Balanços corporativos 4T25: Vale, IRB(Re), Raízen, XP e Usiminas movimentam o mercado nesta sexta-feira
Os balanços corporativos 4T25 dominaram a agenda do mercado nesta sexta-feira (13), com resultados relevantes de companhias de peso na B3, entre elas Vale (VALE3), IRB(Re) (IRBR3), Raízen (RAIZ4), Usiminas (USIM3; USIM5), Telefônica Brasil (VIVT3), XP (XPBR31) e Jalles (JALL3).
O conjunto dos balanços corporativos 4T25 revela um cenário heterogêneo entre setores como mineração, seguros, energia, siderurgia, telecomunicações e serviços financeiros. Enquanto algumas empresas apresentaram recuperação operacional e retomada de distribuição de proventos, outras reportaram prejuízos bilionários e ajustes relevantes em ativos.
O ambiente macroeconômico segue pressionado por juros elevados no Brasil, desaceleração global e volatilidade nos preços de commodities, fatores que influenciam diretamente os balanços corporativos 4T25 e a percepção de risco por parte dos investidores.
Vale (VALE3) registra prejuízo bilionário no quarto trimestre
A Vale (VALE3) reportou prejuízo líquido atribuído aos acionistas de US$ 3,8 bilhões no quarto trimestre de 2025. O resultado representa deterioração frente ao prejuízo de US$ 694 milhões no mesmo período de 2024 e reverte o lucro de US$ 2,7 bilhões registrado no terceiro trimestre.
O desempenho nos balanços corporativos 4T25 da mineradora foi impactado por despesas relacionadas a Brumadinho, ajustes em contratos de streaming e efeitos fiscais. Apesar do prejuízo contábil, a companhia apresentou crescimento na receita líquida, que somou US$ 11,1 bilhões, avanço anual de 9%.
O Ebitda proforma atingiu US$ 4,8 bilhões, alta de 17% na comparação anual, refletindo maior contribuição da divisão de metais básicos e preços mais elevados do cobre no mercado internacional.
A administração reforçou que superou os guidances operacionais e manteve disciplina na alocação de capital, ponto central observado nos balanços corporativos 4T25 por investidores institucionais.
IRB(Re) (IRBR3) volta ao lucro e anuncia possível retomada de dividendos
Entre os destaques positivos dos balanços corporativos 4T25, o IRB(Re) (IRBR3) reportou lucro líquido de R$ 143 milhões no período, alta de 27% na comparação anual.
O resultado ficou próximo das projeções do mercado e marca um movimento relevante na reestruturação financeira da companhia. A empresa informou que encerrou 2025 com reservas de lucros e pretende deliberar sobre distribuição de dividendos no fim de março.
O resultado financeiro e patrimonial alcançou R$ 164 milhões, avanço de 51%, enquanto o resultado de subscrição atingiu R$ 293 milhões, crescimento de 65% na base anual.
A retomada de rentabilidade posiciona o IRB(Re) como um dos nomes mais observados dentro dos balanços corporativos 4T25, especialmente após anos de reestruturação e ajustes contábeis.
Raízen (RAIZ4) amplia prejuízo e registra impacto bilionário
Na contramão, a Raízen (RAIZ4) reportou prejuízo líquido de R$ 15,65 bilhões no terceiro trimestre da safra 2025/2026 (3T26), contra perda de R$ 2,57 bilhões no mesmo período do ciclo anterior.
Segundo a companhia, o resultado refletiu impacto pontual, sem efeito caixa, no montante de R$ 11,1 bilhões, relacionado à constituição de provisão para não realização de determinados ativos.
Desconsiderando efeitos não recorrentes, o prejuízo teria sido de R$ 4,5 bilhões. Ainda assim, o desempenho foi acompanhado de Ebitda negativo de R$ 4,4 bilhões, frente a resultado positivo de R$ 2,55 bilhões no mesmo intervalo anterior.
O segmento de energia e biocombustíveis enfrenta cenário desafiador, influenciado pelo diferencial de preços entre etanol e açúcar e pela dinâmica do mercado internacional, fatores que pesaram nos balanços corporativos 4T25.
Usiminas (USIM5) reverte prejuízo no quarto trimestre
A Usiminas (USIM3; USIM5) registrou lucro líquido de R$ 129 milhões no quarto trimestre de 2025, revertendo prejuízo de R$ 117 milhões no mesmo período de 2024.
Apesar da recuperação trimestral, a companhia encerrou o ano com prejuízo acumulado de R$ 2,91 bilhões.
O Ebitda ajustado foi de R$ 417 milhões no 4T25, queda de 19% na comparação anual, enquanto a receita líquida atingiu R$ 6,17 bilhões, retração de 5%.
No contexto dos balanços corporativos 4T25, a siderurgia segue impactada por pressão de custos, concorrência internacional e demanda industrial mais fraca.
Telefônica Brasil (VIVT3) aprova R$ 325 milhões em JSCP
A Telefônica Brasil (VIVT3) aprovou a distribuição de R$ 325 milhões em juros sobre capital próprio (JSCP).
O valor bruto por ação será de R$ 0,10, com retenção de imposto na fonte de 17,5%, resultando em valor líquido aproximado de R$ 0,08 por papel.
Terão direito ao provento acionistas com posição até o dia 23 de fevereiro de 2026. A partir de 24 de fevereiro, os papéis passam a ser negociados na condição ex-juros.
A manutenção de distribuição de proventos reforça o perfil defensivo da companhia dentro dos balanços corporativos 4T25.
XP (XPBR31) cresce 10% no lucro trimestral
A XP (XPBR31) reportou lucro líquido ajustado de R$ 1,33 bilhão no quarto trimestre, crescimento de 10% em 12 meses.
A receita bruta atingiu R$ 5,239 bilhões, avanço anual de 12%. O EBT ajustado somou R$ 1,55 bilhão, com margem de 31,3%.
O retorno sobre patrimônio líquido ajustado ficou em 22,8%.
A diversificação de receitas no varejo e aceleração do banco de atacado sustentaram o desempenho, consolidando a XP como um dos destaques positivos entre os balanços corporativos 4T25.
Jalles (JALL3) reverte prejuízo na safra 3T26
A Jalles (JALL3) registrou lucro líquido de R$ 55,4 milhões no 3T26, revertendo prejuízo de R$ 73,5 milhões no ciclo anterior.
A receita líquida recuou 30,4%, enquanto o Ebitda ajustado caiu 10,3%. A relação dívida líquida Ebitda ficou em 1,2 vez nos nove meses da safra.
A companhia destacou ampliação do diferencial de preços entre etanol e açúcar, que levou usinas a ajustarem o mix produtivo.
O desempenho reforça o caráter cíclico do setor sucroenergético dentro dos balanços corporativos 4T25.
O que os balanços corporativos 4T25 sinalizam para o mercado?
O conjunto dos balanços corporativos 4T25 mostra um mercado marcado por assimetrias. Empresas exportadoras seguem expostas à volatilidade de preços globais, enquanto companhias financeiras e de serviços apresentam maior previsibilidade de resultados.
Com juros ainda elevados e incertezas externas, investidores devem continuar priorizando empresas com geração de caixa consistente, estrutura de capital equilibrada e previsibilidade operacional.
Os balanços corporativos 4T25 reforçam que 2026 começa com seletividade elevada na Bolsa brasileira, exigindo análise detalhada de fundamentos e atenção redobrada aos riscos macroeconômicos.









