Dólar hoje abre em queda com mercado atento ao Boletim Focus e às falas de Galípolo
O dólar hoje iniciou a semana em trajetória de baixa frente ao real, refletindo um conjunto de fatores domésticos e internacionais que influenciam o humor dos investidores. Na manhã desta segunda-feira (9), a moeda americana recuava 0,43%, sendo negociada a R$ 5,1978 por volta das 10h18. O movimento ocorre em um ambiente de maior apetite por risco, após a divulgação do Boletim Focus e diante das expectativas em torno das declarações do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.
Enquanto isso, o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, abriu em leve alta de 0,06%, aos 183.068 pontos, sinalizando um pregão de cautela, mas com viés positivo. O comportamento dos ativos reflete a leitura do mercado sobre inflação, juros, crescimento econômico e política monetária, além do impacto de balanços corporativos relevantes e do cenário externo.
O dólar hoje reage não apenas a indicadores pontuais, mas a um conjunto de expectativas que vêm sendo recalibradas nas últimas semanas, especialmente após revisões nas projeções de inflação e juros para os próximos anos.
Boletim Focus reduz projeções e influencia o dólar hoje
A principal referência doméstica do dia foi a divulgação do Boletim Focus, relatório semanal do Banco Central que compila as expectativas do mercado financeiro. O documento mostrou nova redução na projeção de inflação para 2026, de 3,99% para 3,97%, marcando a quinta semana consecutiva de queda nas estimativas.
Caso confirmada, a inflação projetada para 2026 ficará abaixo do índice registrado em 2025, quando o IPCA acumulou 4,26%. O dado reforça a percepção de desaceleração inflacionária e contribui para a leitura de que o ciclo de aperto monetário pode estar mais próximo do fim.
No relatório, as projeções para os anos seguintes foram mantidas em 3,8% para 2027 e 3,5% para 2028 e 2029. Para os juros, a expectativa é de que a Selic, atualmente em 15% ao ano, recue para 12,25% ao fim de 2026.
Esse conjunto de números ajuda a explicar o comportamento do dólar hoje, uma vez que expectativas de juros mais baixos tendem a reduzir o diferencial de taxas entre o Brasil e os Estados Unidos, afetando o fluxo de capitais.
Expectativas para PIB e câmbio entram no radar
Além da inflação, o Boletim Focus manteve a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 1,8% para 2026, abaixo do ritmo esperado para 2025. O dado reforça um cenário de crescimento moderado da economia brasileira nos próximos anos.
Já para o câmbio, o mercado financeiro estima que o dólar encerre 2026 em torno de R$ 5,50. A projeção indica que, apesar da queda observada no dólar hoje, ainda há cautela em relação ao comportamento da moeda no médio prazo, especialmente diante das incertezas globais e da política monetária americana.
Essas expectativas moldam as decisões de investidores institucionais, influenciando posições em renda fixa, renda variável e mercado de câmbio.
Falas de Galípolo ganham atenção do mercado
Outro fator relevante para o comportamento do dólar hoje é a participação do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, em evento da Associação Brasileira de Bancos. O mercado acompanha atentamente suas declarações sobre estabilidade financeira, supervisão bancária e condução da política monetária.
A comunicação do Banco Central é considerada peça-chave para ancorar expectativas e reduzir volatilidade nos mercados. Investidores buscam sinais sobre o ritmo futuro dos juros, a leitura da autoridade monetária sobre inflação e atividade econômica, além da postura institucional do BC diante de desafios no sistema financeiro.
A presença de Galípolo no evento reforça a importância da agenda doméstica no pregão, especialmente em um dia de divulgação de dados sensíveis como o Boletim Focus.
Ibovespa abre em leve alta com investidores seletivos
Enquanto o dólar hoje opera em queda, o Ibovespa iniciou o pregão em leve alta, refletindo um movimento de seletividade entre os investidores. O índice acumula ganhos expressivos no ano, com valorização de 13,54%, apoiado principalmente em ações de grandes bancos, empresas exportadoras e papéis ligados ao ciclo doméstico.
Na semana, o Ibovespa registra avanço de 0,87%, mesmo percentual acumulado no mês. O desempenho indica que, apesar das incertezas, o mercado acionário brasileiro segue atraente para parte dos investidores, sobretudo diante de expectativas de queda de juros no médio prazo.
A relação entre bolsa e câmbio segue dinâmica: a valorização das ações costuma atrair fluxo estrangeiro, o que tende a pressionar o dólar hoje para baixo.
Temporada de balanços movimenta o mercado
A temporada de divulgação de resultados do quarto trimestre de 2025 segue no radar e influencia diretamente o humor do mercado. Nesta manhã, o BTG Pactual divulgou lucro líquido ajustado de R$ 4,597 bilhões, com alta de 1,3% em relação ao trimestre anterior e expressivo crescimento de 40,3% na comparação anual.
O banco também registrou receitas de R$ 9,1 bilhões no período, superando as expectativas do mercado. O desempenho foi impulsionado principalmente por operações de investimento, mercado financeiro, concessão de crédito e gestão de recursos de clientes.
O BTG passou a administrar cerca de R$ 1,2 trilhão em ativos de clientes, reforçando sua posição no setor. Analistas avaliam que o resultado fortalece a percepção de solidez do sistema financeiro brasileiro, fator que também influencia o comportamento do dólar hoje.
Expectativa por balanços de Banco do Brasil e Vale
Após os resultados de grandes bancos privados, o mercado volta as atenções para os próximos balanços. O Banco do Brasil divulga seus números na terça-feira (11), enquanto a Vale apresenta resultados na quinta-feira (12).
No caso da Vale, o noticiário corporativo ganhou contornos adicionais após decisão da Justiça de Minas Gerais que determinou a paralisação das operações no Complexo Minerário de Fábrica, em Ouro Preto. A medida foi adotada após o colapso de uma cava, ocorrido em 25 de janeiro, que liberou grande volume de água e sedimentos.
O episódio adiciona incerteza ao papel da mineradora e pode influenciar o desempenho do Ibovespa, com reflexos indiretos sobre o dólar hoje, dada a relevância da empresa para o mercado brasileiro.
Bolsas globais reagem e influenciam o dólar hoje
No cenário internacional, o clima nos mercados financeiros mostra sinais de melhora após a forte recuperação das ações americanas na sexta-feira. Empresas de tecnologia recuperaram parte das perdas recentes, enquanto o bitcoin interrompeu a trajetória de queda, contribuindo para reduzir o pessimismo.
Antes da abertura dos mercados, os contratos futuros indicavam leve alta em Wall Street. O S&P 500 avançava 0,1%, enquanto o Dow Jones subia 0,2%. O movimento positivo ajuda a sustentar o apetite por risco e impacta moedas emergentes, incluindo o real.
Na Europa, as bolsas também abriram em alta, acompanhando o tom mais construtivo vindo dos Estados Unidos. Na Alemanha, o DAX subia 0,6%, enquanto o CAC 40, em Paris, avançava 0,2%. No Reino Unido, o FTSE 100 registrava alta de 0,3%.
Mercados asiáticos têm recuperação expressiva
Na Ásia, os mercados tiveram um dia de forte recuperação. No Japão, o Nikkei disparou 3,9%, enquanto na Coreia do Sul o KOSPI avançou 4,10%. Em Hong Kong, o Hang Seng subiu 1,76%, e em Xangai o SSEC ganhou 1,41%.
O desempenho foi impulsionado pela recuperação de Wall Street e por fatores políticos e econômicos regionais. Analistas avaliam que a recente queda observada nas bolsas asiáticas pode ter chegado ao fim, o que contribui para um ambiente global mais favorável aos ativos de risco.
Esse contexto externo ajuda a explicar a queda do dólar hoje, uma vez que moedas de países emergentes tendem a se valorizar quando o apetite por risco aumenta no cenário internacional.









