Fundos de investimento na B3 sobem 25% em 2025 e movimentam quase R$ 1 trilhão em ações
Os fundos de investimento na B3 retomaram protagonismo no mercado acionário brasileiro em 2025. Após um período marcado por forte migração de recursos para a renda fixa, o segmento voltou a ampliar sua participação na bolsa, movimentando R$ 997,4 bilhões em ações ao longo do ano. O volume representa um crescimento de 25% em relação a 2024 e sinaliza uma recuperação gradual do apetite institucional pela renda variável.
Os dados foram divulgados pela plataforma Datawise+ e mostram que, mesmo em um ambiente de juros elevados e concorrência intensa com produtos conservadores, os fundos de investimento na B3 passaram a recompor posições, impulsionados pela valorização do mercado acionário e pela entrada consistente de capital estrangeiro.
Mercado à vista da B3 ultrapassa R$ 1,7 trilhão em negociações
O avanço dos fundos de investimento na B3 ocorreu em um cenário de crescimento mais amplo do mercado à vista. Em 2025, o volume total negociado em ações, BDRs, ETFs e FIIs superou R$ 1,7 trilhão, uma alta de 15% na comparação anual.
Esse desempenho chama atenção porque se deu em um contexto adverso para a renda variável. A taxa Selic alcançou 15% ao ano, o maior patamar desde 2006, reforçando a atratividade da renda fixa e mantendo parcela relevante do capital alocada em títulos públicos e privados.
Ainda assim, o mercado acionário surpreendeu. O Ibovespa acumulou valorização superior a 30% no período, criando um ambiente mais favorável para que os fundos de investimento na B3 retomassem gradualmente sua exposição a ações.
Investidores estrangeiros seguem dominando o fluxo
Apesar do crescimento expressivo dos investidores institucionais locais, o protagonismo no mercado acionário brasileiro continuou nas mãos dos estrangeiros. Em 2025, os não residentes movimentaram R$ 2,8 trilhões em ações, avanço de 15% em relação ao ano anterior.
Esse volume fez com que os estrangeiros respondessem por aproximadamente 62% de todo o fluxo negociado na bolsa brasileira. Na prática, o movimento externo foi decisivo tanto para a valorização do Ibovespa quanto para a melhora do ambiente de liquidez, criando condições para que os fundos de investimento na B3 aumentassem suas operações.
Analistas avaliam que a presença estrangeira funcionou como âncora de confiança em um momento de incerteza fiscal e política doméstica.
Base de comparação favoreceu a recuperação dos fundos
O desempenho robusto dos fundos de investimento na B3 também deve ser analisado à luz da base de comparação. O ano de 2024 foi marcado por frustração no mercado acionário, com desempenho fraco da bolsa e forte saída de recursos da renda variável.
Segundo economistas do setor, a recuperação observada em 2025 reflete não apenas melhora estrutural, mas também um efeito estatístico após um período particularmente negativo. Ainda assim, o retorno do fluxo institucional indica mudança gradual de percepção sobre risco e retorno no mercado brasileiro.
A volatilidade internacional e o redirecionamento de capitais globais também contribuíram para esse movimento, beneficiando mercados emergentes com juros elevados e ativos descontados.
Desafios persistem na indústria de fundos
Apesar do avanço dos fundos de investimento na B3 em ações, a indústria de fundos como um todo ainda enfrenta obstáculos relevantes. Os fundos multimercados, por exemplo, acumularam perdas expressivas de patrimônio desde 2024, com saída estimada de cerca de R$ 400 bilhões em ativos sob gestão.
Esse esvaziamento reflete tanto o desempenho aquém do esperado quanto a concorrência direta com produtos de renda fixa, que passaram a oferecer retornos elevados com menor volatilidade.
Nesse contexto, a recuperação plena da indústria de fundos tende a ser gradual e dependente de mudanças estruturais no cenário macroeconômico.
Corte de juros e cenário político como gatilhos
Especialistas apontam que a retomada mais consistente dos fundos de investimento na B3 dependerá de dois fatores principais: o início de um ciclo de corte de juros e a definição do cenário político nos próximos anos.
Com juros mais baixos, a atratividade relativa da renda variável aumenta, favorecendo a realocação de recursos. Além disso, maior previsibilidade política tende a reduzir prêmios de risco, estimulando tanto investidores locais quanto estrangeiros.
A busca por ativos capazes de superar a inflação e cumprir metas atuariais de médio e longo prazo também reforça o papel estratégico da bolsa nas carteiras institucionais.
Dezembro concentra maior volume mensal do ano
O comportamento mensal das negociações reforça a leitura de retomada gradual. Dezembro liderou o ranking, com R$ 100,7 bilhões movimentados pelos fundos de investimento na B3, o maior volume mensal de 2025.
Na sequência, destacaram-se maio, com R$ 89,8 bilhões, e novembro, com R$ 88,6 bilhões. O padrão sugere tanto movimentos sazonais típicos de fim de ano quanto ajustes estratégicos antecipando mudanças no cenário macroeconômico.
Analistas ponderam, contudo, que o ambiente ainda exige cautela, especialmente diante das incertezas fiscais e externas.
Blue chips concentram a preferência dos fundos
A análise das ações mais negociadas pelos fundos de investimento na B3 revela uma estratégia clara de priorização da segurança e da liquidez. O ranking é liderado por empresas de grande capitalização e histórico consolidado no mercado.
A Vale aparece no topo, com R$ 86 bilhões negociados. Em seguida, figuram Petrobras (R$ 67,9 bilhões), Itaú (R$ 45 bilhões), Banco do Brasil (R$ 37,8 bilhões) e Bradesco (R$ 31,7 bilhões).
Também aparecem entre os destaques ações da B3, Prio, Localiza, Axia Energia e Equatorial Energia, reforçando a preferência por companhias com modelos de negócio resilientes.
Estratégia conservadora marca atuação institucional
A composição das carteiras confirma que os fundos de investimento na B3 adotaram postura defensiva ao longo de 2025. Em vez de apostar em narrativas especulativas ou empresas de menor liquidez, os gestores priorizaram ativos capazes de atravessar diferentes ciclos econômicos.
Essa estratégia reflete a preocupação em preservar capital, garantir liquidez e manter exposição a empresas com geração de caixa consistente, em um ambiente ainda marcado por incertezas.
Capital estrangeiro impulsiona desempenho do Ibovespa
O forte desempenho do Ibovespa em 2025 esteve diretamente ligado à atuação dos investidores estrangeiros. Três fatores principais sustentaram esse movimento: o enfraquecimento do dólar, o questionamento do excepcionalismo da economia americana e o início do ciclo de corte de juros nos Estados Unidos.
Com isso, operações de carry trade ganharam força, redirecionando recursos de países com juros baixos para mercados mais atrativos. O Brasil, com juros elevados e ativos descontados, tornou-se destino relevante desses fluxos, beneficiando diretamente os fundos de investimento na B3.
Fluxo institucional indica retomada cautelosa da renda variável
O avanço de 25% no volume negociado pelos fundos de investimento na B3 sinaliza uma retomada gradual, ainda marcada pela prudência. O movimento sugere reequilíbrio das carteiras, sustentado pela melhora do desempenho da bolsa, pela atuação estrangeira e pela expectativa de mudanças no cenário macroeconômico.






