O Bradesco BBI reduziu os preços-alvo de Pague Menos (PGMN3) e Panvel (PNVL3) após revisar suas estimativas para o varejo farmacêutico em 2026, em meio a um cenário de juros mais altos e ajustes nas projeções de lucro das companhias. Apesar dos cortes, o banco manteve recomendação de compra para Pague Menos (PGMN3) e reiterou Raia Drogasil (RADL3) como sua ação favorita no setor, citando a combinação entre crescimento, qualidade operacional e perfil defensivo.
No relatório divulgado nesta segunda-feira (18), o BBI reduziu o preço-alvo de Pague Menos (PGMN3) de R$ 8 para R$ 7. Mesmo com a revisão, o novo valor ainda implica potencial de valorização de 48,9% em relação ao preço considerado pelo banco. Para Panvel (PNVL3), o preço-alvo caiu de R$ 16 para R$ 15, o que representa potencial de alta de 24,2%.
As mudanças ocorreram após a divulgação dos resultados do primeiro trimestre de 2026 do varejo farmacêutico. O banco incorporou às projeções um ambiente macroeconômico mais restritivo, com elevação de 0,6 ponto percentual na estimativa para a Selic média deste ano, para 14,1%.
Juros mais altos tendem a pressionar empresas de varejo por diferentes canais. O custo financeiro fica maior, o capital de giro se torna mais caro, o consumo pode perder força e os múltiplos de mercado costumam ser recalibrados para baixo. Mesmo em um setor considerado defensivo, como o de farmácias, esse ambiente exige mais seletividade dos investidores.
Com as novas premissas, o BBI reduziu em 1% a estimativa de lucro líquido da Pague Menos (PGMN3) em 2026, para R$ 383 milhões. No caso da Panvel (PNVL3), a projeção foi cortada em 2%, para R$ 171 milhões.
Pague Menos (PGMN3) segue com recomendação de compra
Apesar do corte no preço-alvo, o Bradesco BBI manteve recomendação de compra para Pague Menos (PGMN3). A avaliação do banco é que a ação segue negociando com valuation atrativo, principalmente diante do potencial de valorização estimado.
Segundo o relatório, Pague Menos (PGMN3) é negociada a 8,8 vezes o preço sobre lucro projetado para 2026. Esse múltiplo foi considerado competitivo em relação ao potencial de recuperação operacional da companhia e à expectativa de crescimento dos resultados.
A empresa vem atravessando uma fase de ajustes operacionais, com foco em rentabilidade, integração de operações e ganho de eficiência. No varejo farmacêutico, escala, controle de despesas, produtividade por loja, gestão de estoque e capacidade de negociação com fornecedores são fatores decisivos para a expansão de margens.
O BBI avalia que as projeções atualizadas para Pague Menos (PGMN3) ficaram alinhadas ao consenso de mercado. Isso indica que, embora o banco tenha reduzido suas estimativas, os novos números não se distanciam de forma relevante da leitura média dos analistas que acompanham a companhia.
Para investidores, o ponto central em Pague Menos (PGMN3) será a capacidade de transformar crescimento de vendas em melhora consistente de rentabilidade. A ação tem potencial de alta expressivo no modelo do BBI, mas a materialização desse retorno depende de execução operacional e controle financeiro.
Panvel (PNVL3) tem menor potencial de valorização
Para Panvel (PNVL3), o Bradesco BBI reduziu o preço-alvo de R$ 16 para R$ 15 e manteve recomendação neutra. A decisão reflete um potencial de valorização considerado menor em relação aos pares e uma visão mais cautelosa sobre a evolução dos resultados da companhia.
O banco projeta lucro líquido de R$ 171 milhões para Panvel (PNVL3) em 2026. A estimativa está 10% abaixo do consenso de mercado, sinalizando que o BBI vê risco de frustração maior em relação às expectativas dos analistas.
A Panvel (PNVL3) possui presença regional relevante, especialmente no Sul do país, e opera com uma marca reconhecida em suas principais praças. Essa característica favorece fidelização, eficiência logística e conhecimento do consumidor local, mas também limita parte da escala nacional em comparação com redes maiores.
Com recomendação neutra, o BBI indica que reconhece fundamentos positivos na operação, mas não vê assimetria suficiente para recomendar compra no momento. O menor potencial de valorização, somado à projeção de lucro abaixo do consenso, pesou na avaliação.
No caso de Panvel (PNVL3), o mercado deve acompanhar a capacidade da empresa de preservar margens, acelerar vendas e sustentar expansão sem comprometer rentabilidade. Em um ambiente de juros elevados, companhias com menor margem de erro tendem a ser avaliadas com mais rigor.
Raia Drogasil (RADL3) é a favorita do BBI no setor
A principal preferência do Bradesco BBI no varejo farmacêutico segue sendo Raia Drogasil (RADL3). O banco manteve o preço-alvo da companhia em R$ 27 e reiterou recomendação de compra.
Na avaliação do BBI, a queda de 20% das ações de Raia Drogasil (RADL3) nos últimos três meses foi injustificada, considerando o perfil defensivo da empresa, sua posição de liderança no setor e o risco relativo mais baixo em comparação aos pares.
O banco estima lucro líquido de R$ 1,7 bilhão para Raia Drogasil (RADL3) em 2026, alta de 2% na comparação anual. As projeções estão alinhadas ao consenso de mercado, o que reforça a leitura de maior previsibilidade dos resultados da companhia.
Raia Drogasil (RADL3) é negociada a 20,2 vezes o preço sobre lucro estimado para 2026. Embora o múltiplo seja superior ao de Pague Menos (PGMN3), o BBI considera que a qualidade do negócio, a escala nacional, a execução operacional e o histórico de crescimento justificam a preferência pela ação.
A visão do banco indica que o investidor deve olhar além do desconto aparente. Em setores defensivos, companhias com liderança, gestão eficiente e menor risco de execução podem sustentar múltiplos mais altos, especialmente quando há expectativa de crescimento consistente.
Setor deve ter Ebitda forte no segundo trimestre
Mesmo com a revisão dos preços-alvo e o cenário de juros mais altos, o Bradesco BBI mantém visão construtiva para o desempenho operacional do varejo farmacêutico no curto prazo. O banco espera resultados fortes no segundo trimestre de 2026.
A estimativa é de crescimento anual do Ebitda entre 21% e 23% para o setor. O Ebitda mede o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização e é usado pelo mercado como indicador da geração operacional de caixa das empresas.
Esse avanço deve ocorrer apesar de uma leve desaceleração nas vendas. A leitura sugere que ganhos de margem, maturação de lojas, controle de custos e eficiência operacional podem compensar parte da pressão sobre receita.
No varejo farmacêutico, o desempenho costuma ser mais resiliente do que em outros segmentos de consumo. Medicamentos e itens de saúde têm demanda recorrente, o que reduz a volatilidade em períodos de desaceleração econômica. Ainda assim, a rentabilidade também depende de categorias complementares, como higiene, beleza e produtos de maior margem.
A expectativa de Ebitda forte indica que o setor ainda pode entregar crescimento operacional, mesmo em um ambiente macroeconômico menos favorável. O desafio será transformar essa melhora operacional em lucro líquido, especialmente diante de despesas financeiras mais elevadas.
Selic elevada pressiona valuation das ações
A revisão do BBI foi influenciada pela elevação da projeção para a Selic média em 2026. O banco passou a considerar taxa média de 14,1% no ano, alta de 0,6 ponto percentual em relação à estimativa anterior.
Juros altos afetam diretamente o valuation das ações. Quando a taxa livre de risco sobe, investidores passam a exigir retorno maior para permanecer em renda variável. Isso reduz o preço justo de empresas, principalmente daquelas que dependem de crescimento futuro ou possuem maior sensibilidade ao custo de capital.
No varejo, o impacto também aparece no consumo e nas despesas financeiras. Empresas com dívida, necessidade de financiamento de estoque ou expansão acelerada de lojas podem sofrer mais em períodos de Selic elevada.
As farmácias têm uma vantagem relativa por venderem produtos de demanda recorrente. No entanto, não estão imunes à pressão macroeconômica. Categorias de maior margem podem desacelerar, consumidores podem trocar marcas ou reduzir tíquetes e o custo de expansão pode aumentar.
Por isso, mesmo com fundamentos defensivos, o setor exige diferenciação entre empresas. O relatório do BBI mostra que o banco vê oportunidades, mas com preferência clara por companhias com maior qualidade e melhor relação entre risco e retorno.
Valuation separa Pague Menos (PGMN3), Panvel (PNVL3) e Raia Drogasil (RADL3)
A diferença entre as recomendações do BBI está diretamente ligada à combinação entre valuation, crescimento esperado, qualidade operacional e risco de execução.
Pague Menos (PGMN3) aparece como uma ação mais descontada, com potencial de valorização elevado e recomendação de compra. O papel, porém, depende de avanços operacionais para confirmar a tese de investimento.
Panvel (PNVL3) permanece com recomendação neutra porque o banco vê menor assimetria. A empresa tem presença regional relevante e fundamentos conhecidos, mas o preço-alvo revisado indica potencial de alta mais limitado.
Raia Drogasil (RADL3), por sua vez, negocia a múltiplo mais alto, mas é vista como a companhia de maior qualidade no setor. Para o BBI, a queda recente das ações criou oportunidade em um papel defensivo, com escala nacional, execução consistente e risco relativo menor.
Essa leitura mostra que a recomendação do banco não se baseia apenas no potencial percentual de alta. A preferência por Raia Drogasil (RADL3) considera também previsibilidade, liderança, resiliência e capacidade de atravessar cenários macroeconômicos mais difíceis.
Farmácias seguem no radar da Bolsa
As ações do varejo farmacêutico seguem no radar dos investidores em 2026, especialmente diante da busca por empresas defensivas em um ambiente de juros elevados. O setor combina demanda recorrente, expansão de redes, digitalização de canais, programas de fidelidade e competição intensa por participação de mercado.
Para investidores, a análise passa por três eixos principais: crescimento de vendas, margem operacional e disciplina financeira. Empresas que conseguirem crescer com rentabilidade, controlar despesas e manter estrutura de capital saudável tendem a ser melhor avaliadas pelo mercado.
O relatório do Bradesco BBI reforça essa diferenciação. Pague Menos (PGMN3) tem potencial de valorização relevante e recomendação de compra, mas ainda precisa demonstrar consistência operacional. Panvel (PNVL3) aparece como alternativa de menor assimetria. Raia Drogasil (RADL3) segue como favorita pela combinação entre liderança, qualidade e crescimento.
Em um cenário de Selic média estimada em 14,1%, o varejo farmacêutico preserva características defensivas, mas não está imune à pressão macroeconômica. A seleção de ações tende a ganhar importância para investidores que buscam exposição ao setor sem abrir mão de qualidade operacional.
BBI mantém compra para Raia Drogasil (RADL3) e Pague Menos (PGMN3)
O relatório do Bradesco BBI deixa clara a preferência do banco por Raia Drogasil (RADL3) no varejo farmacêutico, ao mesmo tempo em que mantém uma visão positiva para Pague Menos (PGMN3). A Panvel (PNVL3), embora siga com potencial de alta, permanece em posição mais neutra na carteira recomendada do banco.
A revisão dos preços-alvo mostra que o cenário macroeconômico passou a pesar mais nas estimativas, sobretudo por causa da Selic elevada. Ainda assim, a expectativa de crescimento robusto do Ebitda no segundo trimestre indica que o setor pode continuar entregando desempenho operacional positivo.
Para o investidor, a mensagem central é de seletividade. Em um ambiente de juros altos, companhias com maior qualidade, escala, previsibilidade e capacidade de execução tendem a receber prêmio. Nesse contexto, o BBI aponta Raia Drogasil (RADL3) como sua favorita, mantém compra para Pague Menos (PGMN3) e adota postura mais cautelosa com Panvel (PNVL3).







