Análise Exclusiva: XPSF11 Mantém Estratégia Defensiva e Negocia com Desconto Patrimonial de 19% em Dezembro
O cenário de investimentos imobiliários no Brasil encerrou o ano de 2025 sob um clima de cautela e reavaliação de ativos, movimentos que ficaram evidentes no comportamento do XPSF11 (XP Selection FoF FII). Em um mercado que busca incessantemente por distorções de preço e janelas de oportunidade, o relatório gerencial divulgado pela administração do fundo lançou luz sobre métricas fundamentais para o investidor de valor. O destaque recai sobre a negociação das cotas com um deságio expressivo em relação ao valor patrimonial, um fenômeno que exige uma análise técnica aprofundada.
A gestão do XPSF11 reportou que o fundo encerrou o mês de dezembro negociando a uma relação Preço sobre Valor Patrimonial (P/VP) de 0,81. Para o investidor sofisticado, este indicador não é apenas um número, mas um sinalizador de estresse ou de oportunidade assimétrica no segmento de Fundos de Fundos (FoFs). A Gazeta Mercantil disseca agora os detalhes operacionais, a liquidez e a estratégia de manutenção de portfólio adotada pela gestão em um período de desafios macroeconômicos.
A Dinâmica do Desconto: Entendendo o P/VP de 0,81 do XPSF11
A métrica de P/VP é, tradicionalmente, o primeiro filtro de valuation para fundos de papel e fundos de fundos. No caso do XPSF11, o fechamento de dezembro com um múltiplo de 0,81 indica que o mercado secundário está precificando os ativos do fundo com um desconto de 19% sobre o que eles valem contabilmente. Em termos monetários, enquanto o valor patrimonial por cota — excluindo proventos — foi calculado em R$ 8,11, a cotação de mercado oscilou para fechar em R$ 6,58.
Este hiato entre o valor intrínseco e o valor de mercado do XPSF11 reflete uma percepção de risco sistêmico por parte dos investidores, mas também abre margem para o que chamamos de “duplo desconto”. Como o XPSF11 é um FoF, ele investe em outros fundos imobiliários que, por ventura, também podem estar descontados. Assim, o investidor que adquire cotas a R$ 6,58 está, na prática, comprando uma cesta de ativos diversificada por um preço significativamente inferior ao custo de reposição desses ativos no mercado.
É crucial notar que um P/VP de 0,81 no XPSF11 não deve ser interpretado isoladamente. Ele deve ser contextualizado com a qualidade da carteira subjacente. Se os fundos investidos pelo XPSF11 possuem bons fundamentos e crédito de qualidade, o desconto atual pode representar uma porta de entrada tática para ganhos de capital futuros, à medida que a curva de juros futura feche e o mercado imobiliário repricifique seus ativos de risco.
Liquidez e Base de Cotistas: A Robustez do XPSF11 na B3
A liquidez é um prêmio no mercado de renda variável, especialmente em momentos de volatilidade. Durante dezembro de 2025, o XPSF11 registrou uma movimentação financeira média diária de R$ 1,45 milhão na B3. Este volume é significativo e confere ao ativo uma característica de facilidade de entrada e saída, fator essencial para investidores institucionais e pessoas físicas que necessitam de agilidade na montagem ou desmontagem de posições.
O relatório gerencial também atualizou a base de investidores do fundo. O XPSF11 contabilizou 55.688 cotistas ao término do período. Embora a gestão tenha optado por não apresentar comparativos evolutivos ou o perfil detalhado (varejo versus institucional) neste documento específico, o número absoluto demonstra a capilaridade e a relevância do fundo na indústria de FIIs brasileira. Uma base de cotistas pulverizada tende a favorecer a formação de preços mais justos e reduz o risco de manipulação de cotações por grandes players.
Para o investidor que monitora o XPSF11, a manutenção de uma liquidez diária acima de R$ 1 milhão é um indicativo de saúde operacional no mercado secundário. Isso garante que o desconto patrimonial observado não é fruto de iliquidez, mas sim de uma precificação macroeconômica ajustada ao risco percebido no momento.
Estagnação Estratégica ou Prudência? A Gestão do Portfólio
Um ponto que chama a atenção no relatório de dezembro é a inércia proposital na movimentação da carteira. Ao longo do mês, o XPSF11 não realizou compras ou vendas de ativos. Da mesma forma, não houve emissões de novas cotas (follow-on). Essa decisão de manter o posicionamento inalterado reflete uma disciplina de alocação que merece ser analisada sob a ótica do ciclo de mercado.
Em períodos de incerteza fiscal e monetária, a melhor estratégia muitas vezes é a preservação de capital e a manutenção de posições em ativos de convicção. Ao não girar a carteira do XPSF11, a gestão evita custos de transação desnecessários e sinaliza confiança na tese de investimento atual. O fundo encerrou o mês com a mesma configuração e foco estratégico, sugerindo que a equipe de gestão da XP Asset avalia que o portfólio atual é resiliente o suficiente para atravessar a turbulência sem a necessidade de rebalanceamentos bruscos.
Essa postura de “wait and see” (esperar e ver) é coerente com o ambiente descrito pela própria administração. Para o cotista do XPSF11, isso significa previsibilidade. Em um mercado onde a gestão ativa é muitas vezes cobrada, a decisão de não agir também é uma forma de gestão, focada em não realizar prejuízos contábeis em momentos de baixa e aguardar a maturação dos investimentos já realizados.
O Cenário Macroeconômico e seus Impactos no XPSF11
A administração do XPSF11 dedicou uma seção relevante do seu relatório para contextualizar o ambiente macroeconômico, fator determinante para a performance dos fundos de fundos. As observações citadas, como o quadro de juros no exterior (especialmente a política do Federal Reserve nos EUA) e a desaceleração da economia brasileira, funcionam como as variáveis exógenas que pressionam as cotas do XPSF11.
A correlação entre juros futuros e a precificação dos FIIs é inversa e direta. Com a economia brasileira dando sinais de desaceleração em fins de 2025, o mercado precifica um prêmio de risco maior, o que comprime o valor das cotas no mercado secundário, levando ao P/VP de 0,81 observado no XPSF11. A gestão utiliza essa leitura macroeconômica não para alterar a rota de curto prazo, mas para validar a resiliência do portfólio estrutural.
Investidores de autoridade sabem que FoFs como o XPSF11 funcionam como termômetros de alta sensibilidade. Quando o macro melhora, eles tendem a capturar a valorização mais rápido devido à alavancagem natural da estrutura de fundos. Quando o cenário piora, o desconto se acentua. A análise da gestão sobre o ambiente externo reforça que parte da performance negativa das cotas não é idiossincrática (culpa do fundo), mas sistêmica.
Perspectivas para 2026: O Que Esperar do XPSF11
Olhando para frente, a manutenção da estratégia do XPSF11 em dezembro lança as bases para 2026. Com um patrimônio líquido por cota de R$ 8,11, o fundo possui um “colchão” de valor. A convergência do valor de mercado (R$ 6,58) para o valor patrimonial dependerá, em grande parte, da normalização da curva de juros e da retomada da confiança no setor imobiliário.
O foco estratégico do XPSF11 permanece no acompanhamento rigoroso dos indicadores de inflação e atividade econômica. Se a desaceleração econômica local for confirmada de forma mais branda e os juros globais cederem, o potencial de upside (valorização) do XPSF11 é matematicamente relevante, dado o ponto de partida descontado.
A ausência de novas emissões também é um ponto positivo no curto prazo para o cotista atual, pois evita a diluição em preços de mercado deprimidos. A gestão do XPSF11 demonstra, assim, alinhamento com o interesse do investidor de longo prazo, evitando captar recursos a qualquer custo em momentos desfavoráveis de valuation.
O XPSF11 como Veículo de Diversificação
Em suma, o relatório de dezembro de 2025 do XPSF11 apresenta um fundo que optou pela defensiva em um mês complexo. Com 55 mil investidores e liquidez robusta, o veículo se mantém como uma das principais opções para quem busca exposição diversificada ao mercado imobiliário via gestão profissional da XP.
O desconto de cerca de 19% em relação ao valor patrimonial é o dado soberano desta análise. Para o investidor que acredita na recuperação cíclica do setor, o XPSF11 oferece uma entrada descontada em uma carteira que a gestão optou por não alterar, sinalizando convicção nos ativos subjacentes. Resta ao mercado acompanhar se a macroeconomia em 2026 permitirá que este valor destrave, fechando o gap entre o preço de tela e o valor real dos ativos do fundo.






