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Isenção do IR até 5 mil: 67% dos brasileiros não foram beneficiados, diz pesquisa Quaest

por Camila Braga
12/02/2026 às 18h20
em Economia
Isenção Do Ir Até 5 Mil: 67% Dos Brasileiros Não Foram Beneficiados, Diz Pesquisa Quaest - Gazeta Mercantil

Isenção do IR até 5 mil: pesquisa revela que 67% dos brasileiros não sentiram benefícios da medida

Uma pesquisa recente da Quaest, divulgada nesta quinta-feira (12), mostra que a nova isenção do IR até 5 mil ainda não impactou a maior parte dos brasileiros da forma esperada. Segundo o levantamento, 67% dos entrevistados afirmam que não foram beneficiados diretamente pela mudança, enquanto apenas 30% relataram algum ganho com a medida.

O estudo revela ainda nuances importantes sobre os efeitos da medida na renda familiar e na percepção da população sobre a política tributária adotada pelo governo federal. Com dados coletados entre os dias 5 e 9 de fevereiro, a pesquisa ouviu 2.004 brasileiros com 16 anos ou mais, com margem de erro de 2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.


Percentual de beneficiados: dados da pesquisa Quaest

A pesquisa perguntou aos participantes se a isenção do IR até 5 mil havia beneficiado diretamente eles ou suas famílias. Os resultados apontaram que:

Resposta Percentual
Beneficiou 30%
Não beneficiou 67%
Não sabe / não respondeu 3%

Apesar de uma parcela significativa ter percebido alguma vantagem, a maioria ainda sente que a medida não gerou mudanças concretas em sua renda. Especialistas afirmam que isso se deve, em parte, à forma como o benefício foi implementado e às expectativas criadas antes da entrada em vigor da lei.


Impacto na renda familiar

Quando questionados sobre o impacto da isenção do IR até 5 mil na renda familiar, os resultados foram mais detalhados. Dos entrevistados:

  • 15% relataram aumento significativo da renda em janeiro, primeiro mês de vigência da medida.

  • 32% disseram que houve aumento, mas de forma moderada.

  • 50% afirmaram que não sentiram diferença.

  • 3% não souberam ou não responderam.

Esses números indicam que, embora haja benefícios para uma parcela dos contribuintes, metade da população ainda não percebeu efeitos tangíveis na renda doméstica.


Como funciona a isenção do IR até 5 mil

A medida, sancionada pelo presidente Lula (PT) e aprovada pelo Congresso Nacional, entrou em vigor em janeiro deste ano. Ela prevê que contribuintes com renda mensal de até R$ 5 mil (equivalente a R$ 60 mil por ano) estão isentos do pagamento do Imposto de Renda (IR).

Antes de entrar em vigor, a expectativa era que trabalhadores dentro dessa faixa salarial ganhassem aproximadamente R$ 312,89 a mais na renda mensal, considerando o desconto do imposto. O economista Bruno Carazza, doutor em Direito Econômico pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e comentarista do Jornal da Globo, estima que cerca de 15 milhões de contribuintes se beneficiam diretamente da medida.

Além da isenção para quem ganha até R$ 5 mil, a lei estabelece desconto progressivo para contribuintes que recebem até R$ 7.350 mensais, mantendo a tributação tradicional para quem ultrapassa esse valor. Quem ganha acima de R$ 7.350 por mês continua pagando a alíquota máxima de 27,5%.


Tributação de alta renda: quem arca com o custo da medida

Para compensar a renúncia fiscal da faixa até R$ 5 mil, a lei também prevê cobrança sobre os contribuintes de alta renda com ganhos acima de R$ 600 mil anuais. A tributação é aplicada de forma progressiva sobre o valor que exceder o limite, com alíquotas mínimas quase simbólicas, mas que se tornam relevantes para quem recebe salários elevados.

Por exemplo:

  • Quem ganha R$ 600.001,00 paga cerca de R$ 0,10, com alíquota de 0,000017%.

  • Quem recebe R$ 615 mil anuais terá alíquota de 0,25%, resultando em imposto mínimo de R$ 1.537,50.

Carazza calcula que um grupo estimado entre 140 mil e 150 mil pessoas — aquelas que recebem mais de R$ 50 mil por mês — será impactado e contribuirá para custear parcialmente a isenção do IR até 5 mil.


Expectativas x realidade: percepção da população

A expectativa inicial em torno da isenção do IR até 5 mil gerou otimismo entre trabalhadores da faixa salarial contemplada, que antecipavam aumento significativo na renda familiar. No entanto, a pesquisa da Quaest evidencia que, na prática, o efeito imediato ainda é limitado para a maioria.

Alguns especialistas apontam que fatores como gastos essenciais, inflação e ajustes no orçamento doméstico podem diluir a percepção de aumento de renda, mesmo que o trabalhador tenha um ganho direto no contracheque. Além disso, há uma parcela da população que não está enquadrada na faixa de isenção, o que explica o percentual elevado de pessoas que não sentiram benefícios.


Análise econômica: impactos no mercado e na arrecadação

A medida de isenção do IR até 5 mil tem impacto direto em políticas de consumo e poder aquisitivo da população. Economistas afirmam que o aumento da renda disponível, mesmo que parcial, pode estimular o consumo, movimentando o comércio e setores de serviços, especialmente entre famílias de baixa e média renda.

Do ponto de vista fiscal, a política representa renúncia de arrecadação, mas o governo espera que o efeito multiplicador na economia ajude a compensar parcialmente essa perda. Para contribuintes de alta renda, a cobrança progressiva sobre ganhos superiores a R$ 600 mil reforça o caráter redistributivo da medida.


Cronologia da implementação

  • Janeiro de 2026: Medida entra em vigor, isentando contribuintes com renda mensal de até R$ 5 mil.

  • Primeiro mês (janeiro): Expectativa de aumento médio de R$ 312,89 na renda mensal de beneficiários.

  • Fevereiro de 2026: Pesquisa Quaest revela percepção da população sobre os efeitos da isenção: 67% não sentiram impacto direto.

Essa cronologia evidencia que, mesmo com a sanção da lei e início da aplicação, a população ainda está assimilando os efeitos da política tributária.


Considerações sobre a política tributária

A isenção do IR até 5 mil insere-se em um contexto de reformas tributárias que buscam aumentar a justiça fiscal e reduzir a desigualdade de renda. A medida atende diretamente a milhões de contribuintes de baixa e média renda, ao mesmo tempo em que mantém a tributação progressiva para quem recebe salários elevados.

O governo federal, ao sancionar a lei, buscou equilibrar estímulo econômico com responsabilidade fiscal, adotando alíquotas mínimas simbólicas para os mais ricos e isenção para a faixa popular. Essa estratégia, segundo analistas, pode ter efeitos positivos no médio prazo sobre consumo, emprego e investimentos.


Tabela resumo da isenção do IR até 5 mil

Faixa salarial Alíquota Benefício estimado
Até R$ 5.000/mês 0% Até R$ 312,89/mês
R$ 5.001 a R$ 7.350 Desconto progressivo Variável
Acima de R$ 7.350 27,5% Sem alteração
Acima de R$ 600 mil/ano Progressiva R$ 0,10 a R$ 1.537,50

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