TSE retoma julgamento sobre cassação de Jorge Seif e pode redefinir representação de Santa Catarina no Senado
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) retoma nesta terça-feira, 10 de fevereiro, o julgamento do processo que pode resultar na cassação de Jorge Seif, senador eleito por Santa Catarina pelo PL. A ação investiga suposto abuso de poder econômico durante a campanha eleitoral de 2022 e voltou à pauta após sucessivos adiamentos desde abril do ano passado.
O caso é acompanhado de perto por lideranças políticas, juristas e pelo mercado institucional, uma vez que a eventual cassação de Jorge Seif pode provocar impactos relevantes no cenário político catarinense e nacional. A sessão está marcada para as 19h, no plenário da Corte, em Brasília, e será conduzida pelos sete ministros que integram o tribunal.
Para escapar da perda do mandato, o senador precisa obter ao menos quatro votos favoráveis. Caso contrário, o TSE poderá decidir não apenas pela cassação de Jorge Seif, mas também sobre a forma de recomposição da vaga no Senado, o que inclui desde a posse de suplente até a convocação de novas eleições.
Julgamento no TSE entra em fase decisiva após sucessivos adiamentos
O processo que analisa a cassação de Jorge Seif teve início ainda em 2023, mas começou a ser efetivamente julgado pelo TSE em abril de 2024. Desde então, a análise foi interrompida três vezes, o que ampliou a expectativa em torno da retomada do julgamento.
A demora na conclusão do caso elevou a tensão política em Santa Catarina, estado que pode ter sua representação no Senado alterada a depender do desfecho. A retomada da sessão marca, portanto, um momento decisivo para o futuro político do parlamentar e para a configuração do resultado das eleições de 2022.
No ambiente jurídico, a avaliação é de que o TSE busca encerrar um processo sensível, que envolve figuras de destaque do empresariado e coloca novamente em debate os limites entre atuação empresarial e campanha eleitoral.
Entenda o que está em jogo na possível cassação de Jorge Seif
A cassação de Jorge Seif está sendo analisada a partir de uma ação que apura abuso de poder econômico e uso indevido de meios de comunicação e estruturas empresariais durante a campanha. A acusação sustenta que a candidatura teria sido beneficiada por recursos e apoios que extrapolariam os limites legais.
Caso o TSE acolha as acusações, Seif pode perder o mandato e ficar sujeito às penalidades previstas na legislação eleitoral. O tribunal também deverá decidir se haverá simples reconfiguração do resultado eleitoral ou se será necessária a realização de uma eleição suplementar para o Senado em Santa Catarina.
Se, por outro lado, o senador for absolvido, o processo será arquivado, encerrando definitivamente a discussão judicial sobre a cassação de Jorge Seif.
Ação foi rejeitada no TRE-SC, mas avançou no TSE
Antes de chegar ao Tribunal Superior Eleitoral, a ação que pede a cassação de Jorge Seif foi analisada pelo Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina (TRE-SC). Na ocasião, o processo foi julgado improcedente por unanimidade, o que garantiu a manutenção do mandato do senador em primeira instância.
Inconformada com a decisão, a coligação autora da ação — formada por Patriota, PSD e União Brasil — recorreu ao TSE. O recurso ganhou força após a Procuradoria-Geral Eleitoral emitir parecer favorável à cassação e à realização de novo pleito, reforçando o entendimento de que houve irregularidades relevantes na campanha.
Esse parecer é considerado um dos pontos centrais do processo e pesa significativamente na análise dos ministros, aumentando as chances de um desfecho desfavorável ao parlamentar.
Acusações envolvem uso de helicóptero e estrutura empresarial
Entre os principais pontos levantados no processo que pode levar à cassação de Jorge Seif estão a suposta cessão de um helicóptero por um empresário do setor da construção civil, o uso da estrutura da rede varejista Havan durante o período eleitoral e o financiamento irregular de propaganda por um sindicato ligado ao setor calçadista.
Segundo a acusação, esses recursos teriam sido utilizados de forma coordenada para impulsionar a candidatura, configurando abuso de poder econômico. O argumento central é que tais práticas teriam desequilibrado a disputa eleitoral, beneficiando indevidamente o então candidato.
Além de Seif, também figuram como réus os suplentes da chapa e empresários apontados como beneficiários diretos da candidatura.
Luciano Hang volta ao centro do debate eleitoral no TSE
Um dos nomes mais citados no processo da cassação de Jorge Seif é o do empresário Luciano Hang, proprietário da rede Havan. Ele é acusado de ter colocado a estrutura da empresa a serviço da campanha, o que é vedado pela legislação eleitoral.
O peso das acusações aumenta pelo fato de Luciano Hang já ter sido declarado inelegível pelo próprio TSE em 2023, em julgamento envolvendo condutas semelhantes. Esse precedente é visto como um elemento que pode influenciar o voto dos ministros no caso atual.
Para especialistas, a reincidência de práticas associadas ao uso de poder econômico empresarial em campanhas eleitorais reforça a tese de que o tribunal pode adotar uma postura mais rigorosa.
Relator retoma voto e define próximos passos do julgamento
O julgamento da cassação de Jorge Seif será retomado com o voto do relator, ministro Floriano de Azevedo Marques, do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Seu posicionamento é aguardado com expectativa, pois tende a balizar o entendimento dos demais ministros.
A partir do voto do relator, o plenário do TSE deverá discutir os cenários possíveis para o desfecho do caso. Entre eles estão a cassação com posse de suplente, a recontagem dos votos das eleições de 2022 ou a convocação de um novo pleito para o Senado em Santa Catarina.
A definição desse caminho terá efeitos diretos sobre a estabilidade política no estado e sobre o equilíbrio de forças no Senado Federal.
Possíveis impactos políticos da cassação de Jorge Seif
A eventual cassação de Jorge Seif pode provocar uma reconfiguração relevante no cenário político catarinense. Santa Catarina passaria por um período de indefinição institucional, especialmente se o TSE optar por convocar novas eleições.
No plano nacional, a perda do mandato também teria reflexos sobre a bancada do PL no Senado, alterando o equilíbrio partidário em votações estratégicas. Por isso, o julgamento é acompanhado com atenção não apenas por lideranças regionais, mas também por articulações em Brasília.
Independentemente do resultado, o caso reforça o papel do TSE como instância central na fiscalização do processo eleitoral.
Julgamento pode estabelecer novo marco sobre abuso de poder econômico
Mais do que decidir sobre a cassação de Jorge Seif, o julgamento pode estabelecer parâmetros importantes sobre o uso de estruturas empresariais em campanhas eleitorais. A Corte vem sendo chamada, nos últimos anos, a definir limites mais claros entre apoio político e interferência econômica indevida.
Uma decisão pela cassação reforçaria a jurisprudência de tolerância zero a práticas que comprometam a igualdade de condições entre candidatos. Já uma absolvição pode sinalizar a necessidade de critérios mais objetivos para caracterizar o abuso de poder econômico.
O resultado, portanto, tende a repercutir além do caso concreto.
TSE decide futuro político de Santa Catarina nesta terça-feira
A retomada do julgamento coloca o TSE no centro das atenções ao decidir o futuro político de Santa Catarina no Senado. A cassação de Jorge Seif ou sua absolvição encerrará um dos processos eleitorais mais sensíveis dos últimos anos, envolvendo poder econômico, grandes empresários e o equilíbrio democrático do pleito.
Com expectativa de julgamento ainda nesta semana, o desfecho do caso deve ganhar ampla repercussão nacional e influenciar o debate sobre integridade eleitoral no Brasil.









