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Home Política

STF desobriga Campos Neto de depor na CPI do Crime Organizado

por Júlia Campos - Repórter de Política
02/03/2026
em Política, Destaque, Notícias
Stf Desobriga Campos Neto De Depor Na Cpi Do Crime Organizado - Gazeta Mercantil

Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central - Foto: Reprodução

Mendonça desobriga Campos Neto de depor na CPI do Crime Organizado

O ex-presidente do Banco Central, Campos Neto, não poderá ser compelido a depor na CPI do Crime Organizado do Senado, conforme decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça. A decisão, tomada nesta segunda-feira, converte a convocação da comissão em um convite facultativo, permitindo que Campos Neto escolha livremente se participará da sessão marcada para terça-feira, às 9h.

O despacho do ministro também assegura ao ex-presidente do BC o direito de permanecer em silêncio e de estar acompanhado por advogado durante a oitiva, caso decida comparecer. A medida acolheu pedido da defesa, que argumentou ausência de vínculo direto entre Campos Neto e os fatos investigados pela CPI, que apura a atuação de organizações criminosas, incluindo facções e milícias.


Contexto da CPI e a investigação “Compliance Zero”

A CPI do Crime Organizado, instalada pelo Senado, concentra seus trabalhos em apurar possíveis irregularidades envolvendo o sistema financeiro e organizações criminosas. Entre os alvos das investigações estão operações realizadas pela Polícia Federal no âmbito do caso Banco Master, na investigação chamada “Compliance Zero”.

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Integrantes da comissão apontaram que ouvir Campos Neto poderia fornecer subsídios técnicos sobre regulação e supervisão do sistema financeiro, justificando a tentativa de convocação formal. O requerimento foi apresentado pelo senador Jaques Wagner (PT-BA), que ressaltou a relevância do depoimento para compreender a atuação do Banco Central e eventuais falhas de fiscalização bancária.


Estratégia jurídica e precedentes

A decisão de Mendonça segue linha de flexibilização de convocações adotada recentemente pelo STF para figuras envolvidas nas mesmas investigações. Casos similares incluem o empresário Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, que obteve liminar permitindo não comparecer à CPI.

A defesa de Campos Neto argumentou que não há prova de ligação direta entre o ex-presidente do BC e as condutas investigadas, reforçando que a convocação deveria ter caráter facultativo. O ministro acolheu esse posicionamento, reconhecendo que a obrigatoriedade do depoimento poderia gerar constrangimento desnecessário sem fundamento legal claro.


Impacto político e institucional

A decisão sobre Campos Neto levanta questionamentos sobre o alcance das CPIs em investigações envolvendo figuras de alta relevância no sistema financeiro. Especialistas destacam que, embora o depoimento possa trazer informações técnicas valiosas, a limitação do poder de convocação reflete a necessidade de equilibrar a autoridade do Senado com garantias legais de altos executivos.

Nos bastidores, há consenso de que a tendência é que outros convocados relacionados ao inquérito — como João Carlos Mansur, fundador da Reag Investimentos — também optem por não comparecer nesta semana. A postura da defesa desses investigados reflete cautela estratégica, priorizando a proteção jurídica frente às investigações da Polícia Federal.


Perfil de Campos Neto e atuação no Banco Central

Campos Neto liderou o Banco Central entre 2019 e 2024, período marcado por desafios significativos no sistema financeiro, incluindo a gestão da política monetária, regulação bancária e supervisão de operações de crédito e liquidez. Sua experiência e conhecimento técnico eram apontados como potenciais contribuições à CPI, mas a defesa argumentou que não há evidências que o liguem diretamente aos atos ilícitos sob investigação.

Durante sua gestão, o Banco Central promoveu avanços na supervisão de instituições financeiras e na implementação de normas de compliance, reforçando a transparência e segurança do sistema bancário. Entretanto, a investigação do caso Banco Master busca identificar eventuais lacunas ou falhas em operações específicas, sem implicar diretamente Campos Neto.


Tendências e desdobramentos da CPI

A decisão de André Mendonça poderá influenciar outros procedimentos da CPI do Crime Organizado, especialmente no tocante a convocações de ex-executivos e figuras ligadas a instituições financeiras. O caráter facultativo do depoimento de Campos Neto reforça o debate sobre os limites legais das comissões parlamentares, conciliando o direito à informação e a proteção de indivíduos que não possuem ligação direta com ilícitos.

Para o Senado, a medida representa uma mudança na dinâmica de coleta de informações: embora a participação de Campos Neto seja opcional, a comissão mantém o poder de solicitar esclarecimentos adicionais por meio de outros mecanismos, como documentos oficiais, relatórios do Banco Central e depoimentos de subordinados.


Cenário jurídico e repercussão

A liminar concedida pelo STF sinaliza tendência de maior cautela em casos de convocação de figuras de destaque no sistema financeiro, destacando a necessidade de comprovação de vínculo direto com os fatos investigados. Especialistas em direito constitucional afirmam que a decisão reforça a segurança jurídica de executivos e a importância do devido processo legal, evitando constrangimentos sem fundamento.

No plano político, a medida gera discussões sobre a eficácia das CPIs e o papel do Congresso na fiscalização de instituições estratégicas, equilibrando poderes legislativo e executivo e garantindo proteção legal a ex-funcionários de alto escalão.


Próximos passos e expectativas

Com a decisão de Mendonça, Campos Neto poderá comparecer voluntariamente à CPI, mantendo direito ao silêncio e à presença de advogado. A comissão segue avaliando depoimentos de outros convocados, coletando informações complementares e analisando documentos relacionados às operações da Polícia Federal no caso Banco Master.

O resultado desta semana será determinante para compreender como a CPI do Crime Organizado conduzirá futuras convocações de ex-executivos e como equilibrará interesse público com garantias legais individuais. A postura de Campos Neto e de outros convocados poderá influenciar diretamente a percepção do Senado sobre eficácia e alcance da comissão.

Tags: André MendonçaBanco CentralCampos NetoCompliance Zeroconvocações CPICPI do Crime Organizadoex-presidente BCinvestigação Banco MasterJaques Wagnersistema financeiro

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