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STF desobriga Campos Neto de depor na CPI do Crime Organizado

por Júlia Campos - Repórter de Política
02/03/2026 às 19h02 - Atualizado em 15/05/2026 às 17h09
em Política, Destaque, Notícias
Stf Desobriga Campos Neto De Depor Na Cpi Do Crime Organizado - Gazeta Mercantil

Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central - Foto: Reprodução

Mendonça desobriga Campos Neto de depor na CPI do Crime Organizado

O ex-presidente do Banco Central, Campos Neto, não poderá ser compelido a depor na CPI do Crime Organizado do Senado, conforme decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça. A decisão, tomada nesta segunda-feira, converte a convocação da comissão em um convite facultativo, permitindo que Campos Neto escolha livremente se participará da sessão marcada para terça-feira, às 9h.

O despacho do ministro também assegura ao ex-presidente do BC o direito de permanecer em silêncio e de estar acompanhado por advogado durante a oitiva, caso decida comparecer. A medida acolheu pedido da defesa, que argumentou ausência de vínculo direto entre Campos Neto e os fatos investigados pela CPI, que apura a atuação de organizações criminosas, incluindo facções e milícias.


Contexto da CPI e a investigação “Compliance Zero”

A CPI do Crime Organizado, instalada pelo Senado, concentra seus trabalhos em apurar possíveis irregularidades envolvendo o sistema financeiro e organizações criminosas. Entre os alvos das investigações estão operações realizadas pela Polícia Federal no âmbito do caso Banco Master, na investigação chamada “Compliance Zero”.

Integrantes da comissão apontaram que ouvir Campos Neto poderia fornecer subsídios técnicos sobre regulação e supervisão do sistema financeiro, justificando a tentativa de convocação formal. O requerimento foi apresentado pelo senador Jaques Wagner (PT-BA), que ressaltou a relevância do depoimento para compreender a atuação do Banco Central e eventuais falhas de fiscalização bancária.


Estratégia jurídica e precedentes

A decisão de Mendonça segue linha de flexibilização de convocações adotada recentemente pelo STF para figuras envolvidas nas mesmas investigações. Casos similares incluem o empresário Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, que obteve liminar permitindo não comparecer à CPI.

A defesa de Campos Neto argumentou que não há prova de ligação direta entre o ex-presidente do BC e as condutas investigadas, reforçando que a convocação deveria ter caráter facultativo. O ministro acolheu esse posicionamento, reconhecendo que a obrigatoriedade do depoimento poderia gerar constrangimento desnecessário sem fundamento legal claro.


Impacto político e institucional

A decisão sobre Campos Neto levanta questionamentos sobre o alcance das CPIs em investigações envolvendo figuras de alta relevância no sistema financeiro. Especialistas destacam que, embora o depoimento possa trazer informações técnicas valiosas, a limitação do poder de convocação reflete a necessidade de equilibrar a autoridade do Senado com garantias legais de altos executivos.

Nos bastidores, há consenso de que a tendência é que outros convocados relacionados ao inquérito — como João Carlos Mansur, fundador da Reag Investimentos — também optem por não comparecer nesta semana. A postura da defesa desses investigados reflete cautela estratégica, priorizando a proteção jurídica frente às investigações da Polícia Federal.


Perfil de Campos Neto e atuação no Banco Central

Campos Neto liderou o Banco Central entre 2019 e 2024, período marcado por desafios significativos no sistema financeiro, incluindo a gestão da política monetária, regulação bancária e supervisão de operações de crédito e liquidez. Sua experiência e conhecimento técnico eram apontados como potenciais contribuições à CPI, mas a defesa argumentou que não há evidências que o liguem diretamente aos atos ilícitos sob investigação.

Durante sua gestão, o Banco Central promoveu avanços na supervisão de instituições financeiras e na implementação de normas de compliance, reforçando a transparência e segurança do sistema bancário. Entretanto, a investigação do caso Banco Master busca identificar eventuais lacunas ou falhas em operações específicas, sem implicar diretamente Campos Neto.


Tendências e desdobramentos da CPI

A decisão de André Mendonça poderá influenciar outros procedimentos da CPI do Crime Organizado, especialmente no tocante a convocações de ex-executivos e figuras ligadas a instituições financeiras. O caráter facultativo do depoimento de Campos Neto reforça o debate sobre os limites legais das comissões parlamentares, conciliando o direito à informação e a proteção de indivíduos que não possuem ligação direta com ilícitos.

Para o Senado, a medida representa uma mudança na dinâmica de coleta de informações: embora a participação de Campos Neto seja opcional, a comissão mantém o poder de solicitar esclarecimentos adicionais por meio de outros mecanismos, como documentos oficiais, relatórios do Banco Central e depoimentos de subordinados.


Cenário jurídico e repercussão

A liminar concedida pelo STF sinaliza tendência de maior cautela em casos de convocação de figuras de destaque no sistema financeiro, destacando a necessidade de comprovação de vínculo direto com os fatos investigados. Especialistas em direito constitucional afirmam que a decisão reforça a segurança jurídica de executivos e a importância do devido processo legal, evitando constrangimentos sem fundamento.

No plano político, a medida gera discussões sobre a eficácia das CPIs e o papel do Congresso na fiscalização de instituições estratégicas, equilibrando poderes legislativo e executivo e garantindo proteção legal a ex-funcionários de alto escalão.


Próximos passos e expectativas

Com a decisão de Mendonça, Campos Neto poderá comparecer voluntariamente à CPI, mantendo direito ao silêncio e à presença de advogado. A comissão segue avaliando depoimentos de outros convocados, coletando informações complementares e analisando documentos relacionados às operações da Polícia Federal no caso Banco Master.

O resultado desta semana será determinante para compreender como a CPI do Crime Organizado conduzirá futuras convocações de ex-executivos e como equilibrará interesse público com garantias legais individuais. A postura de Campos Neto e de outros convocados poderá influenciar diretamente a percepção do Senado sobre eficácia e alcance da comissão.

Tags: André MendonçaBanco CentralCampos NetoCompliance Zeroconvocações CPICPI do Crime Organizadoex-presidente BCinvestigação Banco MasterJaques WagnerPolíticasistema financeiro

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Segundo A Versão Divulgada Pela Fintech, A Azara Capital Teria Adquirido A Naskar E Outras Empresas Do Grupo, Como 7Trust E Next, Assumindo A Responsabilidade Por Tratativas Voltadas Ao Ressarcimento Dos Clientes. O Caso, Porém, Passou A Levantar Questionamentos Sobre A Própria Azara Capital. A Empresa Não Apresenta Em Seu Site Nomes De Presidente, Diretores, Sócios Ou Responsáveis Pela Gestão. A Página Informa Um Endereço Em Miami, Nos Estados Unidos, Mas A Localização Indicada Aparece Associada Ao Ocean Bank, Banco Comercial Independente Da Flórida. Em Buscas Por “Azara Capital” Em Plataformas De Geolocalização, Não Há Indicação Clara De Sede Própria Da Companhia. Além Disso, A Presença Digital Da Empresa É Recente. O Perfil Da Azara Capital No Instagram Teria Sido Criado Há Poucos Meses E, Até A Manhã Desta Quinta-Feira, Contava Com Apenas Três Publicações. Após A Repercussão Da Suposta Compra Da Naskar, O Perfil Passou Por Alterações, Incluindo Arquivamento De Postagem, Mudanças Na Biografia, Remoção De Contas Seguidas E Bloqueio De Comentários. Naskar Deixou Investidores Sem Acesso Ao Aplicativo A Crise Da Naskar Começou Após A Fintech Não Realizar O Pagamento Mensal De Rendimentos Previsto Para 4 De Maio. Clientes Tentaram Contato Com Os Sócios Da Empresa Para Entender O Motivo Do Atraso, Mas, Segundo Relatos Reunidos No Texto-Base, Não Obtiveram Resposta. A Situação Se Agravou Quando O Aplicativo Da Naskar, Usado Pelos Investidores Para Acompanhar O Patrimônio Aplicado, Deixou De Funcionar Em 6 De Maio. Desde Então, Clientes Passaram A Relatar Dificuldade Para Acessar Informações Sobre Seus Saldos, Rendimentos E Eventual Cronograma De Devolução. A Naskar Atuava Há 13 Anos Captando Recursos De Clientes Com Promessa De Retorno De 2% Ao Mês, Patamar Muito Superior Ao Praticado Em Produtos Financeiros Tradicionais. Pela Estrutura Divulgada Aos Investidores, A Empresa Recebia Valores E Se Comprometia A Administrar O Patrimônio Dos Clientes, Pagando Rendimentos Mensais. O Modelo Atraiu Investidores De Diferentes Regiões Do País. A Crise, No Entanto, Expôs Riscos De Estruturas Privadas De Captação Com Promessa De Retorno Recorrente E Elevado. Quando Pagamentos Deixam De Ser Feitos, A Relação Entre Empresa E Cliente Rapidamente Passa Do Campo Comercial Para O Judicial E Regulatório. Segundo O Texto-Base, Os Valores A Serem Devolvidos Ou Ao Menos Esclarecidos Aos Clientes Superam R$ 900 Milhões. A Naskar, Por Sua Vez, Afirmou Que A Transação Com A Azara Capital Seria Uma “Operação Estratégica Voltada À Reorganização Das Atividades E À Continuidade Do Suporte Aos Investidores”. Azara Capital Não Informa Diretoria Nem Estrutura Operacional Um Dos Principais Pontos De Atenção É A Falta De Informações Institucionais Detalhadas Sobre A Azara Capital. 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A Ausência De Presença Consolidada Em Plataformas Públicas Não Comprova, Por Si Só, Irregularidade. Ainda Assim, Em Uma Transação De Grande Porte Envolvendo Investidores Prejudicados, A Falta De Dados Verificáveis Aumenta A Necessidade De Esclarecimentos. A Reportagem Também Aponta Que A Azara Capital Não Aparece Como Regulada Ou Cadastrada Em Órgãos De Fiscalização Americanos Como A Securities And Exchange Commission E A Financial Industry Regulatory Authority. Essas Informações São Relevantes Porque A Empresa Se Apresenta Como Sediada Nos Estados Unidos E Vinculada Ao Mercado Financeiro. Perfil Em Rede Social Passou Por Mudanças Após Repercussão A Presença Da Azara Capital Em Redes Sociais Também Entrou No Centro Das Dúvidas. O Perfil Da Empresa No Instagram Teria Sido Criado Há Poucos Meses E Exibia Poucas Publicações Até A Divulgação Da Suposta Transação Envolvendo A Naskar. Durante A Quinta-Feira, Após O Nome Da Empresa Ganhar Repercussão, Foram Observadas Mudanças No Perfil. 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Douglas Silva De Oliveira Aparece Ligado À Azara Segundo A Apuração Mencionada No Texto-Base, O Empresário Douglas Silva De Oliveira Se Apresentava Como Responsável Pela Azara Capital. Em Perfil Pessoal No Instagram, Ele Declarava Ser Fundador E Diretor Da Instituição, Mas A Informação Teria Sido Retirada Horas Após A Divulgação Da Transação Envolvendo A Naskar. Douglas Silva De Oliveira Consta Como Administrador E Sócio-Administrador De 11 Empresas Brasileiras, Sediadas No Distrito Federal E Em Diferentes Estados. Várias Dessas Companhias Têm Capitais Sociais Milionários, Segundo Os Dados Citados No Texto-Base. A Ligação Entre Douglas, Azara Capital E Naskar Passou A Ser Observada Com Mais Atenção Justamente Pelo Tamanho Da Operação Anunciada. A Suposta Compra De Uma Fintech Em Crise, Com Milhares De Investidores Aguardando Reembolso, Exige Comprovação De Capacidade Financeira E Clareza Sobre A Estrutura Jurídica Da Transação. A Naskar Informou Que A Azara Capital Passaria A Ser Responsável Pelo Contato Com Clientes Interessados Em Saber Quando Terão Seu Dinheiro De Volta. A Fintech Também Afirmou Que As Tratativas Para Devolução Começariam A Partir Da Semana Seguinte Ao Anúncio. Até A Última Atualização Do Texto-Base, Representantes Da Azara Capital Não Haviam Respondido A Tentativas De Contato Por Telefone, Whatsapp E E-Mail. Operação Envolveria Naskar, 7Trust E Next A Transação Anunciada Pela Naskar Não Se Limitaria À Gestora. Segundo A Empresa, A Azara Capital Teria Adquirido Também Outras Duas Companhias Do Grupo: 7Trust E Next. O Objetivo Declarado Seria Reorganizar As Atividades, Consolidar Informações Operacionais, Revisar Processos Existentes E Avançar Na Liquidação Com Investidores. O Valor Informado Para A Operação É De Aproximadamente R$ 1,2 Bilhão. A Cifra É Próxima Ao Montante Que Precisa Ser Devolvido Ou Explicado Aos Cerca De 3 Mil Clientes Da Fintech. Esse Alinhamento Entre Valor Da Transação E Passivo Estimado Aumenta A Importância De Documentação Verificável. Em Operações De Aquisição, Especialmente Quando Há Passivos Relevantes E Clientes Prejudicados, É Essencial Diferenciar Anúncio De Intenção, Assinatura De Contrato, Transferência Efetiva De Controle E Execução Financeira. Sem Esses Elementos, Investidores Seguem Expostos À Incerteza. A Naskar Disse Que Os Próximos Passos Envolveriam Continuidade Do Processo De Circularização, Consolidação De Informações Operacionais, Revisão Técnica Dos Processos E Liquidação Com Os Investidores. Circularização É Um Procedimento Usado Para Confirmar Saldos, Obrigações E Dados Junto Às Partes Envolvidas. Na Prática, Esse Processo Pode Ser Decisivo Para Definir Quanto Cada Investidor Tem A Receber, Quais Contratos Serão Reconhecidos, Qual A Ordem De Pagamento E De Que Forma Eventuais Divergências Serão Tratadas. Promessa De Rendimento De 2% Ao Mês Elevou Risco Da Operação A Naskar Construiu Sua Base De Clientes Oferecendo Retorno De 2% Ao Mês. Em Termos Financeiros, Esse Patamar Representa Uma Remuneração Elevada, Especialmente Quando Comparada A Alternativas Tradicionais De Renda Fixa E Produtos Bancários Regulados. Promessas De Retorno Acima Do Mercado Não Significam Automaticamente Fraude Ou Irregularidade, Mas Exigem Explicação Robusta Sobre Estratégia, Risco, Liquidez, Garantias E Fonte Dos Ganhos. Quanto Maior A Rentabilidade Prometida, Maior Tende A Ser A Necessidade De Transparência. No Caso Da Naskar, Os Clientes Aplicavam Recursos Esperando Receber Rendimentos Mensais. O Exemplo Citado No Texto-Base Mostra Que Um Investimento De R$ 1 Milhão Geraria Pagamento Mensal De R$ 20 Mil. Essa Previsibilidade De Fluxo Ajudou A Atrair Investidores, Mas Também Ampliou O Impacto Quando Os Pagamentos Foram Interrompidos. Durante Anos, Segundo Relatos, A Empresa Teria Funcionado Sem Grandes Problemas Para Os Clientes. A Quebra Do Padrão De Pagamentos No Início De Maio, No Entanto, Foi Suficiente Para Desencadear Uma Corrida Por Informações E Colocar A Empresa Sob Forte Pressão. Além Da Falta De Pagamento, A Interrupção Do Aplicativo Agravou O Cenário. Sem Acesso Ao Sistema, Investidores Ficaram Sem Uma Ferramenta Direta Para Verificar Patrimônio, Rendimentos E Movimentações. Caso Coloca Governança Da Suposta Compradora Sob Pressão A Suposta Compra Da Naskar Pela Azara Capital Poderia Representar Uma Alternativa De Reorganização Para A Fintech, Mas A Falta De Informações Públicas Sobre A Compradora Dificulta A Avaliação Da Operação. A Ausência De Executivos Identificados No Site, O Endereço Associado A Outro Banco, O Perfil Recente Em Rede Social E A Falta De Cadastro Aparente Em Órgãos Reguladores Americanos Formam Um Conjunto De Pontos Que Exigem Esclarecimento. Para Os Investidores, O Fator Central Continua Sendo A Devolução Dos Recursos. Qualquer Solução Dependerá De Cronograma, Comprovação De Caixa, Validação Dos Saldos E Formalização Das Responsabilidades Assumidas Pela Empresa Que Teria Comprado A Naskar. Para O Mercado Financeiro, O Caso Reforça O Debate Sobre Estruturas De Captação Privada, Fintechs Que Operam Fora Do Circuito Tradicional De Instituições Reguladas E Promessas De Rentabilidade Recorrente Acima Dos Padrões De Mercado. A Crise Também Pode Aumentar A Pressão Sobre Distribuidores, Intermediários E Empresas Que Apresentaram A Naskar A Investidores. Em Disputas Desse Tipo, Clientes Frequentemente Buscam Responsabilizar Todos Os Agentes Que Participaram Da Oferta, Recomendação Ou Operacionalização Dos Contratos. Enquanto A Azara Capital Não Apresentar Informações Verificáveis Sobre Sua Estrutura, Seus Executivos, Sua Autorização Regulatória E Sua Capacidade Financeira, A Suposta Aquisição Tende A Permanecer Cercada Por Dúvidas. O Desfecho Do Caso Dependerá Menos Do Anúncio Da Compra E Mais Da Comprovação De Que Há Recursos, Governança E Instrumentos Jurídicos Suficientes Para Devolver O Dinheiro Dos Investidores. - Gazeta Mercantil
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