida de xadrez do comércio internacional.

Tags: balança comercial China 2025economia chinesa Trumpexportações China recordeguerra comercial EUA Chinaindústria automotiva China 2026MundoPIB China exportações.superávit comercial da Chinaterras raras exportação

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Após A Repercussão Da Suposta Compra Da Naskar, O Perfil Passou Por Alterações, Incluindo Arquivamento De Postagem, Mudanças Na Biografia, Remoção De Contas Seguidas E Bloqueio De Comentários. Naskar Deixou Investidores Sem Acesso Ao Aplicativo A Crise Da Naskar Começou Após A Fintech Não Realizar O Pagamento Mensal De Rendimentos Previsto Para 4 De Maio. Clientes Tentaram Contato Com Os Sócios Da Empresa Para Entender O Motivo Do Atraso, Mas, Segundo Relatos Reunidos No Texto-Base, Não Obtiveram Resposta. A Situação Se Agravou Quando O Aplicativo Da Naskar, Usado Pelos Investidores Para Acompanhar O Patrimônio Aplicado, Deixou De Funcionar Em 6 De Maio. Desde Então, Clientes Passaram A Relatar Dificuldade Para Acessar Informações Sobre Seus Saldos, Rendimentos E Eventual Cronograma De Devolução. A Naskar Atuava Há 13 Anos Captando Recursos De Clientes Com Promessa De Retorno De 2% Ao Mês, Patamar Muito Superior Ao Praticado Em Produtos Financeiros Tradicionais. Pela Estrutura Divulgada Aos Investidores, A Empresa Recebia Valores E Se Comprometia A Administrar O Patrimônio Dos Clientes, Pagando Rendimentos Mensais. O Modelo Atraiu Investidores De Diferentes Regiões Do País. A Crise, No Entanto, Expôs Riscos De Estruturas Privadas De Captação Com Promessa De Retorno Recorrente E Elevado. Quando Pagamentos Deixam De Ser Feitos, A Relação Entre Empresa E Cliente Rapidamente Passa Do Campo Comercial Para O Judicial E Regulatório. Segundo O Texto-Base, Os Valores A Serem Devolvidos Ou Ao Menos Esclarecidos Aos Clientes Superam R$ 900 Milhões. A Naskar, Por Sua Vez, Afirmou Que A Transação Com A Azara Capital Seria Uma “Operação Estratégica Voltada À Reorganização Das Atividades E À Continuidade Do Suporte Aos Investidores”. Azara Capital Não Informa Diretoria Nem Estrutura Operacional Um Dos Principais Pontos De Atenção É A Falta De Informações Institucionais Detalhadas Sobre A Azara Capital. O Site Da Empresa Não Informa Quem Ocupa Cargos De Comando, Quais São Os Responsáveis Pela Operação, Qual É A Estrutura Societária Ou Quais Executivos Responderiam Pelo Processo De Aquisição Da Naskar. Em Uma Operação Que Envolveria Aproximadamente R$ 1,2 Bilhão E A Assunção De Passivos Com Milhares De Investidores, A Ausência De Dados Públicos Sobre Governança Amplia A Incerteza. Para Investidores E Credores, A Identificação Dos Responsáveis Pela Empresa É Elemento Básico Para Avaliar Capacidade Financeira, Histórico, Experiência E Responsabilidade Sobre Compromissos Assumidos. Outro Ponto Citado No Texto-Base Envolve O Endereço Físico Informado Pela Azara Capital. A Localização Indicada Em Miami Aparece Associada Ao Ocean Bank, Não A Uma Sede Própria Identificável Da Empresa. Buscas Por “Azara Capital” Em Aplicativos E Sites De Geolocalização Também Não Retornariam Resultados Consistentes. A Ausência De Presença Consolidada Em Plataformas Públicas Não Comprova, Por Si Só, Irregularidade. Ainda Assim, Em Uma Transação De Grande Porte Envolvendo Investidores Prejudicados, A Falta De Dados Verificáveis Aumenta A Necessidade De Esclarecimentos. A Reportagem Também Aponta Que A Azara Capital Não Aparece Como Regulada Ou Cadastrada Em Órgãos De Fiscalização Americanos Como A Securities And Exchange Commission E A Financial Industry Regulatory Authority. Essas Informações São Relevantes Porque A Empresa Se Apresenta Como Sediada Nos Estados Unidos E Vinculada Ao Mercado Financeiro. Perfil Em Rede Social Passou Por Mudanças Após Repercussão A Presença Da Azara Capital Em Redes Sociais Também Entrou No Centro Das Dúvidas. O Perfil Da Empresa No Instagram Teria Sido Criado Há Poucos Meses E Exibia Poucas Publicações Até A Divulgação Da Suposta Transação Envolvendo A Naskar. Durante A Quinta-Feira, Após O Nome Da Empresa Ganhar Repercussão, Foram Observadas Mudanças No Perfil. Uma Publicação Que Mencionava “Capital Rápido Para Negócios Imobiliários” Teria Sido Arquivada. A Conta, Que Seguia 18 Perfis, Deixou De Seguir Todos Eles. A Opção De Comentários Nas Publicações Também Foi Bloqueada. O Perfil Da Empresa Não Teria Conta Correspondente No Linkedin, Plataforma Normalmente Usada Por Instituições Financeiras, Gestoras E Empresas De Serviços Corporativos Para Apresentar Equipe, Histórico, Área De Atuação E Estrutura De Negócios. As Alterações Nas Redes Sociais Não Significam, Isoladamente, Irregularidade. No Entanto, Em Um Contexto De Crise Envolvendo Quase R$ 1 Bilhão Em Recursos De Investidores, Mudanças Rápidas Em Canais Públicos De Comunicação Tendem A Reforçar A Pressão Por Transparência. Para Os Clientes Da Naskar, A Principal Preocupação É Saber Quem Assumirá A Responsabilidade Pelos Valores Aplicados, De Onde Virão Os Recursos Para Eventual Devolução E Qual Será O Prazo Real Para O Início Dos Pagamentos. Douglas Silva De Oliveira Aparece Ligado À Azara Segundo A Apuração Mencionada No Texto-Base, O Empresário Douglas Silva De Oliveira Se Apresentava Como Responsável Pela Azara Capital. Em Perfil Pessoal No Instagram, Ele Declarava Ser Fundador E Diretor Da Instituição, Mas A Informação Teria Sido Retirada Horas Após A Divulgação Da Transação Envolvendo A Naskar. Douglas Silva De Oliveira Consta Como Administrador E Sócio-Administrador De 11 Empresas Brasileiras, Sediadas No Distrito Federal E Em Diferentes Estados. Várias Dessas Companhias Têm Capitais Sociais Milionários, Segundo Os Dados Citados No Texto-Base. A Ligação Entre Douglas, Azara Capital E Naskar Passou A Ser Observada Com Mais Atenção Justamente Pelo Tamanho Da Operação Anunciada. A Suposta Compra De Uma Fintech Em Crise, Com Milhares De Investidores Aguardando Reembolso, Exige Comprovação De Capacidade Financeira E Clareza Sobre A Estrutura Jurídica Da Transação. A Naskar Informou Que A Azara Capital Passaria A Ser Responsável Pelo Contato Com Clientes Interessados Em Saber Quando Terão Seu Dinheiro De Volta. A Fintech Também Afirmou Que As Tratativas Para Devolução Começariam A Partir Da Semana Seguinte Ao Anúncio. Até A Última Atualização Do Texto-Base, Representantes Da Azara Capital Não Haviam Respondido A Tentativas De Contato Por Telefone, Whatsapp E E-Mail. Operação Envolveria Naskar, 7Trust E Next A Transação Anunciada Pela Naskar Não Se Limitaria À Gestora. Segundo A Empresa, A Azara Capital Teria Adquirido Também Outras Duas Companhias Do Grupo: 7Trust E Next. O Objetivo Declarado Seria Reorganizar As Atividades, Consolidar Informações Operacionais, Revisar Processos Existentes E Avançar Na Liquidação Com Investidores. O Valor Informado Para A Operação É De Aproximadamente R$ 1,2 Bilhão. A Cifra É Próxima Ao Montante Que Precisa Ser Devolvido Ou Explicado Aos Cerca De 3 Mil Clientes Da Fintech. Esse Alinhamento Entre Valor Da Transação E Passivo Estimado Aumenta A Importância De Documentação Verificável. Em Operações De Aquisição, Especialmente Quando Há Passivos Relevantes E Clientes Prejudicados, É Essencial Diferenciar Anúncio De Intenção, Assinatura De Contrato, Transferência Efetiva De Controle E Execução Financeira. Sem Esses Elementos, Investidores Seguem Expostos À Incerteza. A Naskar Disse Que Os Próximos Passos Envolveriam Continuidade Do Processo De Circularização, Consolidação De Informações Operacionais, Revisão Técnica Dos Processos E Liquidação Com Os Investidores. Circularização É Um Procedimento Usado Para Confirmar Saldos, Obrigações E Dados Junto Às Partes Envolvidas. Na Prática, Esse Processo Pode Ser Decisivo Para Definir Quanto Cada Investidor Tem A Receber, Quais Contratos Serão Reconhecidos, Qual A Ordem De Pagamento E De Que Forma Eventuais Divergências Serão Tratadas. Promessa De Rendimento De 2% Ao Mês Elevou Risco Da Operação A Naskar Construiu Sua Base De Clientes Oferecendo Retorno De 2% Ao Mês. Em Termos Financeiros, Esse Patamar Representa Uma Remuneração Elevada, Especialmente Quando Comparada A Alternativas Tradicionais De Renda Fixa E Produtos Bancários Regulados. Promessas De Retorno Acima Do Mercado Não Significam Automaticamente Fraude Ou Irregularidade, Mas Exigem Explicação Robusta Sobre Estratégia, Risco, Liquidez, Garantias E Fonte Dos Ganhos. Quanto Maior A Rentabilidade Prometida, Maior Tende A Ser A Necessidade De Transparência. No Caso Da Naskar, Os Clientes Aplicavam Recursos Esperando Receber Rendimentos Mensais. O Exemplo Citado No Texto-Base Mostra Que Um Investimento De R$ 1 Milhão Geraria Pagamento Mensal De R$ 20 Mil. Essa Previsibilidade De Fluxo Ajudou A Atrair Investidores, Mas Também Ampliou O Impacto Quando Os Pagamentos Foram Interrompidos. Durante Anos, Segundo Relatos, A Empresa Teria Funcionado Sem Grandes Problemas Para Os Clientes. A Quebra Do Padrão De Pagamentos No Início De Maio, No Entanto, Foi Suficiente Para Desencadear Uma Corrida Por Informações E Colocar A Empresa Sob Forte Pressão. Além Da Falta De Pagamento, A Interrupção Do Aplicativo Agravou O Cenário. Sem Acesso Ao Sistema, Investidores Ficaram Sem Uma Ferramenta Direta Para Verificar Patrimônio, Rendimentos E Movimentações. Caso Coloca Governança Da Suposta Compradora Sob Pressão A Suposta Compra Da Naskar Pela Azara Capital Poderia Representar Uma Alternativa De Reorganização Para A Fintech, Mas A Falta De Informações Públicas Sobre A Compradora Dificulta A Avaliação Da Operação. A Ausência De Executivos Identificados No Site, O Endereço Associado A Outro Banco, O Perfil Recente Em Rede Social E A Falta De Cadastro Aparente Em Órgãos Reguladores Americanos Formam Um Conjunto De Pontos Que Exigem Esclarecimento. Para Os Investidores, O Fator Central Continua Sendo A Devolução Dos Recursos. Qualquer Solução Dependerá De Cronograma, Comprovação De Caixa, Validação Dos Saldos E Formalização Das Responsabilidades Assumidas Pela Empresa Que Teria Comprado A Naskar. Para O Mercado Financeiro, O Caso Reforça O Debate Sobre Estruturas De Captação Privada, Fintechs Que Operam Fora Do Circuito Tradicional De Instituições Reguladas E Promessas De Rentabilidade Recorrente Acima Dos Padrões De Mercado. A Crise Também Pode Aumentar A Pressão Sobre Distribuidores, Intermediários E Empresas Que Apresentaram A Naskar A Investidores. Em Disputas Desse Tipo, Clientes Frequentemente Buscam Responsabilizar Todos Os Agentes Que Participaram Da Oferta, Recomendação Ou Operacionalização Dos Contratos. Enquanto A Azara Capital Não Apresentar Informações Verificáveis Sobre Sua Estrutura, Seus Executivos, Sua Autorização Regulatória E Sua Capacidade Financeira, A Suposta Aquisição Tende A Permanecer Cercada Por Dúvidas. O Desfecho Do Caso Dependerá Menos Do Anúncio Da Compra E Mais Da Comprovação De Que Há Recursos, Governança E Instrumentos Jurídicos Suficientes Para Devolver O Dinheiro Dos Investidores. - Gazeta Mercantil
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