Revisão de Rating da Cosan (CSAN3): S&P Coloca Perspectiva em Negativa Após Reestruturação da Raízen (RAIZ4)
A agência de classificação de risco S&P Global Ratings revisou nesta quinta-feira (12) a perspectiva para a Cosan (CSAN3) de estável para negativa, em razão dos efeitos da potencial reestruturação da dívida da Raízen (RAIZ4), joint venture entre a Cosan e a Shell. Apesar da alteração na perspectiva, o rating ‘BB’ da Cosan (CSAN3) foi mantido, refletindo a capacidade da empresa de honrar compromissos de curto prazo.
O movimento da S&P acompanha o recente rebaixamento da Raízen (RAIZ4), anunciado na segunda-feira (9), quando a agência ajustou a nota da joint venture para ‘CCC+’, colocando as classificações em observação com implicações negativas. Essa decisão decorre da maior probabilidade de reestruturação da dívida da RAIZ4, que contratou recentemente assessores financeiros e jurídicos para avaliar alternativas de otimização da estrutura de capital e da liquidez.
Impactos da Reestruturação da RAIZ4 na Cosan (CSAN3)
De acordo com a S&P, embora não se espere impacto imediato de vencimentos cruzados ou pressão de caixa sobre a Cosan (CSAN3), existem riscos potenciais ligados à reestruturação da dívida da RAIZ4 que podem afetar a flexibilidade financeira da companhia. “Riscos relacionados à reestruturação da dívida de sua joint venture podem surgir, potencialmente enfraquecendo a flexibilidade financeira da Cosan (CSAN3)”, afirmam os analistas.
A perspectiva negativa também leva em conta incertezas quanto à estrutura de capital da RAIZ4 e ao efeito sobre a percepção de investidores e do mercado. A S&P destacou padrões de governança mais frágeis, especialmente em relação a políticas pouco claras adotadas pela RAIZ4.
Por outro lado, os analistas reforçam que os impactos imediatos sobre a Cosan (CSAN3) são limitados, sinalizando que a empresa mantém liquidez operacional suficiente para honrar compromissos no curto prazo, mesmo diante de uma possível reestruturação da RAIZ4.
Reação do Mercado e Desempenho das Ações CSAN3
O anúncio da revisão de perspectiva refletiu diretamente no desempenho das ações da Cosan (CSAN3). Por volta das 16h20 (horário de Brasília), os papéis caíam 2,82%, negociados a R$ 6,20, em reação à maior percepção de risco sobre a RAIZ4.
Especialistas destacam que a volatilidade das ações CSAN3 deve se manter até que a Cosan (CSAN3) apresente resultados concretos da reestruturação da RAIZ4, com atenção especial à governança, liquidez e capacidade de pagamento da joint venture.
Situação Financeira da Raízen (RAIZ4)
A RAIZ4 enfrenta cenário de elevado endividamento, com dívida líquida atingindo R$ 53,4 bilhões no segundo trimestre da safra 2025/26, aumento de 48,8% em relação ao ano anterior. A empresa sofreu uma série de rebaixamentos de nota de crédito, reforçando desafios de liquidez e estruturação de capital.
Para mitigar riscos, a RAIZ4 contratou a Rothschild & Co como assessora financeira, além dos escritórios Pinheiro Neto Advogados e Cleary Gottlieb Steen & Hamilton LLP como assessores legais. Segundo comunicado da RAIZ4, os assessores iniciaram avaliação de alternativas econômico-financeiras preliminares, em caráter exploratório, alinhadas às melhores práticas de governança e mercado.
Nesta quinta-feira (12), a RAIZ4 divulgou seus resultados referentes ao terceiro trimestre da safra 2025/2026 (3T26), período que detalha indicadores de receita, endividamento e desempenho operacional, elementos que devem influenciar diretamente a percepção de risco da Cosan (CSAN3) no mercado.
Relevância da Revisão de Rating da Cosan (CSAN3)
A revisão de rating da Cosan (CSAN3) pela S&P é um alerta para investidores, pois sinaliza maior risco percebido devido à dependência da saúde financeira da RAIZ4. O rating ‘BB’ com perspectiva negativa indica que qualquer deterioração adicional na RAIZ4 pode levar a um rebaixamento futuro da Cosan (CSAN3), impactando custo de capital, confiança de investidores e condições de crédito.
Especialistas apontam que a situação reforça a importância da governança corporativa e da gestão prudente de dívidas, sobretudo em conglomerados que operam em setores cíclicos, como energia, etanol e combustíveis, nos quais a RAIZ4 atua intensamente.
Estratégias e Perspectivas da Cosan (CSAN3)
Analistas indicam que, para mitigar riscos relacionados à RAIZ4, a Cosan (CSAN3) precisará diversificar fontes de receita, reduzir exposição a dívidas de alto custo e fortalecer liquidez. A companhia já adota medidas para consolidar operações, aprimorar governança e manter capital de giro adequado, mas o contexto da RAIZ4 adiciona complexidade estratégica.
Investidores acompanham de perto, considerando que decisões sobre reestruturação de dívida, alocação de capital e eventuais aportes financeiros podem impactar rentabilidade e sustentabilidade de longo prazo da Cosan (CSAN3).
Implicações para o Mercado Financeiro
A revisão de rating da Cosan (CSAN3) também afeta o mercado financeiro brasileiro. Ratings mais baixos elevam custo de financiamento e podem gerar volatilidade nos papéis CSAN3 na B3. Fundos que seguem critérios de rating podem ajustar posições, criando pressões sobre o preço das ações.
Especialistas destacam que o acompanhamento da evolução da RAIZ4 será crucial para entender riscos no setor de energia e logística, dada a importância estratégica de etanol e combustíveis na economia brasileira.
Governança e Avaliação de Riscos da RAIZ4
A S&P sublinha que a revisão de perspectiva reflete preocupações sobre padrões de governança da RAIZ4, incluindo transparência limitada nas políticas financeiras e comunicação com investidores. Para a Cosan (CSAN3), isso reforça a necessidade de mecanismos robustos de governança, compliance e gestão de riscos financeiros, garantindo confiança de acionistas e investidores institucionais.
O mercado observa atentamente a capacidade da Cosan (CSAN3) de manter disciplina financeira e comunicar de forma clara seus planos estratégicos, assegurando estabilidade durante a reestruturação da RAIZ4.









