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Desemprego no Brasil cai a 5,8% e renda do trabalhador atinge recorde, diz IBGE

PNAD Contínua mostra taxa abaixo da previsão do mercado, recuo da informalidade e renda média real de R$ 3.732 no trimestre encerrado em abril

por Antônio Lima - Repórter de Economia
28/05/2026 às 14h06
em Economia, Destaque, Notícias
Desemprego De Longa Duração Cai 21,7% E Atinge Menor Nível Da Série Histórica - Gazeta Mercantil

O desemprego no Brasil ficou em 5,8% no trimestre encerrado em abril de 2026, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira, 28 de maio. O resultado, medido pela PNAD Contínua, veio abaixo da mediana das projeções de mercado, que apontava taxa de 5,9%, e reforçou a leitura de um mercado de trabalho ainda aquecido, mesmo com perda sazonal de vagas após o fim do ciclo de contratações de fim de ano. A renda real habitual de todos os trabalhos permaneceu no maior patamar da série, em R$ 3.732, enquanto a taxa de informalidade caiu para 37,2%.

O dado do IBGE mostra que a taxa de desemprego no Brasil segue em nível historicamente baixo, apesar da alta na comparação com o trimestre móvel anterior. Segundo o instituto, o avanço da desocupação na margem decorre principalmente de fatores sazonais em atividades como comércio e serviços pessoais, que costumam contratar mais no fim do ano e reduzir quadros nos meses seguintes.

A coordenadora de Pesquisas por Amostra de Domicílios do IBGE, Adriana Beringuy, afirmou que o aumento da desocupação nesse trimestre móvel decorre essencialmente do comportamento sazonal de algumas atividades. Mesmo assim, segundo ela, o mercado de trabalho mantém nível elevado de ocupação quando comparado com anos anteriores da série histórica.

A leitura geral é de resiliência. O Brasil registrou desemprego abaixo do esperado, rendimento médio recorde, queda da informalidade e estabilidade nos indicadores de subutilização e desalento. Esses elementos indicam que a geração de trabalho e renda segue sustentada, embora o mercado tenha mostrado ajuste pontual no trimestre.

Taxa de desemprego fica abaixo da previsão do mercado

A taxa de desemprego de 5,8% ficou abaixo da mediana das expectativas de analistas consultados pela Reuters, que projetavam 5,9% para o trimestre encerrado em abril. O resultado confirma que o mercado de trabalho brasileiro permanece mais forte do que o esperado por parte dos agentes econômicos.

O número também reforça a importância da PNAD Contínua como indicador central para avaliar o ritmo da economia. A taxa de desemprego influencia consumo das famílias, arrecadação, inflação de serviços, política monetária e decisões de investimento das empresas.

Embora tenha havido aumento em relação ao trimestre móvel anterior, o IBGE atribuiu o movimento a fatores sazonais. Após o aquecimento de vagas temporárias no comércio e em serviços pessoais no fim de 2025, parte desses trabalhadores não foi retida pelas empresas no início de 2026.

Essa dinâmica é comum no mercado de trabalho brasileiro. O fim do ano costuma concentrar contratações temporárias para atender ao aumento de demanda no varejo, alimentação, serviços pessoais e atividades ligadas ao consumo. Nos meses seguintes, há ajuste de quadros, o que pode elevar a desocupação na margem sem indicar necessariamente deterioração estrutural.

População ocupada soma 102,3 milhões de pessoas

A população ocupada foi estimada em 102,3 milhões de pessoas no trimestre encerrado em abril. O número representa queda de 0,3% em relação ao trimestre encerrado em janeiro, o equivalente a 338 mil pessoas a menos ocupadas.

Na comparação com o mesmo trimestre de 2025, porém, houve crescimento de 1,1%, com acréscimo de 1,07 milhão de pessoas ocupadas. Esse dado ajuda a relativizar a perda trimestral e mostra que o mercado de trabalho ainda opera em patamar superior ao observado um ano antes.

O nível da ocupação, indicador que mede o percentual de pessoas ocupadas na população em idade de trabalhar, ficou em 58,4% em abril. O resultado representa recuo de 0,3 ponto percentual frente ao trimestre de novembro de 2025 a janeiro de 2026, quando estava em 58,7%.

Segundo o IBGE, mesmo com a perda de ocupação no trimestre, o mercado de trabalho segue em nível elevado quando comparado à série histórica. Isso indica que o recuo recente não altera, por enquanto, a avaliação de que a geração de trabalho e renda permanece sustentada.

Renda média atinge recorde de R$ 3.732

O rendimento real habitual de todos os trabalhos permaneceu no patamar recorde de R$ 3.732 no trimestre encerrado em abril. Esse é um dos pontos mais relevantes do levantamento, porque mostra que a renda do trabalhador continua forte mesmo após o ajuste sazonal de ocupação.

A manutenção da renda em nível recorde tem impacto direto sobre o consumo das famílias. Com maior rendimento, os trabalhadores tendem a sustentar gastos em alimentação, transporte, serviços, comércio, lazer, saúde, educação e bens de consumo.

Para a economia, esse movimento pode favorecer a atividade no curto prazo. O consumo das famílias é um dos principais componentes do Produto Interno Bruto (PIB), e a renda do trabalho é decisiva para determinar a capacidade de compra da população.

Ao mesmo tempo, a renda elevada também é observada com atenção pelo Banco Central. Um mercado de trabalho aquecido pode manter a demanda por serviços em patamar alto, dificultando a desaceleração da inflação em alguns segmentos. Por isso, os dados da PNAD Contínua costumam ser acompanhados de perto por analistas, governo e autoridades monetárias.

Informalidade recua para 37,2%

A taxa de informalidade caiu de 37,5% no trimestre encerrado em janeiro para 37,2% no trimestre encerrado em abril. Em números absolutos, o Brasil tinha 38,1 milhões de trabalhadores informais no período, abaixo dos 38,5 milhões registrados no trimestre anterior.

Na comparação com o trimestre de fevereiro a abril de 2025, a informalidade também recuou. Naquele período, a taxa era de 38%, com 38,5 milhões de pessoas em ocupações informais.

A queda da informalidade é relevante porque indica melhora na composição do mercado de trabalho. Empregos formais tendem a oferecer maior proteção ao trabalhador, com acesso a direitos como férias, 13º salário, FGTS, previdência e maior previsibilidade de renda.

Entre os empregados no setor privado, 39,3 milhões tinham carteira assinada, excluídos os trabalhadores domésticos. Outros 13,3 milhões atuavam no setor privado sem carteira. Entre os trabalhadores domésticos, 1,3 milhão tinha carteira assinada e 4,1 milhões estavam sem carteira.

O levantamento também mostrou 26 milhões de trabalhadores por conta própria, 4,2 milhões de empregadores e 12,9 milhões de empregados no setor público. A composição revela um mercado amplo e heterogêneo, no qual a formalização avança, mas a informalidade ainda representa parcela expressiva da ocupação.

Subutilização fica estável em 13,8%

A taxa composta de subutilização da força de trabalho ficou em 13,8% no trimestre encerrado em abril, mantendo estabilidade frente ao trimestre anterior. O indicador considera pessoas desocupadas, subocupadas por insuficiência de horas trabalhadas e integrantes da força de trabalho potencial.

Em números absolutos, a subutilização atingia 15,7 milhões de pessoas. Na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior, houve melhora relevante: a taxa era de 15,4%, o que representa queda de 1,7 ponto percentual.

O número de pessoas subutilizadas caiu 11,1% em um ano, com redução de 2 milhões de pessoas nessa condição. Esse movimento reforça a leitura de melhora anual do mercado de trabalho, mesmo diante do ajuste sazonal observado no trimestre.

A população subocupada por insuficiência de horas trabalhadas foi estimada em 4,2 milhões de pessoas. O contingente caiu 5,5% no trimestre, o equivalente a 246 mil pessoas a menos, e recuou 7,3% no ano, com redução de 336 mil pessoas.

A queda da subocupação sugere que parte dos trabalhadores conseguiu ampliar jornada ou migrar para ocupações com maior volume de horas. Esse indicador é importante porque mostra a qualidade da ocupação para além da simples existência de trabalho.

Desalento tem queda expressiva em um ano

A população desalentada ficou em 2,6 milhões de pessoas no trimestre encerrado em abril, com estabilidade na comparação trimestral. O desalento reúne pessoas que gostariam de trabalhar, estavam disponíveis, mas deixaram de procurar emprego por acreditarem que não conseguiriam uma vaga.

Na comparação com o mesmo trimestre de 2025, houve queda de 15,3%, o equivalente a 464 mil pessoas a menos nessa condição. O percentual de desalentados ficou em 2,3%, estável no trimestre, mas abaixo dos 2,7% observados um ano antes.

A redução do desalento em 12 meses é um sinal positivo. Quando há melhora no mercado de trabalho, parte das pessoas que havia desistido de procurar emprego volta à força de trabalho ou consegue encontrar uma ocupação.

Apesar da queda anual, o contingente de 2,6 milhões de desalentados ainda mostra que o mercado de trabalho brasileiro mantém desafios estruturais. Parte da população segue afastada das oportunidades por falta de qualificação, dificuldades regionais, responsabilidades familiares, problemas de mobilidade ou ausência de vagas compatíveis com sua experiência.

Outros serviços puxam queda de ocupação no trimestre

No recorte por setores, o grupo de outros serviços registrou redução de 162 mil pessoas ocupadas no trimestre. Nos demais grupos de atividade, o IBGE apontou estabilidade.

A perda concentrada em outros serviços reforça a explicação de sazonalidade dada pelo instituto. Serviços pessoais, comércio e atividades ligadas ao consumo costumam ampliar contratações no fim do ano e ajustar parte dos postos nos primeiros meses seguintes.

Esse comportamento ajuda a explicar por que a taxa de desemprego subiu na margem sem indicar uma deterioração generalizada do mercado de trabalho. A estabilidade nos demais grupos sugere que o ajuste foi localizado, e não espalhado por toda a economia.

Ainda assim, a evolução dos próximos meses será importante para confirmar se o movimento foi apenas sazonal. Caso a taxa de desemprego permaneça baixa e a renda continue elevada, a leitura de mercado de trabalho forte tende a se consolidar.

Emprego forte influencia consumo, inflação e juros

O resultado do desemprego no Brasil tem impacto direto sobre a economia. Uma taxa baixa, acompanhada de renda recorde, tende a sustentar o consumo das famílias e a atividade em setores dependentes da demanda interna.

Para empresas, o cenário pode representar aumento de vendas, mas também maior pressão sobre custos trabalhistas. Em um mercado de trabalho apertado, companhias podem enfrentar mais dificuldade para contratar, reter profissionais e controlar despesas com salários e benefícios.

Para o Banco Central, os dados reforçam a necessidade de acompanhar a relação entre emprego, renda e inflação. A força do mercado de trabalho pode manter a demanda aquecida, especialmente em serviços, segmento que costuma responder de forma mais lenta à política monetária.

Para o governo, o dado é positivo por mostrar mais renda circulando e maior ocupação em relação ao ano anterior. Esse quadro pode favorecer arrecadação, consumo e indicadores sociais, embora ainda haja desafios ligados à informalidade, desalento e desigualdade regional.

Mercado de trabalho segue resiliente em 2026

O desemprego de 5,8% no trimestre encerrado em abril confirma que o mercado de trabalho brasileiro entrou em 2026 em condição historicamente forte. A alta em relação ao trimestre anterior foi explicada pelo IBGE como efeito sazonal, enquanto os demais indicadores mantiveram sinais favoráveis.

A renda média no recorde de R$ 3.732, a queda da informalidade para 37,2%, a estabilidade da subutilização e o recuo anual do desalento formam um conjunto de dados que aponta resistência da ocupação e da renda no país.

O principal ponto de atenção será a capacidade da economia de manter esse nível de emprego sem gerar pressões adicionais sobre a inflação. A próxima leitura da PNAD Contínua será acompanhada por analistas, empresas, governo e Banco Central para avaliar se a força do mercado de trabalho continuará sustentada ao longo de 2026.

Tags: Banco Centraldesalentodesemprego no BrasilEconomiaeconomia brasileiraemprego no BrasilIBGEinformalidademercado de trabalhoPnad Contínuarenda do trabalhadorsubutilizaçãotaxa de desemprego

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