Michelle Bolsonaro ameaça deixar PL e tensiona articulações políticas a sete meses das eleições
A possibilidade de Michelle Bolsonaro deixar o PL reacende disputas internas e expõe tensões inéditas no núcleo bolsonarista, a sete meses das eleições de 2026. A ex-primeira-dama enfrenta resistência em suas indicações estaduais e tem divergido abertamente da cúpula do partido, liderada por Valdemar Costa Neto, ampliando riscos de racha político em estados estratégicos como Santa Catarina e Ceará.
Conflito em Santa Catarina acirra disputa interna
Michelle Bolsonaro tem defendido publicamente nomes de aliadas, como Carol de Toni, deputada catarinense que recebeu apoio direto da ex-primeira-dama. A expectativa era que a parlamentar obtivesse vaga pelo PL. No entanto, o partido reservou o espaço para Carlos Bolsonaro, enquanto outra posição foi destinada a Esperidião Amin. A decisão contrariou acordos firmados e colocou Michelle em confronto direto com a liderança nacional.
Mesmo diante da orientação partidária, Michelle manteve campanha por Carol de Toni, reforçando sua influência política junto ao eleitorado evangélico e feminino conservador. A situação evidencia um poder paralelo dentro do PL, no qual Michelle mobiliza eleitores e articula candidaturas próprias, gerando tensão com os filhos do ex-presidente.
Ceará se torna segundo campo de batalha
No Ceará, Michelle busca viabilizar Priscila Costa, vice-presidente nacional do PL Mulher, para uma candidatura estadual. No entanto, o diretório local articulou aproximação com Ciro Gomes, incluindo negociações sobre composição de chapa. A iniciativa provocou críticas da ex-primeira-dama e repreensão pública por parte de familiares, mostrando que os embates internos não se limitam a Santa Catarina, mas se expandem para outros estados estratégicos.
Relação conturbada com Flávio Bolsonaro
O senador Flávio Bolsonaro estabeleceu limites claros sobre o comando político da família em reunião realizada em novembro. Michelle, que defendeu a união do grupo, recebeu advertência pública: “Quem fala em nome do meu pai sou eu”, declarou o senador. Esse episódio consolidou hierarquia e reduziu a autonomia política da ex-primeira-dama.
Outro incidente envolveu visitas à prisão do ex-presidente. Flávio teria recusado dividir horários com Michelle e familiares, afirmando que “não eram da família”, elevando a crise a um patamar sem precedentes dentro do clã Bolsonaro.
Afastamento de Michelle e especulações políticas
Michelle Bolsonaro cancelou eventos do PL Mulher em dezembro e suspendeu encontro nacional marcado no Rio, alegando problemas de saúde agravados pelo período de prisão do marido e “constantes injustiças contra a família”. Médicos recomendaram licença temporária, mas bastidores políticos indicam que o afastamento também visa baixar a tensão interna, funcionando como estratégia para reorganizar articulações e preservar capital político.
Dupla dinâmica de poder no PL
O PL apresenta dois centros de comando: Valdemar Costa Neto, que conduz formalmente os acordos e a engenharia eleitoral, e Michelle Bolsonaro, que atua com base própria, mobilizando eleitorado estratégico. Analistas afirmam que ela construiu capital político relevante, transformando-se em um poder paralelo capaz de impactar diretamente decisões do partido.
Ex-presidente orienta decisões a distância
Apesar de preso, Jair Bolsonaro permanece informado sobre as movimentações da esposa. Michelle visita regularmente o ex-presidente às terças e quintas-feiras, discutindo cenários eleitorais e estratégias regionais. Segundo relatos, Bolsonaro acompanha os movimentos, mas não intervém para conter tensões, reforçando a autonomia política de Michelle e permitindo que ela atue mesmo contrariando os filhos.
Riscos de fragmentação da direita
Dirigentes do PL manifestam preocupação com o efeito cascata das divergências internas. Cada gesto de Michelle Bolsonaro amplia divisões, reduzindo o tempo para recomposição de alianças e comprometendo a construção de chapas unificadas. Cientistas políticos alertam que a unidade do campo bolsonarista corre risco, especialmente a sete meses do pleito, com potencial impacto no desempenho eleitoral da direita em 2026.
Capital eleitoral de Michelle permanece relevante
Apesar dos conflitos internos, Michelle mantém apelo significativo junto a segmentos estratégicos, especialmente eleitorado evangélico e feminino conservador. Pesquisas indicam que a ex-primeira-dama apresenta menor rejeição que os filhos do ex-presidente e continua sendo observada como ativo eleitoral importante para o pleito de 2026. Especialistas afirmam que seu papel não desaparece com candidaturas de outros membros da família, podendo disputar espaço próprio nas eleições e influenciar resultados decisivos.
O cenário no PL demonstra que a ex-primeira-dama se consolidou como uma liderança independente, capaz de articular candidaturas e mobilizar setores específicos do eleitorado. O partido enfrenta desafio estratégico: equilibrar disputas internas, evitar judicializações e manter unidade enquanto se aproxima do período eleitoral mais crítico dos últimos anos.









