Assaí (ASAI3) lidera altas do Ibovespa mesmo com queda no lucro e mantém perspectivas positivas
As ações do Assaí (ASAI3) protagonizam os maiores ganhos do Ibovespa nesta quinta-feira (22), avançando 8,13% e negociadas a R$ 9,98 por volta das 13h, mesmo após a divulgação de resultados financeiros do quarto trimestre de 2025 (4T25) que apontaram queda no lucro líquido. O desempenho das ações mostra a confiança do mercado na capacidade da rede de supermercados em manter fluxo de caixa robusto e desalavancagem consistente, apesar de desafios macroeconômicos que afetaram o consumo no país.
Resultados financeiros do 4T25: queda no lucro, receita em crescimento modesto
No último trimestre de 2025, o Assaí reportou lucro líquido de R$ 347 milhões, uma redução de 26,8% frente ao mesmo período do ano anterior. A receita bruta chegou a R$ 22,8 bilhões, registrando um aumento discreto de 3,4% comparado ao 4T24. O desempenho reflete um cenário de juros elevados, o mais alto dos últimos 20 anos, que impactou diretamente o poder de compra das classes de menor renda e mais endividadas, enquanto o consumo das classes de maior renda se manteve em expansão.
No acumulado de 2025, as vendas totais atingiram R$ 84,7 bilhões, com crescimento de 5,2% em relação ao ano anterior. Apesar da desaceleração no lucro, o Assaí conseguiu reduzir sua dívida líquida em R$ 1,2 bilhão, sustentada por uma geração de caixa livre de R$ 2,8 bilhões, um dos destaques positivos do trimestre.
Análise de mercado: visão de analistas sobre ASAI3
Os resultados do Assaí foram amplamente antecipados pelos analistas, evitando grandes surpresas no mercado. Para o BTG Pactual, o trimestre apresentou desaceleração nas vendas, mas compensada por uma geração de caixa mais robusta. O crescimento de vendas mesmas lojas (SSS) foi considerado fraco, pressionado por deflação em categorias estratégicas, mas a evolução da margem bruta e a maturação das lojas convertidas trouxeram sinais positivos.
O EBITDA, embora ligeiramente abaixo das estimativas do BTG, reforçou a leitura construtiva sobre fluxo de caixa, consolidando a estratégia de desalavancagem da empresa. O banco manteve recomendação de compra para ASAI3, com preço-alvo de R$ 14 para os próximos 12 meses.
O Itaú BBA, por sua vez, considerou os resultados negativos, mas destacou que o crédito tributário deve ser um fator de impulso para as ações. Os analistas reforçaram que os resultados vieram praticamente em linha com o esperado, e a principal preocupação ainda reside nas vendas mesmas lojas, que, embora tenham acelerado na comparação sequencial, ficaram abaixo da inflação de alimentos.
Perspectivas do Assaí e comportamento do investidor
Apesar da redução no lucro líquido, o mercado reagiu positivamente aos indicadores de fluxo de caixa e desalavancagem da companhia, refletindo confiança dos investidores na capacidade do Assaí de enfrentar a alta taxa de juros e um ambiente de consumo desafiador. A combinação de geração de caixa consistente e redução da dívida líquida sugere que a companhia está fortalecendo sua posição financeira, aumentando a segurança para acionistas e investidores de longo prazo.
O preço-alvo mantido pelos analistas do BTG e do Itaú BBA reforça a visão de que ASAI3 ainda possui potencial de valorização, mesmo diante do cenário de crescimento modesto da receita e das vendas. O interesse do mercado nas ações também é impulsionado pela percepção de que a rede varejista possui espaço para expansão e consolidação, com lojas convertidas amadurecendo e potencial de melhoria de margem.
Impacto macroeconômico sobre o setor varejista
O cenário econômico brasileiro, marcado por juros elevados e inflação persistente, tem impacto direto sobre o consumo, especialmente nas classes de menor renda, que são mais sensíveis a endividamento e poder de compra. Para o Assaí, que atende uma base ampla de consumidores, a desaceleração nas vendas mesmas lojas reflete essa pressão, mas a capacidade de gerar caixa livre e reduzir dívida oferece uma compensação estratégica importante.
Especialistas em mercado destacam que a gestão eficiente de custos, investimentos em maturação de lojas e foco na eficiência operacional tornam o Assaí mais resiliente a choques macroeconômicos. Essa resiliência é um fator determinante para que os papéis da companhia liderem as altas do Ibovespa, mesmo diante de resultados financeiros pressionados.
O papel da gestão e estratégias de expansão
A estratégia do Assaí, voltada para maturação de lojas e crescimento controlado, contribui para estabilidade operacional. O acompanhamento de vendas mesmas lojas permite avaliar de forma precisa a performance do varejo, identificando categorias que necessitam de ajustes e áreas com potencial de crescimento.
A gestão também foca na redução de dívida e manutenção de fluxo de caixa saudável, fatores que são cada vez mais valorizados pelos investidores em um ambiente de taxa de juros elevada. A combinação de disciplina financeira e visão estratégica consolida a confiança do mercado e sustenta a valorização das ações ASAI3.
Valorização das ações e recomendações de analistas
O movimento de valorização de ASAI3, liderando as altas do Ibovespa, demonstra que o mercado reage não apenas aos números absolutos, mas à consistência da execução estratégica da companhia. O preço-alvo de R$ 14 pelo BTG e R$ 10 pelo Itaú BBA reforça a perspectiva de crescimento potencial das ações, mesmo que o lucro líquido tenha registrado queda no 4T25.
Analistas destacam que a atenção deve continuar voltada para o desempenho das vendas mesmas lojas, a evolução da margem bruta e o impacto de créditos tributários e desalavancagem na valorização futura dos papéis.
Assaí no contexto do varejo brasileiro
O cenário do varejo no Brasil enfrenta desafios macroeconômicos significativos, mas empresas como o Assaí demonstram que uma gestão disciplinada, combinada com estratégias de expansão cuidadosas, pode gerar resultados sólidos e atrair investidores. O desempenho das ações ASAI3 no Ibovespa reflete essa confiança do mercado, reforçando que a companhia mantém capacidade de crescimento e resiliência diante de pressões externas.
Mesmo com lucro líquido em queda, a liderança nas altas do índice evidencia que os investidores valorizam fluxo de caixa consistente, desalavancagem e estratégias de longo prazo que podem sustentar a performance das ações ao longo de 2026 e além.
O caso do Assaí ilustra como o mercado reage de forma mais ampla a indicadores de saúde financeira e execução estratégica, e não apenas aos números trimestrais de lucro. Essa perspectiva reforça a importância de olhar para fundamentos e capacidade de gestão ao avaliar ações no Ibovespa.









