Temporada de balanços: lucro dos grandes bancos deve cair quase 10% no 4T25, com BBSA3 pressionando resultados
A temporada de balanços dos grandes bancos listados na Bolsa brasileira para o quarto trimestre de 2025 (4T25) começou nesta quarta-feira (4), com a divulgação antecipada dos resultados do Santander (SANB11). O setor financeiro mantém sólida trajetória, marcado por controle da inadimplência e crescimento consistente de lucros, mas o desempenho do Banco do Brasil (BBSA3) deve impactar o resultado agregado, refletindo os desafios do crédito rural e provisões elevadas.
Segundo estimativas de analistas, o lucro líquido combinado de Santander (SANB11), Banco do Brasil (BBSA3), Itaú Unibanco (ITUB4) e Bradesco (BBDC4) deve somar R$ 26,8 bilhões no 4T25, queda de 9,7% na comparação anual. A retração é impulsionada principalmente pelos novos provisionamentos e deterioração das carteiras de crédito do Banco do Brasil (BBSA3), afetando a percepção de rentabilidade do setor.
BBSA3 sob pressão
O Banco do Brasil (BBSA3), maior instituição financeira estatal do país, é a exceção negativa na temporada. Analistas do Itaú BBA projetam lucro líquido de R$ 4,1 bilhões para o 4T25, uma queda de quase 60% ante o mesmo período de 2024. O desempenho reflete provisões elevadas na carteira de crédito do agronegócio, além de impactos nas linhas de crédito para pessoas físicas e pequenas e médias empresas.
“BBSA3 continua sólido, mas enfrenta desafios pontuais no crédito rural”, afirma Victor Bueno, sócio e analista da Nord Investimentos. O payout da companhia, atualmente em 30%, abaixo dos 40% praticados até agosto de 2025, indica prudência na distribuição de dividendos e juros sobre capital próprio, refletindo a pressão sobre os resultados.
ITUB4 se destaca na temporada
O Itaú Unibanco (ITUB4) é apontado como o grande destaque do 4T25. Projeções da Ágora Investimentos e da Genial Investimentos indicam lucro líquido de R$ 12 bilhões, crescimento de 16% na comparação anual e 6,3% ante o trimestre anterior. O desempenho decorre de forte geração orgânica de capital, expansão das receitas de juros com clientes e disciplina na alocação de capital, permitindo combinar crescimento operacional com pagamentos recorrentes de dividendos.
Para 2026, analistas projetam aumento de 11% no lucro líquido do ITUB4, mesmo com início do ciclo de queda de juros. A monetização do Super App One Itaú e ganhos adicionais de eficiência operacional devem impulsionar a rentabilidade, com expectativa de ROAE próximo de 25%.
SANB11 mantém crescimento estável
O Santander Brasil (SANB11) encerrou o 4T25 com lucro líquido de R$ 4,1 bilhões, avanço de 6% em relação ao 4T24 e 1,9% ante o trimestre anterior. O retorno sobre patrimônio médio (ROAE) atingiu 17,6%, reflexo de execução estratégica consistente e disciplina na alocação de capital. A margem financeira somou R$ 15,3 bilhões, sustentada pela evolução da margem com clientes, enquanto a margem de mercado permaneceu negativa devido à sensibilidade aos juros.
As comissões totalizaram R$ 5,8 bilhões, alta de 4,3% no ano, impulsionadas por cartões, seguros e administração de recursos. A carteira de crédito ampliada alcançou R$ 708,2 bilhões, e as captações de clientes somaram R$ 670,4 bilhões, avanço de 3,9% no ano, com pessoas físicas representando 50% do mix.
BBDC4 projeta recuperação gradual
O Bradesco (BBDC4) divulgará resultados na quinta-feira (5). O Itaú BBA estima lucro líquido de R$ 6,4 bilhões, com ROE de 15%. A expansão de crédito, controle da inadimplência e bom desempenho em serviços e seguros devem compensar investimentos em despesas administrativas. A Genial Investimentos projeta lucro de R$ 6,42 bilhões, alta de 18,9% na comparação anual, com ROE em 14,6%.
O BBDC4 mantém agenda de reestruturação com fechamento de agências, redução de headcount e digitalização gradual do varejo massificado, reforçando foco em clientes de alta renda e eficiência operacional.
Cenário macro e perspectivas para o setor
O setor financeiro brasileiro encerra 2025 em cenário de juros elevados e competição intensa por crédito qualificado. O controle da inadimplência permanece central para a sustentabilidade do lucro líquido, especialmente com desaquecimento do crédito rural e provisões elevadas no BBSA3. Instituições privadas avançam em inovação digital, eficiência operacional e diversificação de produtos, fortalecendo rentabilidade e resiliência.
Mesmo com queda projetada no lucro líquido agregado, bancos brasileiros continuam atrativos frente a pares globais, com valuations descontados e oportunidades de crescimento sustentável. Avanço em digitalização, automação e disciplina na alocação de capital permite combinar expansão operacional e distribuição de dividendos consistentes.
Indicadores detalhados dos bancos
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Santander (SANB11): lucro líquido R$ 4,1 bilhões, ROAE 17,6%, margem financeira R$ 15,3 bilhões, comissões R$ 5,8 bilhões. Carteira de crédito R$ 708,2 bilhões, captações R$ 670,4 bilhões. Índice de eficiência operacional 38,8%.
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Itaú Unibanco (ITUB4): lucro líquido estimado R$ 12 bilhões, crescimento anual 16%, ROAE projetado 25% em 2026.
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Bradesco (BBDC4): lucro líquido estimado R$ 6,42 bilhões, alta de 18,9%, ROE 14,6%.
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Banco do Brasil (BBSA3): lucro líquido projetado R$ 4,1 bilhões, queda de quase 60%, payout 30%.
Perspectivas para o próximo trimestre
O setor deve iniciar 2026 com recuperação gradual no BBSA3, enquanto bancos privados tendem a manter crescimento orgânico e expansão em serviços digitais. O mercado acompanha evolução das carteiras de crédito, provisões e continuidade de programas de eficiência operacional e inovação tecnológica.
A temporada de balanços do 4T25 reforça a importância de controle da inadimplência, gestão disciplinada do capital e diversificação de receitas para garantir resultados sustentáveis. Instituições que combinam crescimento sólido, inovação digital e mitigação de riscos consolidam vantagem competitiva frente à volatilidade econômica global.
Bancos brasileiros em perspectiva internacional
Apesar das quedas pontuais em resultados, bancos brasileiros mantêm valuations atrativos frente a pares globais, refletindo oportunidades de investimento e expansão. Eficiência operacional, estratégia digital e diversificação de portfólio posicionam o setor para enfrentar ciclos de juros e incertezas macroeconômicas.
O 4T25 evidencia que, mesmo com desafios no crédito agrícola e provisões elevadas no BBSA3, o setor mantém robustez financeira, rentabilidade consistente e capacidade de inovação tecnológica, consolidando-se como referência em governança, eficiência e resiliência na América Latina.









