Motiva (MOTV3) amplia lucro no 4º trimestre com reestruturação de concessões e avanço operacional
A Motiva (MOTV3), antiga CCR, encerrou o quarto trimestre de 2025 com um resultado financeiro robusto que confirma a virada estratégica conduzida pela companhia nos últimos anos. O lucro da Motiva no 4º trimestre alcançou R$ 606 milhões em termos ajustados, representando um crescimento expressivo de 68,3% em relação ao mesmo período do ano anterior. O desempenho superou com folga as expectativas do mercado e reforça a leitura de que a empresa colhe, agora, os frutos de um profundo processo de reorganização de portfólio, disciplina operacional e foco em ativos mais rentáveis.
Os números, divulgados no balanço financeiro publicado nesta segunda-feira (9), mostram uma companhia mais eficiente, com margens em expansão, maior previsibilidade de caixa e uma estrutura operacional ajustada a um novo ciclo de crescimento. A estratégia envolveu decisões relevantes, como a saída de operações consideradas não estratégicas, a renegociação de contratos e a entrada em novas concessões rodoviárias com maior potencial de geração de valor.
Lucro da Motiva no 4º trimestre supera expectativas do mercado
O resultado financeiro apresentado ficou acima das projeções médias de analistas, que estimavam um lucro líquido ajustado de aproximadamente R$ 501 milhões para o período. O lucro da Motiva no 4º trimestre, ao atingir R$ 606 milhões, sinaliza não apenas uma recuperação conjuntural, mas um avanço estrutural na qualidade dos resultados.
Esse crescimento expressivo está diretamente associado à melhoria do mix de concessões, ao controle mais rigoroso de custos e à maturação de investimentos realizados ao longo dos últimos exercícios. A companhia conseguiu acelerar em um ano o atingimento de metas operacionais relevantes, reforçando a confiança do mercado na estratégia adotada desde 2023.
O desempenho também ocorre em um contexto de maior racionalidade financeira no setor de infraestrutura, com foco em eficiência, retorno sobre capital investido e geração de caixa sustentável.
Ebitda cresce dois dígitos e margem atinge patamar histórico
Outro destaque do balanço foi o avanço do resultado operacional. O Ebitda ajustado da companhia somou R$ 2,5 bilhões no quarto trimestre, crescimento de 25,2% na comparação anual. A margem Ebitda avançou de forma significativa, com alta de 9,2 pontos percentuais, alcançando 62,4%, um dos níveis mais elevados da história recente da empresa.
A expansão da margem reflete uma combinação de fatores. Entre eles, a racionalização de custos operacionais, a exclusão de ativos de baixa rentabilidade e a maior contribuição de concessões mais maduras e eficientes. A relação entre despesas operacionais e receita líquida ajustada fechou o ano em 37,5%, superando a meta interna de 38% e confirmando a entrega antecipada de eficiência prometida pela administração.
O resultado operacional sólido sustenta o crescimento do lucro da Motiva no 4º trimestre e reforça a capacidade da empresa de manter margens elevadas mesmo em um ambiente macroeconômico ainda desafiador.
Reestruturação do portfólio impulsiona resultados
A transformação da Motiva passa, de forma central, pela revisão de seu portfólio de ativos. Um dos movimentos mais relevantes foi o encerramento da operação de barcas no Rio de Janeiro, historicamente pressionada por custos elevados, instabilidade regulatória e retorno aquém do esperado.
Além disso, a companhia promoveu a repactuação de contratos de importantes concessionárias em São Paulo e no Mato Grosso do Sul, ajustando prazos, investimentos e parâmetros econômico-financeiros. Essas renegociações foram fundamentais para reduzir riscos, aumentar previsibilidade e melhorar a rentabilidade dos contratos.
Paralelamente, a Motiva avançou em novas concessões estratégicas, como a PRVias, no Paraná, e a Rota Sorocabana, em São Paulo. Esses ativos ampliam a exposição da companhia ao segmento rodoviário, considerado mais estável e com melhor perfil de geração de caixa no longo prazo.
Novas concessões reforçam estratégia de crescimento
A entrada em novos projetos é parte essencial da narrativa por trás do lucro da Motiva no 4º trimestre. As concessões recentemente incorporadas apresentam características alinhadas ao novo posicionamento da empresa: contratos de longo prazo, regras regulatórias mais claras e potencial de eficiência operacional.
A PRVias, no Paraná, e a Rota Sorocabana, em São Paulo, representam corredores logísticos estratégicos, com elevado fluxo de veículos e importância econômica regional. A expectativa é que esses ativos contribuam de forma crescente para o Ebitda e para o fluxo de caixa nos próximos anos, à medida que avancem para estágios mais maduros de operação.
Esses movimentos reforçam a transição da Motiva para um portfólio mais concentrado, menos exposto a riscos operacionais e com maior retorno ajustado ao risco.
Gestão destaca consolidação da transformação iniciada em 2023
Em mensagem que acompanhou o balanço, o presidente-executivo da Motiva, Miguel Setas, destacou que os resultados de 2025 confirmam a consolidação do processo de transformação iniciado dois anos antes. Segundo a administração, a empresa atravessou um ciclo intenso de revisão estratégica, com decisões difíceis, mas necessárias para garantir sustentabilidade financeira e competitividade no longo prazo.
A antecipação de metas operacionais, como a redução da relação entre custos e receita, é apresentada como evidência de que a cultura de eficiência foi incorporada à rotina da companhia. Esse fator é decisivo para sustentar o crescimento do lucro da Motiva no 4º trimestre e criar uma base sólida para os próximos exercícios.
A fala da liderança também reforça o compromisso com disciplina de capital, foco em ativos estratégicos e governança corporativa, elementos cada vez mais valorizados por investidores institucionais.
Venda de aeroportos e impacto na alavancagem financeira
Outro ponto relevante do balanço é a evolução da estrutura de capital da Motiva. A empresa está em processo de venda de seus ativos aeroportuários para a mexicana Asur, em uma operação avaliada em R$ 11,5 bilhões. A transação é vista pelo mercado como estratégica, ao permitir a redução de exposição a um segmento mais volátil e intensivo em capital.
Ao final de 2025, a alavancagem financeira ajustada da companhia ficou em 3,6 vezes, acima das 3,3 vezes registradas no encerramento de 2024. Na comparação com o terceiro trimestre, no entanto, o indicador permaneceu estável, refletindo a contribuição de caixa das novas concessões e a otimização do portfólio.
A expectativa é que a conclusão da venda dos aeroportos contribua para reduzir gradualmente a alavancagem, abrindo espaço para novos investimentos e distribuição de valor aos acionistas, sem comprometer a saúde financeira da companhia.
Mercado reage positivamente aos resultados
O desempenho acima das expectativas reforçou a percepção positiva do mercado em relação à Motiva. O crescimento consistente do lucro da Motiva no 4º trimestre, aliado à expansão de margens e à melhora da qualidade dos ativos, tende a fortalecer a tese de investimento no papel, especialmente entre investidores com foco em infraestrutura e geração de caixa recorrente.
Analistas destacam que a companhia demonstra maior previsibilidade de resultados e menor exposição a riscos regulatórios, fatores cruciais para o valuation no setor de concessões. A entrega de resultados sólidos em um período de transição estratégica também aumenta a credibilidade da administração junto ao mercado.
Infraestrutura, eficiência e geração de valor no centro da estratégia
O balanço do quarto trimestre de 2025 posiciona a Motiva como um dos principais cases de reestruturação bem-sucedida no setor de infraestrutura brasileiro. A combinação de desinvestimentos seletivos, renegociação de contratos, controle rigoroso de custos e expansão em ativos estratégicos sustenta uma trajetória de crescimento mais equilibrada.
O lucro da Motiva no 4º trimestre não deve ser interpretado como um evento isolado, mas como parte de um movimento mais amplo de transformação operacional e financeira. A empresa encerra o ano com um portfólio mais enxuto, margens mais altas e uma estratégia clara de longo prazo.
Perspectivas para a Motiva após resultados recordes
Com a consolidação do novo modelo operacional, a Motiva entra em 2026 com perspectivas mais favoráveis. A maturação das novas concessões, a conclusão da venda dos aeroportos e a continuidade da disciplina de custos devem sustentar a rentabilidade e fortalecer a geração de caixa.
O mercado seguirá atento à execução da estratégia, à evolução da alavancagem e à capacidade da empresa de capturar ganhos adicionais de eficiência. Se mantiver o ritmo observado no lucro da Motiva no 4º trimestre, a companhia tende a se consolidar como uma referência em gestão de concessões no Brasil, com impactos positivos para acionistas e para o setor de infraestrutura como um todo.









