IGP-DI registra deflação em maio e indica cenário econômico mais ameno para o Brasil
Entenda o impacto da queda do IGP-DI e o que esperar da economia brasileira e dos mercados globais
O Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) apresentou uma variação negativa de 0,85% em maio, configurando uma deflação que surpreende o mercado e sinaliza uma nova fase para os preços na economia brasileira. O indicador, calculado mensalmente pela Fundação Getulio Vargas (FGV), representa uma das principais referências para medir a inflação, especialmente no setor produtivo e de atacado, e sua queda aponta para uma tendência de moderação nos preços.
Em um cenário macroeconômico ainda marcado por incertezas internacionais e expectativas de desaceleração econômica nos Estados Unidos, a deflação do IGP-DI reforça a percepção de que a inflação no Brasil pode estar sob controle, ao menos no curto prazo.
IGP-DI: Deflação de 0,85% surpreende em maio
O IGP-DI registrou deflação de 0,85% em maio, após uma alta de 0,30% em abril. No acumulado do ano, o índice sobe apenas 0,05%, enquanto em 12 meses a variação é de 6,27%. O resultado é significativamente inferior ao de maio de 2024, quando houve alta de 0,87% e uma elevação de 0,88% nos 12 meses anteriores.
O principal responsável por esse desempenho foi o recuo do Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que representa 60% da composição do IGP-DI. O IPA caiu 1,38% no mês, influenciado pela redução dos preços de commodities agrícolas como farelo de soja, milho em grão e bovinos. Em abril, o IPA havia avançado 0,20%.
IPC desacelera e reforça cenário de moderação inflacionária
Outro componente relevante do IGP-DI, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que responde por 30% do indicador, também apresentou desaceleração. O IPC variou 0,34% em maio, ante 0,52% no mês anterior. A desaceleração dos preços nos grupos Saúde e Cuidados Pessoais (de 1,41% para 0,59%) e Alimentação (de 0,72% para 0,29%) contribuiu decisivamente para esse resultado.
Essa retração é particularmente importante em um contexto de alta sensibilidade dos consumidores aos preços de produtos essenciais, como alimentos e medicamentos.
Indicadores reforçam estabilidade econômica no Brasil
O comportamento do IGP-DI em maio reforça a expectativa de que o Brasil atravessa um período de maior estabilidade econômica. Ainda que a inflação acumulada em 12 meses continue em patamar elevado, a desaceleração recente pode oferecer ao Banco Central maior margem para conduzir a política monetária com mais flexibilidade.
Além disso, com a inflação controlada, o mercado começa a considerar novos cortes na taxa Selic, o que pode estimular o crescimento econômico no segundo semestre de 2025.
Contexto internacional: emprego nos EUA e volatilidade nos mercados
Paralelamente aos dados do IGP-DI, o mercado também acompanha com atenção os indicadores de emprego dos Estados Unidos. O payroll (emprego não agrícola) esperado para maio está em 126 mil vagas, contra 177 mil no mês anterior. O nível de desemprego permanece projetado em 4,2%, sinalizando uma possível desaceleração do mercado de trabalho americano.
Esse dado é crucial para os rumos da política monetária do Federal Reserve. Uma desaceleração na criação de empregos pode reforçar a tese de manutenção ou até redução das taxas de juros, o que influenciaria diretamente os fluxos de capitais globais e o comportamento dos mercados emergentes, como o Brasil.
Trump e Musk: tensão e diplomacia corporativa impactam mercados
Em meio aos dados econômicos, uma tensão geopolítica com potencial de impacto financeiro ganhou destaque: a relação entre Donald Trump e Elon Musk. Segundo informações de bastidores, ambos podem estar caminhando para uma trégua, o que reduz o risco de interrupções em projetos estratégicos como a nave espacial Dragon, da SpaceX.
A eventual paralisação da Dragon colocaria em risco a troca de dados militares e científicos entre a NASA e a estação espacial americana, obrigando o governo a buscar alternativas, possivelmente até com fornecedores russos. Essa reaproximação pode reduzir a volatilidade no setor aeroespacial e tecnológico, impactando diretamente empresas listadas em bolsas globais.
Impactos nos investimentos e no mercado financeiro
A deflação do IGP-DI abre espaço para um ambiente mais favorável aos investimentos em renda fixa e variável. Com a inflação sob controle, há maior previsibilidade econômica, o que estimula investidores institucionais e pessoas físicas a ampliarem sua exposição ao mercado de capitais.
A Bolsa de Valores pode reagir positivamente ao cenário, especialmente nos setores de consumo e construção civil, que tendem a se beneficiar da perspectiva de queda de juros. Já o mercado de câmbio pode observar menor pressão sobre o dólar, favorecendo a valorização do real.
Setores mais impactados pela deflação do IGP-DI
Entre os setores que mais sentiram os efeitos da deflação do IGP-DI, destacam-se:
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Agronegócio: A queda nos preços de farelo de soja e milho tende a reduzir os custos de produção, melhorando a margem dos produtores.
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Alimentos: A desaceleração no IPC pode aliviar a inflação percebida pelas famílias, ampliando o poder de compra.
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Varejo: Com preços mais baixos e possível queda nos juros, o consumo tende a ser incentivado.
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Indústria de base: A retração nos preços no atacado pode ajudar indústrias que dependem de insumos agrícolas e minerais.
Expectativas para os próximos meses
O comportamento do IGP-DI em maio é um sinal claro de mudança na dinâmica de preços no Brasil. Se essa tendência continuar nos próximos meses, o país poderá consolidar uma trajetória de crescimento moderado com inflação controlada — cenário ideal para um ciclo de recuperação econômica sustentável.
As projeções indicam que, se mantido o atual ritmo de desaceleração, o IGP-DI pode fechar o semestre com variação próxima de zero, o que reforçaria a expectativa de que o Banco Central reduza os juros em breve.
IGP-DI como termômetro da economia brasileira
O IGP-DI é mais do que um número. Ele reflete o comportamento dos preços em toda a cadeia produtiva do país. Sua deflação em maio é um indicativo de que a economia brasileira pode estar entrando em um novo ciclo, marcado por maior controle inflacionário e oportunidades para retomada do crescimento.
Com o cenário externo monitorado de perto e os indicadores internos caminhando para um equilíbrio, o momento é de atenção e preparação por parte de investidores, empresários e consumidores. O desempenho do IGP-DI será, sem dúvida, uma das peças-chave para entender os próximos passos da economia nacional.






