Balanços do 4T25 movimentam mercado com lucro recorde do Inter&Co, rebaixamento da Raízen e virada da Suzano
Os balanços do 4T25 concentraram as atenções do mercado nesta quarta-feira (11), em uma sessão marcada por forte fluxo de notícias corporativas e revisões de expectativas. Inter&Co (INBR32), Klabin (KLBN11), Raízen (RAIZ4), TIM (TIMS3), Suzano (SUZB3), Smart Fit (SMFT3), Agibank, BRB e banco BV divulgaram resultados ou comunicados estratégicos que mexeram com a percepção de risco e retorno na B3.
O conjunto de informações revela um cenário heterogêneo. Enquanto instituições financeiras digitais reportaram expansão relevante de lucro e rentabilidade, empresas ligadas à indústria de base enfrentaram pressões operacionais e desafios financeiros. Já no setor de energia e combustíveis, o rebaixamento de rating trouxe alerta adicional ao mercado.
A temporada de balanços do 4T25 reforça a importância da análise detalhada de fundamentos em um ambiente ainda marcado por juros elevados e seletividade por parte dos investidores.
Inter&Co (INBR32) registra lucro recorde e anuncia dividendos
Entre os destaques positivos dos balanços do 4T25, a Inter&Co reportou lucro líquido recorde de R$ 402 milhões no quarto trimestre, alta de 36,4% na comparação anual e avanço de 13% frente ao trimestre anterior.
O lucro após minoritários também atingiu patamar histórico, somando R$ 374 milhões. No acumulado de 2025, o lucro líquido alcançou R$ 1,3 bilhão, crescimento de 44,7% em relação ao ano anterior.
O ROE atingiu 15,9% no trimestre, reforçando a trajetória de ganho de eficiência operacional. Excluindo minoritários, o indicador ficou em 15,1%.
Nos balanços do 4T25, o anúncio de dividendos também chamou atenção. O conselho aprovou distribuição de US$ 0,113101823 por ação ordinária, com pagamento previsto para março de 2026. Para detentores de BDRs, o valor estimado em reais é de R$ 0,594689388 por BDR, considerando a PTAX de R$ 5,2580.
A consistência apresentada pelo Inter&Co nos balanços do 4T25 reforça a consolidação do banco digital como player relevante no sistema financeiro.
Klabin (KLBN11) vê lucro cair 69%
No setor industrial, os balanços do 4T25 mostraram cenário mais desafiador para a Klabin. A companhia registrou lucro líquido de R$ 168 milhões no trimestre, queda de 69% em relação ao mesmo período de 2024.
O Ebitda ajustado ficou em R$ 1,83 bilhão, praticamente estável na base anual, com margem de 35%. A receita líquida recuou 2%, para R$ 5,17 bilhões, enquanto o volume de vendas avançou 1%.
A dívida líquida caiu 22% em relação ao ano anterior, encerrando dezembro em R$ 25,9 bilhões. Apesar da melhora no endividamento, o desempenho operacional nos balanços do 4T25 ficou abaixo das expectativas médias do mercado.
Raízen (RAIZ4) sofre rebaixamento de rating
Entre os pontos de maior sensibilidade nos balanços do 4T25, a Raízen enfrentou rebaixamento de rating pela Moody’s Local Brasil, de ‘AAA.Br’ para ‘CCC+.Br’, com perspectiva em revisão para novo rebaixamento.
A agência destacou que a empresa contratou assessores financeiros e legais para avaliar alternativas de fortalecimento de liquidez e otimização da estrutura de capital.
Nos balanços do 4T25, o movimento adiciona pressão adicional sobre a companhia, em um contexto de alavancagem elevada e desafios operacionais no setor de energia.
TIM (TIMS3) avança com lucro e amplia presença em fibra
Os balanços do 4T25 também trouxeram desempenho robusto da TIM. O lucro líquido normalizado cresceu 27,9%, atingindo R$ 1,349 bilhão.
O Ebitda normalizado avançou 9,7%, para R$ 3,672 bilhões, com margem recorde de 53,1%. A receita líquida subiu 4,4%, somando R$ 6,920 bilhões.
A operadora anunciou ainda a aquisição dos 51% restantes da I-Systems por R$ 950 milhões, tornando-se detentora de 100% da empresa de rede neutra. O movimento estratégico fortalece a presença da TIM no segmento de fibra óptica.
Os balanços do 4T25 confirmam a expansão da operadora no segmento pós-pago e ganhos de eficiência operacional.
Suzano (SUZB3) reverte prejuízo bilionário
Outro destaque relevante nos balanços do 4T25 foi a Suzano. A companhia reportou lucro líquido de R$ 116 milhões no trimestre, revertendo prejuízo de R$ 6,737 bilhões registrado no mesmo período de 2024.
O Ebitda ajustado recuou 14%, para R$ 5,5 bilhões, enquanto a receita líquida caiu 8%, para R$ 13,114 bilhões.
A dívida líquida em dólar encerrou o período em US$ 12,6 bilhões, com alavancagem de 3,2 vezes. A reversão do prejuízo foi bem recebida no contexto dos balanços do 4T25, embora o cenário global de celulose siga volátil.
Smart Fit (SMFT3) anuncia mudanças na liderança
Nos balanços do 4T25, a Smart Fit comunicou mudanças relevantes na governança. Edgard Corona deixou a presidência-executiva para assumir exclusivamente a presidência do conselho.
Diogo Corona foi indicado para a presidência-executiva, enquanto José Rizzardo Pereira assumirá como CFO.
A transição reforça o processo de planejamento sucessório e consolidação de governança, aspecto cada vez mais monitorado por investidores institucionais durante a temporada de balanços do 4T25.
Agibank realiza IPO nos Estados Unidos
Os balanços do 4T25 coincidem com a estreia do Agibank no mercado norte-americano. A instituição levantou US$ 276 milhões em IPO, com preço final de US$ 12 por ação.
O valor ficou abaixo da faixa inicialmente prevista, refletindo ambiente mais cauteloso para fintechs no exterior. Ainda assim, a captação reforça a estratégia de crescimento internacional.
Banco BV e BRB também divulgam resultados
Nos balanços do 4T25, o banco BV registrou lucro líquido recorrente de R$ 465 milhões, queda de 14,2% na base anual.
A carteira de crédito cresceu 7,9%, com destaque para financiamento de veículos, que atingiu R$ 54,7 bilhões.
Já o BRB anunciou nova diretora jurídica, em meio a processo de reorganização administrativa iniciado após mudanças na presidência em 2025.
Temporada de balanços redefine percepção de risco na B3
A leitura consolidada dos balanços do 4T25 evidencia um mercado seletivo. Bancos digitais e telecom mostram resiliência e expansão de margens, enquanto setores industriais e de energia enfrentam maior pressão.
Para investidores, a temporada reforça a necessidade de análise criteriosa de fundamentos, geração de caixa, alavancagem e governança.
Os balanços do 4T25 funcionam como termômetro do encerramento de 2025 e ajudam a calibrar expectativas para 2026, especialmente em um ambiente de política monetária ainda restritiva e maior escrutínio sobre qualidade de crédito.









