Tesouro Direto bate recorde de vendas em junho com foco em títulos de curto prazo
O Tesouro Direto registrou um marco importante em junho de 2025 ao atingir R$ 5,7 bilhões em vendas de títulos públicos a investidores pessoa física por meio da internet. Apesar de representar uma queda em relação ao mês anterior, o valor marca um recorde histórico para o mês de junho e evidencia o crescente interesse da população brasileira por investimentos em renda fixa, especialmente em cenários de juros elevados.
A seguir, vamos entender o que impulsionou esse desempenho, quais foram os papéis mais procurados, a movimentação dos investidores e o que esperar dos próximos meses para quem busca segurança e rentabilidade com o Tesouro Direto.
O que é o Tesouro Direto?
O Tesouro Direto é um programa do Tesouro Nacional criado para facilitar o acesso de pessoas físicas aos títulos públicos federais. Disponível pela internet, ele permite que qualquer investidor compre papéis diretamente do governo, de forma simples, segura e com aportes a partir de R$ 30.
Além de democratizar o investimento em renda fixa, o programa oferece diferentes tipos de títulos, com prazos e indexadores variados, atendendo desde quem busca liquidez até quem planeja a aposentadoria.
Recorde de vendas em junho: o que explica o crescimento?
Em junho de 2025, o Tesouro Direto movimentou R$ 5,7 bilhões em vendas, o maior valor já registrado para o mês. O dado representa um crescimento de 1,48% em comparação ao mesmo período de 2024. Apesar da queda de 15,9% em relação a maio (R$ 6,8 bilhões), o desempenho reforça a força da renda fixa em tempos de taxa Selic elevada.
Com a Selic a 15%, o apelo dos títulos pós-fixados, como o Tesouro Selic, aumentou consideravelmente. Investidores em busca de segurança e rentabilidade líquida migraram para esse tipo de papel, que apresentou maior volume de vendas.
Quais títulos do Tesouro Direto lideraram as vendas?
Os papéis indexados à Selic foram os mais procurados, respondendo por 56% das vendas totais. A alta da taxa básica de juros reforçou a atratividade desses papéis, que se tornam mais vantajosos em cenários de aperto monetário.
Em segundo lugar, os títulos indexados ao IPCA — que protegem contra a inflação — representaram 24,5% do total. O interesse por esses papéis foi impulsionado pelas incertezas sobre a inflação futura.
Já os títulos prefixados, que têm uma taxa de retorno fixada no momento da compra, representaram 11,6% das vendas. Apesar de sua previsibilidade, os riscos associados à oscilação de juros tornam esse tipo menos atrativo em ambientes incertos.
Preferência por títulos de curto prazo
Outro destaque dos dados de junho é a preferência por títulos com prazo de até cinco anos, que representaram 40,8% das vendas. Os investidores estão mais cautelosos, priorizando liquidez e menor exposição ao risco de marcação a mercado.
Os títulos com vencimento entre cinco e dez anos responderam por 42,6%, enquanto os papéis com prazos superiores a dez anos somaram 16,6%. Isso mostra um perfil majoritário de curto e médio prazo, especialmente entre os pequenos investidores.
Estoque do Tesouro Direto alcança R$ 180,3 bilhões
O estoque total de títulos no programa fechou junho em R$ 180,3 bilhões, um avanço de 2,41% em relação a maio (R$ 176,1 bilhões) e um crescimento impressionante de 25,9% em comparação a junho de 2024 (R$ 143,1 bilhões).
Esse aumento evidencia a confiança dos brasileiros no Tesouro Direto como ferramenta de proteção financeira e planejamento de longo prazo. O programa, além de seguro, tem se mostrado um caminho viável e acessível para diversificação de carteira.
Número de investidores segue em alta
O número de investidores cadastrados no Tesouro Direto ultrapassou 32,7 milhões, com 240.498 novos participantes adicionados somente em junho de 2025.
Esse dado revela um crescimento contínuo e consistente da base de investidores pessoa física, refletindo também o maior interesse da população em educação financeira e investimentos de baixo risco.
Pequenos investidores são maioria
As operações de até R$ 5 mil representaram 80,5% do total em junho. Já as aplicações de até R$ 1 mil corresponderam a 57,1% das transações. O valor médio investido foi de R$ 7.528,22, demonstrando que o programa ainda é altamente acessível ao pequeno investidor.
A predominância de pequenos aportes reforça o caráter inclusivo do Tesouro Direto, cuja proposta original é justamente democratizar o acesso à dívida pública como instrumento de poupança e investimento pessoal.
Impactos da taxa Selic no Tesouro Direto
A taxa Selic a 15% é o principal fator de atração para os investidores que buscam títulos do Tesouro Direto. Quando os juros básicos da economia estão em patamares elevados, os títulos pós-fixados entregam um rendimento líquido mais atrativo que muitos outros produtos de renda fixa ou variável.
Com a expectativa de que a taxa permaneça alta nos próximos meses, é possível que os papéis indexados à Selic sigam liderando a preferência dos investidores.
O que esperar para os próximos meses?
Com a manutenção da Selic em patamar elevado e incertezas no cenário macroeconômico global e interno, o Tesouro Direto deve continuar atraindo novos investidores. A expectativa é de que os títulos de curto e médio prazo continuem dominando as vendas, especialmente se houver instabilidade nos mercados de renda variável.
Outro ponto de atenção é o movimento do Banco Central. Caso ocorra uma mudança na trajetória da Selic, os investidores precisarão reavaliar suas estratégias, principalmente aqueles com maior exposição a títulos prefixados ou com prazos longos.
Dicas para investir com segurança no Tesouro Direto
Se você está pensando em entrar no Tesouro Direto, aqui vão algumas recomendações:
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Defina seu objetivo financeiro: curto, médio ou longo prazo.
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Escolha o título mais compatível com seu perfil e prazo.
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Considere a liquidez: títulos como o Tesouro Selic têm maior facilidade de resgate.
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Acompanhe a taxa Selic e o IPCA: isso impacta diretamente a rentabilidade dos seus investimentos.
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Evite movimentações impulsivas: especialmente em momentos de oscilação no mercado.
O desempenho histórico do Tesouro Direto em junho de 2025 reforça o protagonismo da renda fixa no portfólio do investidor brasileiro. O cenário de juros altos, aliado à crescente conscientização sobre educação financeira, tem impulsionado o número de investidores e o volume negociado no programa.
Com mais de 32 milhões de brasileiros cadastrados, o Tesouro Direto mostra que é possível investir com segurança, transparência e retorno competitivo — mesmo com pequenos valores. A tendência é de crescimento contínuo, principalmente se as condições econômicas mantiverem o apelo da renda fixa em alta.






