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Fazenda aponta brechas em contas bancárias e alerta para ocultação de patrimônio

por Antônio Lima - Repórter de Economia
07/02/2026 às 13h30
em Economia, Destaque, Notícias
Fazenda Aponta Brechas Em Contas Bancárias E Alerta Para Ocultação De Patrimônio - Gazeta Mercantil

Fazenda identifica brechas no sistema bancário e pede aperto de regras para coibir ocultação de patrimônio

O Ministério da Fazenda acendeu um novo alerta sobre fragilidades no sistema financeiro nacional ao identificar brechas regulatórias que permitem a ocultação de patrimônio por meio de tipos específicos de contas bancárias. A constatação levou a pasta a solicitar formalmente ao Banco Central o endurecimento das regras aplicáveis a essas estruturas, utilizadas, segundo apurações internas, para driblar bloqueios judiciais e dificultar o rastreamento de recursos ligados a crimes financeiros e sonegação fiscal.

A avaliação do governo ocorre em meio a uma série de operações policiais que têm mirado organizações criminosas e esquemas de fraude tributária de grande porte, alguns deles envolvendo fintechs e instrumentos financeiros que operam à margem da transparência exigida para o sistema bancário tradicional. Para a Fazenda, mesmo após ajustes recentes promovidos pela autoridade monetária, o risco de ocultação de patrimônio permanece relevante.

Documento aponta falhas persistentes após mudanças do Banco Central

Segundo documento elaborado pelo Ministério da Fazenda e encaminhado ao Banco Central, as alterações regulatórias implementadas nos últimos meses não foram suficientes para eliminar completamente as brechas exploradas por investigados. A análise sustenta que determinados modelos de contas continuam sendo utilizados para esconder recursos de bloqueios determinados pela Justiça, comprometendo a recuperação de valores devidos ao erário e a terceiros prejudicados.

O diagnóstico reforça que o problema não se limita a episódios pontuais, mas representa uma vulnerabilidade estrutural do sistema financeiro. Na avaliação da pasta, a persistência dessas falhas compromete não apenas a eficácia da cobrança da dívida ativa, mas também o combate à lavagem de dinheiro e a rastreabilidade de fluxos financeiros suspeitos.

Contas-bolsão entram no foco das investigações

Entre os principais pontos de preocupação estão as chamadas contas-bolsão, estruturas que concentram recursos de múltiplos beneficiários em um único instrumento financeiro. Esse formato, embora tenha usos legítimos em determinadas operações, vem sendo apontado como um mecanismo recorrente de ocultação de patrimônio.

A principal dificuldade associada às contas-bolsão é a ausência de identificação individualizada dos beneficiários finais. Como os recursos não estão diretamente vinculados a um CPF ou CNPJ específico no Cadastro de Pessoas Físicas e Jurídicas do Sistema Financeiro Nacional, torna-se inviável a identificação imediata dos titulares reais dos valores ali depositados.

Essa característica impede, na prática, o bloqueio eficiente de recursos por meio do Sistema de Busca de Ativos do Poder Judiciário, o Sisbajud, criando um obstáculo relevante para a execução de decisões judiciais.

BC apertou regras, mas governo considera medidas insuficientes

Em novembro, o Banco Central determinou o encerramento obrigatório de contas-bolsão sempre que fosse identificado o uso da estrutura para prestação irregular de serviços financeiros ou para fins de ocultação de patrimônio. As fintechs passaram a ser obrigadas a adotar controles mais rígidos e a comunicar irregularidades à autoridade supervisora.

Apesar disso, a Fazenda sustenta que a medida apenas mitigou o problema, sem eliminá-lo por completo. O entendimento do governo é que, mesmo sob a nova regulamentação, essas contas continuam sendo exploradas de forma sofisticada para dificultar o rastreamento de ativos.

No documento enviado ao BC, a pasta destaca que as brechas persistentes comprometem o alcance das políticas públicas voltadas à recuperação de créditos e ao enfrentamento de crimes financeiros.

Uso de contas escrow amplia preocupação regulatória

Além das contas-bolsão, o Ministério da Fazenda aponta preocupação crescente com o uso indevido das chamadas contas escrow. Originalmente concebidas como contas de passagem, destinadas ao depósito temporário de garantias em operações específicas, essas estruturas vêm sendo ofertadas por fintechs como se fossem contas correntes tradicionais.

Segundo a análise do governo, esse desvirtuamento transformou as contas escrow em mais um instrumento potencial de ocultação de patrimônio, especialmente em operações relacionadas à antecipação de recebíveis. Nessas situações, as contas passam a registrar entradas e saídas frequentes de recursos, dificultando a fiscalização e o acompanhamento pelas autoridades.

Assim como ocorre com as contas-bolsão, as contas escrow permanecem fora do alcance tanto do Sisbajud quanto dos sistemas de monitoramento da Receita Federal, o que impede bloqueios e rastreamentos mais eficazes.

Blindagem patrimonial desafia rastreamento financeiro

Fontes com conhecimento das apurações relatam que os órgãos de controle enfrentam dificuldades crescentes para vincular valores movimentados nessas contas aos respectivos CNPJs ou CPFs. O fenômeno tem sido descrito como uma forma sofisticada de blindagem patrimonial, na qual o dinheiro transita por estruturas financeiras opacas antes de desaparecer do radar dos sistemas oficiais.

De acordo com uma das fontes, o padrão se repete em diferentes investigações: os recursos são identificados em determinado momento, mas deixam de ser localizados após serem transferidos para contas com menor transparência, configurando um cenário típico de ocultação de patrimônio.

Caso da Refinaria de Manguinhos é citado em apurações

Entre os casos analisados pela Fazenda está o da Refinaria de Petróleos de Manguinhos, investigada por suposto envolvimento em fraudes tributárias de grande escala. Segundo fontes, há indícios de que a empresa possuía volume de recursos superior ao montante já bloqueado judicialmente, estimado em cerca de R$ 1,2 bilhão.

A suspeita é de que parte desses valores tenha sido desviada para estruturas financeiras utilizadas justamente para ocultação de patrimônio, dificultando sua localização pelas autoridades. Procurada, a empresa não se manifestou até o fechamento das apurações citadas no documento.

Impacto sobre recuperação de créditos públicos

Para a Fazenda, a manutenção dessas brechas afeta diretamente a capacidade do Estado de recuperar créditos tributários e ressarcir prejuízos causados por crimes financeiros. A ocultação de patrimônio impede que decisões judiciais tenham efeito prático, reduzindo a eficácia das políticas de cobrança e enfraquecendo o combate à sonegação.

O governo argumenta que o problema tem efeito sistêmico, ao criar incentivos perversos para que maus pagadores e organizações criminosas explorem falhas regulatórias em detrimento da concorrência leal e da arrecadação pública.

Fintechs entram no centro do debate regulatório

O avanço das fintechs no sistema financeiro brasileiro é reconhecido como um fator positivo para a inclusão financeira e a inovação. No entanto, a Fazenda avalia que parte dessas instituições passou a oferecer produtos que extrapolam o escopo original de suas autorizações, ampliando riscos de ocultação de patrimônio.

A pasta defende que o fortalecimento da supervisão e o aperto das regras não visam frear a inovação, mas garantir que o crescimento do setor ocorra dentro de padrões de transparência e rastreabilidade compatíveis com o combate a ilícitos financeiros.

Pedido de aperto regulatório ganha prioridade

Diante do diagnóstico, o Ministério da Fazenda solicitou ao Banco Central a revisão das normas aplicáveis às contas-bolsão e às contas escrow, com foco na identificação dos beneficiários finais e na ampliação do alcance dos sistemas de bloqueio judicial.

A proposta envolve ajustes técnicos e operacionais, mas também reforço na cooperação entre órgãos de fiscalização, Receita Federal e Poder Judiciário. Para o governo, sem essas mudanças, a ocultação de patrimônio continuará a representar um risco elevado à integridade do sistema financeiro.

Consequências para o combate a crimes financeiros

O debate em torno das brechas identificadas pela Fazenda ocorre em um contexto de intensificação do combate ao crime organizado e à lavagem de dinheiro no país. A persistência de instrumentos que facilitam a ocultação de patrimônio pode comprometer avanços recentes obtidos por meio de operações integradas e uso de tecnologia de rastreamento.

A expectativa do governo é que o aperto regulatório reduza significativamente a margem de manobra para práticas ilícitas, reforçando a credibilidade do sistema financeiro brasileiro e ampliando a efetividade das decisões judiciais em casos de crimes econômicos de grande porte.

Tags: Banco Centralblindagem patrimonialcontas escrowcontas-bolsãocrimes financeirosMinistério da Fazendaocultação de patrimônio

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Segundo A Versão Divulgada Pela Fintech, A Azara Capital Teria Adquirido A Naskar E Outras Empresas Do Grupo, Como 7Trust E Next, Assumindo A Responsabilidade Por Tratativas Voltadas Ao Ressarcimento Dos Clientes. O Caso, Porém, Passou A Levantar Questionamentos Sobre A Própria Azara Capital. A Empresa Não Apresenta Em Seu Site Nomes De Presidente, Diretores, Sócios Ou Responsáveis Pela Gestão. A Página Informa Um Endereço Em Miami, Nos Estados Unidos, Mas A Localização Indicada Aparece Associada Ao Ocean Bank, Banco Comercial Independente Da Flórida. Em Buscas Por “Azara Capital” Em Plataformas De Geolocalização, Não Há Indicação Clara De Sede Própria Da Companhia. Além Disso, A Presença Digital Da Empresa É Recente. O Perfil Da Azara Capital No Instagram Teria Sido Criado Há Poucos Meses E, Até A Manhã Desta Quinta-Feira, Contava Com Apenas Três Publicações. Após A Repercussão Da Suposta Compra Da Naskar, O Perfil Passou Por Alterações, Incluindo Arquivamento De Postagem, Mudanças Na Biografia, Remoção De Contas Seguidas E Bloqueio De Comentários. Naskar Deixou Investidores Sem Acesso Ao Aplicativo A Crise Da Naskar Começou Após A Fintech Não Realizar O Pagamento Mensal De Rendimentos Previsto Para 4 De Maio. Clientes Tentaram Contato Com Os Sócios Da Empresa Para Entender O Motivo Do Atraso, Mas, Segundo Relatos Reunidos No Texto-Base, Não Obtiveram Resposta. A Situação Se Agravou Quando O Aplicativo Da Naskar, Usado Pelos Investidores Para Acompanhar O Patrimônio Aplicado, Deixou De Funcionar Em 6 De Maio. Desde Então, Clientes Passaram A Relatar Dificuldade Para Acessar Informações Sobre Seus Saldos, Rendimentos E Eventual Cronograma De Devolução. A Naskar Atuava Há 13 Anos Captando Recursos De Clientes Com Promessa De Retorno De 2% Ao Mês, Patamar Muito Superior Ao Praticado Em Produtos Financeiros Tradicionais. Pela Estrutura Divulgada Aos Investidores, A Empresa Recebia Valores E Se Comprometia A Administrar O Patrimônio Dos Clientes, Pagando Rendimentos Mensais. O Modelo Atraiu Investidores De Diferentes Regiões Do País. A Crise, No Entanto, Expôs Riscos De Estruturas Privadas De Captação Com Promessa De Retorno Recorrente E Elevado. Quando Pagamentos Deixam De Ser Feitos, A Relação Entre Empresa E Cliente Rapidamente Passa Do Campo Comercial Para O Judicial E Regulatório. Segundo O Texto-Base, Os Valores A Serem Devolvidos Ou Ao Menos Esclarecidos Aos Clientes Superam R$ 900 Milhões. A Naskar, Por Sua Vez, Afirmou Que A Transação Com A Azara Capital Seria Uma “Operação Estratégica Voltada À Reorganização Das Atividades E À Continuidade Do Suporte Aos Investidores”. Azara Capital Não Informa Diretoria Nem Estrutura Operacional Um Dos Principais Pontos De Atenção É A Falta De Informações Institucionais Detalhadas Sobre A Azara Capital. O Site Da Empresa Não Informa Quem Ocupa Cargos De Comando, Quais São Os Responsáveis Pela Operação, Qual É A Estrutura Societária Ou Quais Executivos Responderiam Pelo Processo De Aquisição Da Naskar. Em Uma Operação Que Envolveria Aproximadamente R$ 1,2 Bilhão E A Assunção De Passivos Com Milhares De Investidores, A Ausência De Dados Públicos Sobre Governança Amplia A Incerteza. Para Investidores E Credores, A Identificação Dos Responsáveis Pela Empresa É Elemento Básico Para Avaliar Capacidade Financeira, Histórico, Experiência E Responsabilidade Sobre Compromissos Assumidos. Outro Ponto Citado No Texto-Base Envolve O Endereço Físico Informado Pela Azara Capital. A Localização Indicada Em Miami Aparece Associada Ao Ocean Bank, Não A Uma Sede Própria Identificável Da Empresa. Buscas Por “Azara Capital” Em Aplicativos E Sites De Geolocalização Também Não Retornariam Resultados Consistentes. A Ausência De Presença Consolidada Em Plataformas Públicas Não Comprova, Por Si Só, Irregularidade. Ainda Assim, Em Uma Transação De Grande Porte Envolvendo Investidores Prejudicados, A Falta De Dados Verificáveis Aumenta A Necessidade De Esclarecimentos. A Reportagem Também Aponta Que A Azara Capital Não Aparece Como Regulada Ou Cadastrada Em Órgãos De Fiscalização Americanos Como A Securities And Exchange Commission E A Financial Industry Regulatory Authority. Essas Informações São Relevantes Porque A Empresa Se Apresenta Como Sediada Nos Estados Unidos E Vinculada Ao Mercado Financeiro. Perfil Em Rede Social Passou Por Mudanças Após Repercussão A Presença Da Azara Capital Em Redes Sociais Também Entrou No Centro Das Dúvidas. O Perfil Da Empresa No Instagram Teria Sido Criado Há Poucos Meses E Exibia Poucas Publicações Até A Divulgação Da Suposta Transação Envolvendo A Naskar. Durante A Quinta-Feira, Após O Nome Da Empresa Ganhar Repercussão, Foram Observadas Mudanças No Perfil. Uma Publicação Que Mencionava “Capital Rápido Para Negócios Imobiliários” Teria Sido Arquivada. A Conta, Que Seguia 18 Perfis, Deixou De Seguir Todos Eles. A Opção De Comentários Nas Publicações Também Foi Bloqueada. O Perfil Da Empresa Não Teria Conta Correspondente No Linkedin, Plataforma Normalmente Usada Por Instituições Financeiras, Gestoras E Empresas De Serviços Corporativos Para Apresentar Equipe, Histórico, Área De Atuação E Estrutura De Negócios. As Alterações Nas Redes Sociais Não Significam, Isoladamente, Irregularidade. No Entanto, Em Um Contexto De Crise Envolvendo Quase R$ 1 Bilhão Em Recursos De Investidores, Mudanças Rápidas Em Canais Públicos De Comunicação Tendem A Reforçar A Pressão Por Transparência. Para Os Clientes Da Naskar, A Principal Preocupação É Saber Quem Assumirá A Responsabilidade Pelos Valores Aplicados, De Onde Virão Os Recursos Para Eventual Devolução E Qual Será O Prazo Real Para O Início Dos Pagamentos. Douglas Silva De Oliveira Aparece Ligado À Azara Segundo A Apuração Mencionada No Texto-Base, O Empresário Douglas Silva De Oliveira Se Apresentava Como Responsável Pela Azara Capital. Em Perfil Pessoal No Instagram, Ele Declarava Ser Fundador E Diretor Da Instituição, Mas A Informação Teria Sido Retirada Horas Após A Divulgação Da Transação Envolvendo A Naskar. Douglas Silva De Oliveira Consta Como Administrador E Sócio-Administrador De 11 Empresas Brasileiras, Sediadas No Distrito Federal E Em Diferentes Estados. Várias Dessas Companhias Têm Capitais Sociais Milionários, Segundo Os Dados Citados No Texto-Base. A Ligação Entre Douglas, Azara Capital E Naskar Passou A Ser Observada Com Mais Atenção Justamente Pelo Tamanho Da Operação Anunciada. A Suposta Compra De Uma Fintech Em Crise, Com Milhares De Investidores Aguardando Reembolso, Exige Comprovação De Capacidade Financeira E Clareza Sobre A Estrutura Jurídica Da Transação. A Naskar Informou Que A Azara Capital Passaria A Ser Responsável Pelo Contato Com Clientes Interessados Em Saber Quando Terão Seu Dinheiro De Volta. A Fintech Também Afirmou Que As Tratativas Para Devolução Começariam A Partir Da Semana Seguinte Ao Anúncio. Até A Última Atualização Do Texto-Base, Representantes Da Azara Capital Não Haviam Respondido A Tentativas De Contato Por Telefone, Whatsapp E E-Mail. Operação Envolveria Naskar, 7Trust E Next A Transação Anunciada Pela Naskar Não Se Limitaria À Gestora. Segundo A Empresa, A Azara Capital Teria Adquirido Também Outras Duas Companhias Do Grupo: 7Trust E Next. O Objetivo Declarado Seria Reorganizar As Atividades, Consolidar Informações Operacionais, Revisar Processos Existentes E Avançar Na Liquidação Com Investidores. O Valor Informado Para A Operação É De Aproximadamente R$ 1,2 Bilhão. A Cifra É Próxima Ao Montante Que Precisa Ser Devolvido Ou Explicado Aos Cerca De 3 Mil Clientes Da Fintech. Esse Alinhamento Entre Valor Da Transação E Passivo Estimado Aumenta A Importância De Documentação Verificável. Em Operações De Aquisição, Especialmente Quando Há Passivos Relevantes E Clientes Prejudicados, É Essencial Diferenciar Anúncio De Intenção, Assinatura De Contrato, Transferência Efetiva De Controle E Execução Financeira. Sem Esses Elementos, Investidores Seguem Expostos À Incerteza. A Naskar Disse Que Os Próximos Passos Envolveriam Continuidade Do Processo De Circularização, Consolidação De Informações Operacionais, Revisão Técnica Dos Processos E Liquidação Com Os Investidores. Circularização É Um Procedimento Usado Para Confirmar Saldos, Obrigações E Dados Junto Às Partes Envolvidas. Na Prática, Esse Processo Pode Ser Decisivo Para Definir Quanto Cada Investidor Tem A Receber, Quais Contratos Serão Reconhecidos, Qual A Ordem De Pagamento E De Que Forma Eventuais Divergências Serão Tratadas. Promessa De Rendimento De 2% Ao Mês Elevou Risco Da Operação A Naskar Construiu Sua Base De Clientes Oferecendo Retorno De 2% Ao Mês. Em Termos Financeiros, Esse Patamar Representa Uma Remuneração Elevada, Especialmente Quando Comparada A Alternativas Tradicionais De Renda Fixa E Produtos Bancários Regulados. Promessas De Retorno Acima Do Mercado Não Significam Automaticamente Fraude Ou Irregularidade, Mas Exigem Explicação Robusta Sobre Estratégia, Risco, Liquidez, Garantias E Fonte Dos Ganhos. Quanto Maior A Rentabilidade Prometida, Maior Tende A Ser A Necessidade De Transparência. No Caso Da Naskar, Os Clientes Aplicavam Recursos Esperando Receber Rendimentos Mensais. O Exemplo Citado No Texto-Base Mostra Que Um Investimento De R$ 1 Milhão Geraria Pagamento Mensal De R$ 20 Mil. Essa Previsibilidade De Fluxo Ajudou A Atrair Investidores, Mas Também Ampliou O Impacto Quando Os Pagamentos Foram Interrompidos. Durante Anos, Segundo Relatos, A Empresa Teria Funcionado Sem Grandes Problemas Para Os Clientes. A Quebra Do Padrão De Pagamentos No Início De Maio, No Entanto, Foi Suficiente Para Desencadear Uma Corrida Por Informações E Colocar A Empresa Sob Forte Pressão. Além Da Falta De Pagamento, A Interrupção Do Aplicativo Agravou O Cenário. Sem Acesso Ao Sistema, Investidores Ficaram Sem Uma Ferramenta Direta Para Verificar Patrimônio, Rendimentos E Movimentações. Caso Coloca Governança Da Suposta Compradora Sob Pressão A Suposta Compra Da Naskar Pela Azara Capital Poderia Representar Uma Alternativa De Reorganização Para A Fintech, Mas A Falta De Informações Públicas Sobre A Compradora Dificulta A Avaliação Da Operação. A Ausência De Executivos Identificados No Site, O Endereço Associado A Outro Banco, O Perfil Recente Em Rede Social E A Falta De Cadastro Aparente Em Órgãos Reguladores Americanos Formam Um Conjunto De Pontos Que Exigem Esclarecimento. Para Os Investidores, O Fator Central Continua Sendo A Devolução Dos Recursos. Qualquer Solução Dependerá De Cronograma, Comprovação De Caixa, Validação Dos Saldos E Formalização Das Responsabilidades Assumidas Pela Empresa Que Teria Comprado A Naskar. Para O Mercado Financeiro, O Caso Reforça O Debate Sobre Estruturas De Captação Privada, Fintechs Que Operam Fora Do Circuito Tradicional De Instituições Reguladas E Promessas De Rentabilidade Recorrente Acima Dos Padrões De Mercado. A Crise Também Pode Aumentar A Pressão Sobre Distribuidores, Intermediários E Empresas Que Apresentaram A Naskar A Investidores. Em Disputas Desse Tipo, Clientes Frequentemente Buscam Responsabilizar Todos Os Agentes Que Participaram Da Oferta, Recomendação Ou Operacionalização Dos Contratos. Enquanto A Azara Capital Não Apresentar Informações Verificáveis Sobre Sua Estrutura, Seus Executivos, Sua Autorização Regulatória E Sua Capacidade Financeira, A Suposta Aquisição Tende A Permanecer Cercada Por Dúvidas. O Desfecho Do Caso Dependerá Menos Do Anúncio Da Compra E Mais Da Comprovação De Que Há Recursos, Governança E Instrumentos Jurídicos Suficientes Para Devolver O Dinheiro Dos Investidores. - Gazeta Mercantil
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