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Braskem (BRKM5) nega calote após impacto bilionário no BBAS3 derrubar ações

Braskem (BRKM5) nega calote após impacto bilionário no BBAS3 derrubar ações

por João Souza
13/02/2026 às 20h15
em Negócios
Braskem (Brkm5) Nega Calote Após Impacto Bilionário No Bbas3 Derrubar Ações - Gazeta Mercantil

Braskem e Banco do Brasil: o que há por trás do suposto calote que derrubou BRKM5 e elevou a inadimplência do BBAS3

A forte volatilidade das ações da Braskem (BRKM5) na última quinta-feira (12) reacendeu o debate sobre governança, garantias financeiras e riscos sistêmicos no mercado de crédito brasileiro. Em meio à divulgação do resultado do quarto trimestre de 2025 do Banco do Brasil (BBAS3), especulações envolvendo um suposto “calote” de R$ 3,6 bilhões pressionaram os papéis da petroquímica, que encerraram o pregão com queda de 11,27%.

A narrativa ganhou força após o banco estatal informar que um único cliente impactou significativamente seu índice de inadimplência no período. O mercado rapidamente associou o evento à Braskem, empresa controlada pela Novonor (ex-Odebrecht), embora a própria companhia tenha negado qualquer inadimplência junto ao BB.

Leia também: Oncoclínicas (ONCO3) nega aporte de R$ 500 milhões e ações ampliam pressão na B3.

A seguir, a Gazeta Mercantil detalha os fatos, esclarece os indicadores financeiros envolvidos e analisa os impactos sobre Braskem (BRKM5), Banco do Brasil (BBAS3) e o mercado de capitais.

O episódio colocou a Braskem no centro das atenções do mercado financeiro. A simples especulação sobre eventual inadimplência foi suficiente para gerar uma correção expressiva nas ações, evidenciando o nível de sensibilidade dos investidores a riscos de crédito e governança.

Leia também: Justiça nega pedido de destituição de conselho da Petrobras.

A movimentação reforça como eventos ligados à estrutura societária e às garantias financeiras podem afetar a percepção de risco da Braskem, mesmo quando a companhia afirma não ter envolvimento direto com o fato gerador.


O que aconteceu no resultado do Banco do Brasil (BBAS3)?

O Banco do Brasil (BBAS3) divulgou seu balanço do 4T25 na quarta-feira (11). Entre os destaques, o banco informou que o índice de inadimplência foi impactado por um único cliente que atrasou pagamento superior a R$ 3,6 bilhões por mais de 90 dias.

A inadimplência acima de 90 dias é um indicador-chave do sistema financeiro. Ele mede o percentual da carteira de crédito que apresenta atraso significativo. No 4T25, o índice atingiu 5,17%. Sem esse evento específico, teria ficado em 4,88%.

A diferença de 0,29 ponto percentual pode parecer pequena, mas, em termos absolutos, representa bilhões de reais e altera a percepção de risco da carteira de crédito do banco.

Por sigilo bancário, o BBAS3 não revelou o nome do cliente. No entanto, agentes do mercado passaram a associar o episódio à Braskem, provocando forte pressão sobre os papéis BRKM5.


A Braskem deu calote no Banco do Brasil?

A resposta direta é: segundo a companhia, não.

A Braskem informou, por meio de comunicado ao mercado, que permanece adimplente com todas as obrigações junto ao Banco do Brasil. A empresa declarou ainda que não possui exposição financeira material com a instituição, nem registrava tal exposição em 2025.

De acordo com apuração do Broadcast/Estadão, o evento não envolve diretamente dívida operacional da Braskem, mas ações da companhia que estavam em poder do banco como garantia de operações relacionadas à Novonor.

Essa distinção é fundamental.


Como ações da Braskem podem impactar o BBAS3?

A Novonor, antiga controladora da Braskem, utilizou ações da petroquímica como garantia em operações financeiras junto a bancos credores, entre eles o Banco do Brasil.

Quando ações são dadas em garantia, elas funcionam como colateral. Caso o devedor não cumpra a obrigação, o credor pode executar a garantia.

Se houver desvalorização relevante dessas ações, o valor da garantia diminui. Isso pode gerar necessidade de provisão contábil por parte do banco.

Portanto, o impacto sobre o BBAS3 pode estar relacionado à estrutura de garantias envolvendo papéis da Braskem, e não a um inadimplemento direto da empresa.


Por que as ações da Braskem (BRKM5) caíram 11,27%?

O mercado reage não apenas a fatos concretos, mas também à percepção de risco.

A possibilidade de envolvimento da Braskem em um evento de crédito bilionário elevou incertezas sobre:

– Estrutura de controle;
– Situação financeira da Novonor;
– Potenciais impactos sobre governança;
– Riscos de novas pressões judiciais ou societárias.

A queda de 11,27% reflete ajuste de expectativas. Em mercados eficientes, preços incorporam rapidamente novas informações — ou rumores relevantes.


O que significa inadimplência de 5,17% para o BBAS3?

Para entender o impacto, é necessário contextualizar o indicador.

A inadimplência mede o percentual da carteira de crédito com atraso superior a 90 dias. Quanto maior o índice, maior o risco percebido.

No caso do BBAS3:

– Inadimplência reportada: 5,17%
– Inadimplência sem o evento: 4,88%

Esse aumento exige provisões contábeis adicionais.

Provisão para devedores duvidosos é o montante que o banco reserva para cobrir possíveis perdas. Quanto maior a inadimplência, maior a provisão, reduzindo lucro líquido.


Impacto no lucro e indicadores financeiros

Embora o BBAS3 tenha informado que o caso específico não deve gerar novos impactos no 1T26, o mercado monitora efeitos sobre:

– Lucro líquido;
– ROE (retorno sobre patrimônio líquido);
– Índice de Basileia;
– Nível de provisões.

O ROE indica quanto o banco gera de lucro para cada real investido pelos acionistas. Eventos de crédito relevantes podem reduzir temporariamente esse indicador.

No caso da Braskem, o foco está em eventuais impactos sobre:

– Estrutura de capital;
– Relação com credores;
– Estabilidade do controle societário.


Governança e troca de controle da Braskem

O episódio ocorre em meio a discussões sobre reestruturação societária da Braskem. A Novonor, que detém participação relevante, negocia alternativas para reduzir sua exposição.

A IG4 e outros investidores já demonstraram interesse na estrutura acionária.

Qualquer evento que envolva garantias vinculadas às ações da Braskem pode influenciar negociações e valuation.


O mercado exagerou na reação?

Parte dos analistas avalia que a reação pode ter sido amplificada pela falta de clareza inicial.

Em ambiente de alta volatilidade e juros ainda elevados no Brasil, investidores tendem a reduzir exposição a ativos com risco percebido adicional.

Com a Selic ainda em patamar restritivo, o custo de capital permanece elevado. Empresas com histórico de reestruturação societária, como a Braskem, sofrem mais com movimentos abruptos de aversão ao risco.


Cenário macroeconômico amplia sensibilidade

O episódio ocorre em contexto de:

– Juros elevados no Brasil;
– Incerteza fiscal;
– Volatilidade cambial;
– Debate sobre política monetária global.

Empresas exportadoras, como a Braskem, também são impactadas pelo câmbio e pelo preço internacional do petróleo, insumo essencial para o setor petroquímico.

Qualquer ruído adicional amplia prêmio de risco exigido pelo investidor.


Braskem e estrutura financeira

A Braskem atua no setor petroquímico, altamente dependente de ciclo econômico e demanda industrial.

Indicadores como Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) são essenciais para avaliar capacidade de geração de caixa.

A manutenção da adimplência declarada pela companhia é elemento central para preservar credibilidade junto ao mercado.


O que esperar das próximas semanas?

O mercado deve acompanhar:

– Esclarecimentos adicionais do BBAS3;
– Detalhamento das garantias envolvendo ações da Braskem;
– Evolução das negociações societárias;
– Reação das agências de rating.

Caso fique comprovado que a Braskem não possui inadimplência direta, parte da queda pode ser revertida.

No entanto, a volatilidade deve permanecer elevada enquanto persistirem dúvidas sobre a estrutura de garantias.


Transparência e confiança como ativos estratégicos

O episódio reforça a importância da comunicação clara ao mercado.

Em companhias abertas como a Braskem, qualquer ruído envolvendo crédito, garantias ou controle societário tende a provocar reação imediata nos preços.

A resposta rápida da empresa ao negar inadimplência foi tentativa de conter danos reputacionais.


Mercado atento à estabilidade do sistema financeiro

Para o Banco do Brasil (BBAS3), o episódio serve de alerta sobre concentração de risco.

Grandes exposições individuais podem alterar indicadores relevantes, mesmo em bancos com carteira diversificada.

A estabilidade do sistema financeiro depende da qualidade das garantias e da solidez dos devedores.


Volatilidade ainda deve marcar BRKM5

As ações da Braskem (BRKM5) devem continuar refletindo:

– Ruídos sobre controle societário;
– Evolução do caso envolvendo garantias;
– Condições macroeconômicas;
– Preços internacionais de resinas e petróleo.

Investidores institucionais tendem a aguardar maior clareza antes de ampliar posições.


O episódio e seus desdobramentos no mercado de capitais

O caso envolvendo a Braskem e o BBAS3 ilustra como eventos de crédito podem transbordar rapidamente para o mercado acionário.

Mesmo sem inadimplência direta confirmada, a simples associação da empresa a um impacto bilionário foi suficiente para gerar perda expressiva de valor de mercado em um único pregão.

A dinâmica evidencia o papel central da confiança na precificação de ativos financeiros e reforça a necessidade de transparência nas relações entre companhias abertas, bancos e controladores.

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