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Bolsas da Europa sobem com impulso de IA, e Milão renova máxima histórica

STMicroelectronics disparou após elevar metas com data centers e puxou setor de tecnologia, enquanto juros e Oriente Médio seguiram no radar.

por Camila Braga
02/06/2026 às 15h11
em Mercados
Bolsas Da Europa Sobem Com Impulso De Ia, E Milão Renova Máxima Histórica - Gazeta Mercantil

As bolsas da Europa fecharam majoritariamente em alta nesta terça-feira (2), em recuperação parcial das perdas da sessão anterior, impulsionadas pelo avanço de ações ligadas à inteligência artificial e semicondutores. O destaque foi a Bolsa de Milão, onde o FTSE MIB renovou máximas históricas intraday e de fechamento, puxado pela forte alta da STMicroelectronics, fabricante europeia de chips que elevou metas de receita com data centers.

Em Londres, o FTSE 100 encerrou em alta de 0,33%, aos 10.373,51 pontos. Em Frankfurt, o DAX subiu 0,46%, aos 25.116,86 pontos. Em Paris, o CAC 40 avançou 0,77%, aos 8.209,09 pontos. Em Milão, o FTSE MIB saltou 1,61%, aos 50.578,54 pontos, após atingir máxima intraday de 50.581,86 pontos. Em Madri, o Ibex 35 ganhou 0,48%, aos 18.272,00 pontos. Na contramão, em Lisboa, o PSI 20 recuou 0,03%, aos 8.958,45 pontos. As cotações são preliminares.

O desempenho das bolsas da Europa refletiu uma combinação de apetite por risco em tecnologia, alívio parcial nos preços do petróleo e expectativa por novas sinalizações de política monetária. O mercado também continuou atento aos desdobramentos geopolíticos no Oriente Médio, especialmente às tratativas envolvendo Estados Unidos e Irã.

STMicroelectronics dispara e impulsiona tecnologia

A STMicroelectronics foi o principal destaque corporativo do pregão europeu. As ações da fabricante de chips avançaram 15,1% em Milão, depois que a companhia elevou suas metas de receita com data centers, segmento diretamente associado à expansão de infraestrutura para inteligência artificial.

O movimento reforçou o entusiasmo global com empresas ligadas a IA, semicondutores, computação em nuvem e processamento de dados. Esse rali tem beneficiado companhias expostas à demanda por chips, servidores, data centers e componentes utilizados em aplicações de alto desempenho.

A forte valorização da STMicroelectronics ajudou a impulsionar o subíndice de tecnologia do Stoxx 600, que subiu 3,3% na sessão. O setor se tornou um dos principais vetores de sustentação das bolsas da Europa, acompanhando o desempenho recente de empresas de tecnologia em Wall Street e na Ásia.

A reação mostra que investidores seguem dispostos a pagar prêmio por companhias associadas à expansão da inteligência artificial, mesmo em um ambiente de juros elevados e incerteza geopolítica.

Milão renova máxima histórica com apoio de chips

O desempenho da STMicroelectronics teve efeito direto sobre o mercado italiano. O FTSE MIB, principal índice da Bolsa de Milão, fechou aos 50.578,54 pontos, renovando máxima histórica de encerramento. Durante o pregão, o índice chegou a 50.581,86 pontos, também um recorde intraday.

A alta de Milão foi a mais forte entre os principais mercados acionários europeus. O movimento refletiu tanto o peso da STMicroelectronics quanto o ambiente favorável para ativos de risco ligados à tecnologia.

A renovação de máxima histórica em Milão ocorre em meio a uma fase de maior interesse por empresas europeias com exposição a tendências globais, como semicondutores, energia, defesa, infraestrutura e bancos. No caso italiano, a composição do índice também tem sido favorecida por companhias financeiras e industriais.

Para investidores, o avanço do FTSE MIB sinaliza que parte do capital global segue buscando alternativas fora das grandes Bolsas americanas, especialmente em mercados europeus com valuations considerados mais atrativos.

Petróleo alivia, mas Oriente Médio segue no radar

Além do impulso vindo da tecnologia, investidores europeus receberam algum alívio com a queda nos preços do petróleo. A commodity vinha pressionada por incertezas sobre o Oriente Médio, especialmente diante do conflito envolvendo Estados Unidos e Irã.

A redução do petróleo tende a ajudar empresas intensivas em energia e a aliviar parte das preocupações inflacionárias. Na Europa, esse ponto é particularmente sensível porque choques de energia têm efeito direto sobre custos industriais, transporte, consumo e política monetária.

Apesar do alívio, o ambiente geopolítico segue instável. Investidores ainda aguardam sinais mais claros sobre eventuais tratativas para encerrar a guerra entre Estados Unidos e Irã. Qualquer deterioração no conflito pode reacender a volatilidade em petróleo, gás natural, moedas e Bolsas.

Para as bolsas da Europa, o risco geopolítico segue como um fator de limitação. Mesmo com a alta desta terça-feira, o mercado permanece vulnerável a notícias sobre segurança energética, rotas comerciais e oferta global de combustíveis.

Inflação mantém pressão sobre o Banco Central Europeu

No campo macroeconômico, a inflação da zona do euro acelerou para 3,2% em maio, segundo leitura preliminar. O dado veio abaixo do previsto, mas ainda foi suficiente para manter expectativas de aperto monetário pelo Banco Central Europeu, o BCE, em junho, conforme avaliação do Nordea.

A inflação segue como um dos principais pontos de atenção para investidores europeus. Mesmo com sinais de moderação em alguns componentes, o nível de preços ainda limita a margem de atuação do BCE e mantém o debate sobre juros em primeiro plano.

O dirigente Olli Rehn, da Finlândia, afirmou que a perspectiva para a Europa em razão da situação geopolítica “não é boa” e disse que um possível aumento de juros na reunião de junho deve ser visto como “uma medida de precaução”.

A fala reforça a postura cautelosa de autoridades monetárias diante de um ambiente marcado por choques externos, energia volátil e incerteza sobre crescimento. Para as Bolsas, juros mais altos podem reduzir o valor presente dos lucros futuros e pressionar setores sensíveis a crédito.

Banco da Inglaterra vê inflação imprevisível

No Reino Unido, o presidente do Banco da Inglaterra, Andrew Bailey, também destacou os riscos ligados ao cenário externo. Segundo ele, os eventos no Golfo são responsáveis pela disparada da inflação, e os acontecimentos futuros estão “altamente imprevisíveis”.

A avaliação de Bailey reforça a preocupação dos bancos centrais com choques de energia e instabilidade geopolítica. Em economias desenvolvidas, a política monetária já opera em terreno delicado, tentando equilibrar controle da inflação e preservação do crescimento.

Para o mercado britânico, a alta de 0,33% do FTSE 100 ocorreu apesar dessas incertezas. O índice londrino costuma ter forte presença de empresas globais, exportadoras, energia, mineração e bancos, o que pode reduzir parte da sensibilidade a dados domésticos específicos.

Ainda assim, a sinalização do Banco da Inglaterra mantém investidores atentos à trajetória dos juros no Reino Unido. Qualquer mudança nas expectativas de política monetária pode afetar libra, renda fixa e ações locais.

Abivax despenca após alerta em estudo clínico

Entre os destaques negativos do pregão, a Abivax, empresa francesa de biotecnologia, despencou 43% após informar que vários pacientes em seu estudo clínico sobre colite ulcerativa desenvolveram câncer.

A queda acentuada mostra a sensibilidade de empresas de biotecnologia a notícias clínicas. Companhias do setor dependem fortemente de resultados de estudos, aprovação regulatória e percepção de segurança dos tratamentos em desenvolvimento.

Quando surgem sinais adversos em testes clínicos, o impacto sobre o valor de mercado pode ser expressivo, porque investidores reavaliam a probabilidade de aprovação, o potencial comercial do produto e o risco de interrupção dos estudos.

O desempenho da Abivax contrastou com o otimismo observado em tecnologia e semicondutores, mostrando que o mercado europeu teve uma alta concentrada em temas específicos, e não uma valorização uniforme em todos os setores.

IA sustenta apetite por risco nas Bolsas europeias

A sessão desta terça-feira mostrou que a inteligência artificial segue como uma das principais teses de investimento nos mercados globais. O avanço da STMicroelectronics e do setor de tecnologia europeu reforçou a percepção de que a demanda por data centers, chips e infraestrutura digital continua forte.

Para as bolsas da Europa, o tema é relevante porque oferece um vetor de crescimento em meio a um cenário macroeconômico ainda desafiador. Juros altos, inflação persistente, geopolítica instável e dúvidas sobre crescimento limitam movimentos mais amplos, mas setores ligados à IA continuam atraindo fluxo.

O fechamento em alta majoritária dos índices europeus indica recuperação parcial do apetite por risco, mas não elimina cautela. Investidores seguem atentos a petróleo, Oriente Médio, inflação e decisões de bancos centrais.

O destaque de Milão, com nova máxima histórica, mostra que o rali de tecnologia pode ter força suficiente para sustentar índices específicos, especialmente quando empresas de grande peso apresentam sinalizações positivas. Ainda assim, o mercado europeu deve continuar dependente da combinação entre resultados corporativos, juros e riscos externos nas próximas sessões.

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