Isenção do IR até 5 mil: pesquisa revela que 67% dos brasileiros não sentiram benefícios da medida
Uma pesquisa recente da Quaest, divulgada nesta quinta-feira (12), mostra que a nova isenção do IR até 5 mil ainda não impactou a maior parte dos brasileiros da forma esperada. Segundo o levantamento, 67% dos entrevistados afirmam que não foram beneficiados diretamente pela mudança, enquanto apenas 30% relataram algum ganho com a medida.
O estudo revela ainda nuances importantes sobre os efeitos da medida na renda familiar e na percepção da população sobre a política tributária adotada pelo governo federal. Com dados coletados entre os dias 5 e 9 de fevereiro, a pesquisa ouviu 2.004 brasileiros com 16 anos ou mais, com margem de erro de 2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
Percentual de beneficiados: dados da pesquisa Quaest
A pesquisa perguntou aos participantes se a isenção do IR até 5 mil havia beneficiado diretamente eles ou suas famílias. Os resultados apontaram que:
| Resposta | Percentual |
|---|---|
| Beneficiou | 30% |
| Não beneficiou | 67% |
| Não sabe / não respondeu | 3% |
Apesar de uma parcela significativa ter percebido alguma vantagem, a maioria ainda sente que a medida não gerou mudanças concretas em sua renda. Especialistas afirmam que isso se deve, em parte, à forma como o benefício foi implementado e às expectativas criadas antes da entrada em vigor da lei.
Impacto na renda familiar
Quando questionados sobre o impacto da isenção do IR até 5 mil na renda familiar, os resultados foram mais detalhados. Dos entrevistados:
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15% relataram aumento significativo da renda em janeiro, primeiro mês de vigência da medida.
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32% disseram que houve aumento, mas de forma moderada.
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50% afirmaram que não sentiram diferença.
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3% não souberam ou não responderam.
Esses números indicam que, embora haja benefícios para uma parcela dos contribuintes, metade da população ainda não percebeu efeitos tangíveis na renda doméstica.
Como funciona a isenção do IR até 5 mil
A medida, sancionada pelo presidente Lula (PT) e aprovada pelo Congresso Nacional, entrou em vigor em janeiro deste ano. Ela prevê que contribuintes com renda mensal de até R$ 5 mil (equivalente a R$ 60 mil por ano) estão isentos do pagamento do Imposto de Renda (IR).
Antes de entrar em vigor, a expectativa era que trabalhadores dentro dessa faixa salarial ganhassem aproximadamente R$ 312,89 a mais na renda mensal, considerando o desconto do imposto. O economista Bruno Carazza, doutor em Direito Econômico pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e comentarista do Jornal da Globo, estima que cerca de 15 milhões de contribuintes se beneficiam diretamente da medida.
Além da isenção para quem ganha até R$ 5 mil, a lei estabelece desconto progressivo para contribuintes que recebem até R$ 7.350 mensais, mantendo a tributação tradicional para quem ultrapassa esse valor. Quem ganha acima de R$ 7.350 por mês continua pagando a alíquota máxima de 27,5%.
Tributação de alta renda: quem arca com o custo da medida
Para compensar a renúncia fiscal da faixa até R$ 5 mil, a lei também prevê cobrança sobre os contribuintes de alta renda com ganhos acima de R$ 600 mil anuais. A tributação é aplicada de forma progressiva sobre o valor que exceder o limite, com alíquotas mínimas quase simbólicas, mas que se tornam relevantes para quem recebe salários elevados.
Por exemplo:
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Quem ganha R$ 600.001,00 paga cerca de R$ 0,10, com alíquota de 0,000017%.
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Quem recebe R$ 615 mil anuais terá alíquota de 0,25%, resultando em imposto mínimo de R$ 1.537,50.
Carazza calcula que um grupo estimado entre 140 mil e 150 mil pessoas — aquelas que recebem mais de R$ 50 mil por mês — será impactado e contribuirá para custear parcialmente a isenção do IR até 5 mil.
Expectativas x realidade: percepção da população
A expectativa inicial em torno da isenção do IR até 5 mil gerou otimismo entre trabalhadores da faixa salarial contemplada, que antecipavam aumento significativo na renda familiar. No entanto, a pesquisa da Quaest evidencia que, na prática, o efeito imediato ainda é limitado para a maioria.
Alguns especialistas apontam que fatores como gastos essenciais, inflação e ajustes no orçamento doméstico podem diluir a percepção de aumento de renda, mesmo que o trabalhador tenha um ganho direto no contracheque. Além disso, há uma parcela da população que não está enquadrada na faixa de isenção, o que explica o percentual elevado de pessoas que não sentiram benefícios.
Análise econômica: impactos no mercado e na arrecadação
A medida de isenção do IR até 5 mil tem impacto direto em políticas de consumo e poder aquisitivo da população. Economistas afirmam que o aumento da renda disponível, mesmo que parcial, pode estimular o consumo, movimentando o comércio e setores de serviços, especialmente entre famílias de baixa e média renda.
Do ponto de vista fiscal, a política representa renúncia de arrecadação, mas o governo espera que o efeito multiplicador na economia ajude a compensar parcialmente essa perda. Para contribuintes de alta renda, a cobrança progressiva sobre ganhos superiores a R$ 600 mil reforça o caráter redistributivo da medida.
Cronologia da implementação
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Janeiro de 2026: Medida entra em vigor, isentando contribuintes com renda mensal de até R$ 5 mil.
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Primeiro mês (janeiro): Expectativa de aumento médio de R$ 312,89 na renda mensal de beneficiários.
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Fevereiro de 2026: Pesquisa Quaest revela percepção da população sobre os efeitos da isenção: 67% não sentiram impacto direto.
Essa cronologia evidencia que, mesmo com a sanção da lei e início da aplicação, a população ainda está assimilando os efeitos da política tributária.
Considerações sobre a política tributária
A isenção do IR até 5 mil insere-se em um contexto de reformas tributárias que buscam aumentar a justiça fiscal e reduzir a desigualdade de renda. A medida atende diretamente a milhões de contribuintes de baixa e média renda, ao mesmo tempo em que mantém a tributação progressiva para quem recebe salários elevados.
O governo federal, ao sancionar a lei, buscou equilibrar estímulo econômico com responsabilidade fiscal, adotando alíquotas mínimas simbólicas para os mais ricos e isenção para a faixa popular. Essa estratégia, segundo analistas, pode ter efeitos positivos no médio prazo sobre consumo, emprego e investimentos.
Tabela resumo da isenção do IR até 5 mil
| Faixa salarial | Alíquota | Benefício estimado |
|---|---|---|
| Até R$ 5.000/mês | 0% | Até R$ 312,89/mês |
| R$ 5.001 a R$ 7.350 | Desconto progressivo | Variável |
| Acima de R$ 7.350 | 27,5% | Sem alteração |
| Acima de R$ 600 mil/ano | Progressiva | R$ 0,10 a R$ 1.537,50 |






