A lógica tradicional nos diz que o objetivo de qualquer empresa é conseguir faturar o máximo, com o menor custo possível. Afinal, é dessa ideia que nascem as inovações que tornam os negócios mais eficientes.
Mas e se as empresas começassem a dar dinheiro aos seus clientes? E o mais interessante: de forma a gerar mais lucro. Pode parecer contraintuitivo, mas é exatamente o que algumas das maiores marcas do Brasil têm feito nos últimos tempos para aumentar o faturamento.
A seguir, veremos alguns exemplos de como investir no consumidor tem se mostrado lucrativo para negócios de vários nichos diferentes.
Chuva de cupons: a guerra dos marketplaces
Um grande exemplo de como empresas estão pagando aos consumidores (e obtendo lucro no processo) pode ser visto na “guerra dos marketplaces” no Brasil. Atualmente, a chinesa Shopee e a argentina Mercado Livre estão entre as principais plataformas de compras no país.
A rivalidade entre as duas se mostra de muitas formas, sendo uma delas a disputa por quem dá “mais cupons” aos clientes. Na Black Friday de 2025, a Shopee anunciou um orçamento de R$ 35 milhões em descontos para os consumidores. Para competir, o Mercado Livre anunciou mais de R$ 100 milhões em cupons de desconto apenas para o período da data comemorativa.
A estratégia é simples de entender: um cupom de desconto estimula a compra do usuário e pode gerar novos negócios no longo prazo. Afinal, quanto mais o cliente usa a plataforma, mais ofertas e produtos vê.
Os resultados apareceram na própria Black Friday: só o setor de e-commerce movimentou mais de R$ 4,76 bilhões em vendas no período.
Bônus e presentes: o segredo do iGaming
Existem mercados em que é necessário criar familiaridade no consumidor. Um exemplo é o setor de iGaming, responsável por movimentar R$ 36 bilhões por ano no Brasil.
Para aumentar o número de clientes, as empresas da área oferecem surpresas e bônus de cassino para os consumidores. Esses agrados podem assumir a forma de giros grátis em alguns jogos ou até mesmo de prêmios surpresas diários.
A estratégia aqui é clara: permitir ao consumidor experimentar o serviço de entretenimento com alguma facilidade. Se gostar da experiência, é provável que volte. Assim, o setor cresce.
Desconto no complemento, lucro no principal: a lição do cinema
Quem não gosta de assistir a um bom filme no cinema? E com um belo balde de pipoca para acompanhar, então, é ainda melhor. E, sabendo disso, as grandes redes de cinema montam estratégias para aumentar o faturamento.
Um exemplo é o Cinemark, que anunciou uma promoção no Dia da Pipoca: um balde cheio de até 10 L por apenas R$ 19. Na prática, a empresa cortou suas margens ao máximo na pipoca (talvez até tenha tido prejuízo). No entanto, a ação colocou mais pessoas sentadas nas salas do cinema, e o lucro no ingresso compensou.
A lógica é simples de entender: ao oferecer um produto com um preço menor, a empresa estimula a compra de outro, com maior margem de lucro e, assim, ganha mais.
No fim, a lição de todas essas empresas é clara: bônus e descontos não são caridade, mas estratégia. Entregar valor antecipado é um investimento necessário para garantir o lucro real no longo prazo para quem quer crescer.









