BTG vs Itaú: bastidores da resposta do BTG às críticas sobre o caso Banco Master
O cenário financeiro brasileiro voltou a ferver com a recente troca de declarações entre BTG Pactual e Itaú Unibanco, duas das maiores instituições do país. A tensão teve como estopim as críticas do CEO do Itaú, Milton Maluhy Filho, sobre a conduta de plataformas de investimento que distribuíram CDBs do Banco Master, incluindo o próprio BTG. O CFO do BTG, Renato Cohn, respondeu de forma contundente, defendendo o modelo de distribuição, mas apontando abusos cometidos pelo Master.
A disputa entre BTG vs Itaú não é apenas uma divergência pontual; ela expõe uma divisão estrutural na forma como o sistema bancário brasileiro encara a democratização dos investimentos e o papel do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
BTG rebate críticas do Itaú e defende plataformas de investimentos
Durante coletiva de imprensa nesta segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026, Renato Cohn, CFO do BTG, reagiu às declarações de Maluhy Filho. O executivo classificou o uso do FGC como pilar central do modelo de negócios do Banco Master como “inadequado” e “abusivo”. No entanto, ele fez questão de separar a conduta do Master da estrutura mais ampla das plataformas de distribuição, que — segundo Cohn — “revolucionaram o mercado financeiro brasileiro”.
Para o BTG, as plataformas de acesso a investimentos, como BTG Pactual Digital, XP, e outras corretoras, transformaram a forma como os brasileiros investem. “Esses canais permitiram uma verdadeira democratização do acesso ao mercado de capitais, beneficiando milhões de investidores”, afirmou o executivo.
A resposta sinaliza que o BTG busca reafirmar sua imagem institucional e educacional no mercado, destacando-se como protagonista de um movimento de inclusão financeira por meio da inovação e da tecnologia.
A redução da exposição ao Banco Master
Segundo Cohn, o BTG já havia identificado potenciais riscos associados ao Banco Master em 2024, quando surgiram sinais de possíveis dificuldades de solvência. A instituição iniciou, então, um processo de redução gradual de exposição aos produtos do banco.
“Fizemos um trabalho de assessoria e educação financeira junto aos nossos clientes, orientando-os a respeitar seus limites de exposição e não se apoiarem unicamente nas garantias do FGC”, enfatizou.
Essa estratégia do BTG visava não apenas proteger investidores, mas também reforçar seu posicionamento com responsabilidade fiduciária — exatamente o ponto levantado pelo Itaú ao criticar plataformas que, segundo Maluhy, teriam priorizado margens e bônus acima da segurança dos clientes.
O que disse o CEO do Itaú
Milton Maluhy Filho, CEO do Itaú Unibanco, reacendeu o debate ao afirmar que algumas plataformas de investimento “ganharam bilhões” com a distribuição de produtos de alto risco, como os CDBs do Master e os COEs da Ambipar.
O executivo enfatizou que o Itaú nunca distribuiu tais produtos, defendendo que o banco mantém o foco exclusivo no interesse do cliente. Para Maluhy, o uso do FGC nesses casos distorce o propósito original do fundo, criado nos anos 1990 para garantir depósitos em caso de quebras bancárias imprevisíveis — e não para sustentar estratégias de captação de risco elevado.
“Quando o FGC vira modelo de negócio, o investidor fica com uma falsa sensação de segurança”, destacou o CEO.
O papel do FGC e o caso Master
O Fundo Garantidor de Crédito (FGC) é um pilar essencial do sistema financeiro nacional, funcionando como proteção para investidores em caso de falência de instituições financeiras. Cada CPF é garantido até R$ 250 mil por conglomerado financeiro.
No caso do Banco Master, o fundo virou peça central do debate ético e regulatório. O banco, comandado por Daniel Vorcaro, teria usado a segurança do FGC como alavanca comercial, incentivando depósitos e produtos que, embora de alto retorno, carregavam riscos substanciais.
Cohn foi categórico em sua posição: “O abuso do FGC precisa ser combatido, mas não podemos demonizar as plataformas que contribuíram para a evolução do sistema financeiro”, afirmou. Em sua visão, o episódio do Master deve servir como lição institucional, e não como justificativa para frear o avanço da inovação financeira.
BTG reforça confiança no modelo de distribuição
Mesmo diante da crise reputacional gerada pelo caso Master, o BTG Pactual mantém a confiança nas plataformas digitais como vetor de expansão do investimento no Brasil. O banco defende que o modelo é seguro quando há gestão de risco adequada, transparência e educação do investidor.
No discurso do CFO, o banco buscou deixar claro que a operação de distribuição, quando feita com controle e governança, é saudável para o mercado. Cohn afirmou que o BTG reduziu significativamente a oferta de ativos do Master, priorizando ativos de maior solidez e sustentabilidade.
Esse posicionamento reforça a mensagem de que o BTG quer se diferenciar das práticas questionadas e consolidar-se como referência em gestão prudente de risco no sistema financeiro.
Itaú x BTG: visões diferentes, objetivos distintos
O embate entre BTG vs Itaú reflete uma dualidade no mercado bancário brasileiro: de um lado, a postura conservadora e centralizadora do Itaú; de outro, o modelo inovador e distribuído do BTG, que aposta em tecnologia e pluralidade de acesso.
Enquanto o Itaú defende uma abordagem preventiva e mais restrita, o BTG acredita que o avanço das plataformas é irreversível e necessário para ampliar a educação e o protagonismo do investidor. Essa divergência de modelo não apenas cria fricções, mas também movimenta o debate sobre regulação e transparência financeira no país.
A discussão sobre o caso Banco Master pode antecipar novas regras de supervisão do Banco Central, especialmente voltadas para o uso do FGC e para as responsabilidades das plataformas de distribuição digital.
Perspectivas do mercado após o caso Master
Para o mercado, a polêmica entre BTG vs Itaú acende um alerta sobre governança, regulação e modelos de incentivo nas instituições financeiras. O Banco Central deve reavaliar as fronteiras do uso da garantia do FGC, buscando evitar que a ferramenta, criada para proteger o investidor, seja usada como vantagem competitiva comercial.
O episódio também reforça a importância da transparência na distribuição de produtos financeiros, um dos princípios centrais da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e elemento-chave para a construção da confiança pública no sistema bancário.
Em última análise, o caso expõe as tensões inerentes entre a tradição bancária do Itaú e o espírito inovador do BTG. O embate, ainda em curso, deve moldar os rumos da regulação financeira brasileira em 2026.









