PF atesta que Bolsonaro tem condições de permanecer na Papudinha
A Polícia Federal concluiu que o ex-presidente Jair Bolsonaro apresenta condições clínicas compatíveis com a permanência na unidade prisional da Papudinha, no Distrito Federal. O parecer consta em laudo médico encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta sexta-feira, após avaliação realizada por uma junta médica da corporação a pedido da Justiça.
Segundo o documento, Bolsonaro possui um conjunto de doenças crônicas, mas todas estão sob controle clínico no momento, não havendo indicação de transferência para atendimento hospitalar. A análise técnica reforça que, com acompanhamento regular e medidas preventivas, o estado de saúde do ex-presidente é compatível com o ambiente carcerário.
O laudo será agora analisado pelo ministro Alexandre de Moraes, relator dos processos envolvendo Bolsonaro no STF, que deverá decidir sobre pedidos da defesa relacionados à custódia e às condições de permanência no sistema prisional.
Laudo médico da PF avalia quadro clínico do ex-presidente
A perícia médica realizada pela Polícia Federal detalha que Jair Bolsonaro é portador de hipertensão arterial, apneia obstrutiva do sono, obesidade clínica, aterosclerose, doença do refluxo gastroesofágico, queratose actínica e aderências intra-abdominais decorrentes de cirurgias anteriores.
Apesar do histórico médico complexo, os peritos afirmam que o quadro atual é considerado estável. O relatório destaca que as patologias identificadas são de caráter crônico, mas encontram-se controladas por meio de tratamento medicamentoso e acompanhamento clínico contínuo.
De acordo com a avaliação, não há sinais de descompensação aguda ou agravamento que justifiquem, neste momento, a remoção de Bolsonaro da Papudinha para uma unidade hospitalar.
Doenças crônicas não impedem permanência na Papudinha
O laudo ressalta que a presença de doenças crônicas, por si só, não inviabiliza a permanência de Bolsonaro na Papudinha. A hipertensão arterial, por exemplo, demanda monitoramento regular da pressão e uso contínuo de medicamentos, algo considerado plenamente viável no ambiente prisional.
No caso da apneia obstrutiva do sono, os médicos reforçam a necessidade do uso permanente do aparelho CPAP, indicado para evitar interrupções respiratórias durante o sono. O relatório aponta que o equipamento pode ser utilizado normalmente na unidade prisional, sem prejuízo ao tratamento.
A obesidade clínica e a aterosclerose também foram avaliadas como condições que exigem cuidados contínuos, mas que não configuram risco imediato quando acompanhadas de orientações médicas adequadas.
Perícia descarta diagnóstico de depressão alegado pela defesa
Um dos pontos centrais analisados pela junta médica foi a alegação de depressão apresentada pela defesa do ex-presidente em pedidos recentes de flexibilização do regime de custódia. Segundo o laudo, não foram encontrados elementos clínicos suficientes para confirmar o diagnóstico de depressão.
Os médicos, no entanto, recomendaram atenção a aspectos neurológicos. O relatório sugere investigação complementar em razão do histórico de tonturas relatado e do uso simultâneo de múltiplos medicamentos, fatores que podem elevar o risco de quedas.
Essa recomendação é classificada como preventiva e não altera a conclusão principal de que Bolsonaro possui condições de permanecer na Papudinha.
Medidas de segurança e prevenção são recomendadas pela PF
Embora considere a permanência viável, o laudo da Polícia Federal apresenta uma série de recomendações para reduzir riscos e garantir segurança ao ex-presidente dentro da Papudinha. Entre as medidas sugeridas estão adaptações estruturais no local de custódia.
Os peritos indicam a instalação de grades de apoio em corredores e banheiros, além da disponibilização de campainhas de emergência ou dispositivos de alerta rápido. Também é sugerido o uso de sistemas de monitoramento em tempo real.
Segundo o relatório, essas medidas são paliativas e provisórias, mas importantes para prevenir acidentes, especialmente quedas, considerando o histórico clínico do ex-presidente.
Acompanhamento médico contínuo é considerado indispensável
O documento enfatiza que a permanência de Bolsonaro na Papudinha depende da adoção de um protocolo rigoroso de acompanhamento médico. Entre as orientações estão o controle frequente da pressão arterial, a realização periódica de exames laboratoriais e de imagem e a manutenção de hidratação adequada.
Os médicos também recomendam dieta fracionada, acompanhamento nutricional e prática regular de atividade física supervisionada. A fisioterapia é apontada como medida importante para preservar a mobilidade e reduzir riscos associados às comorbidades existentes.
O uso contínuo do CPAP, segundo o laudo, é condição essencial para o controle da apneia do sono e para a prevenção de complicações cardiovasculares.
Sistema prisional é considerado apto para atender recomendações médicas
A avaliação da Polícia Federal conclui que todas as medidas indicadas podem ser implementadas dentro do sistema prisional. Segundo os peritos, a Papudinha possui condições estruturais e operacionais para garantir o acompanhamento clínico necessário ao ex-presidente.
O relatório destaca que não há impedimentos técnicos para a execução das recomendações médicas no ambiente carcerário. Dessa forma, a permanência de Bolsonaro na Papudinha não viola critérios médicos ou sanitários, de acordo com a análise apresentada.
A PF ressalta que eventual necessidade de internação hospitalar deverá ser avaliada apenas se houver alteração significativa no quadro clínico, o que não foi constatado até o momento.
Laudo reforça entendimento técnico sobre regime de custódia
O parecer médico enviado ao STF consolida o entendimento técnico de que o estado de saúde do ex-presidente é compatível com a manutenção do regime de custódia atual. A análise da PF busca fornecer subsídios objetivos para a decisão judicial, afastando avaliações subjetivas sobre a condição clínica.
O documento destaca que a independência entre avaliação médica e decisão judicial deve ser respeitada, cabendo ao Judiciário considerar o laudo dentro do contexto processual mais amplo.
A conclusão técnica tende a ter peso relevante na análise do STF, por se tratar de parecer elaborado por junta médica oficial.
Decisão sobre pedidos da defesa caberá ao STF
Com o envio do laudo, o próximo passo será a análise pelo ministro Alexandre de Moraes. O magistrado deverá avaliar o conteúdo técnico e decidir sobre eventuais pedidos apresentados pela defesa de Bolsonaro, como flexibilização do regime ou alteração das condições de custódia.
A decisão poderá considerar, além do laudo médico, aspectos jurídicos e processuais dos casos em andamento. O relatório da PF, no entanto, estabelece um parâmetro técnico claro sobre a situação de saúde do ex-presidente.
O desfecho dependerá da interpretação do STF sobre a adequação das condições atuais de custódia à luz do parecer médico.
Avaliações futuras podem alterar entendimento sobre permanência
Especialistas ressaltam que quadros clínicos com múltiplas comorbidades exigem monitoramento constante e reavaliações periódicas. Caso haja agravamento do estado de saúde de Bolsonaro, novas perícias poderão ser solicitadas para reavaliar a permanência na Papudinha.
O histórico médico do ex-presidente inclui intervenções cirúrgicas e tratamentos prolongados, o que demanda atenção contínua. A evolução clínica será determinante para qualquer mudança futura no regime de custódia.
Por ora, o laudo da Polícia Federal sustenta que Bolsonaro reúne condições clínicas para permanecer na Papudinha, estabelecendo o cenário técnico que orienta as próximas decisões judiciais.









