Ibovespa 2025: Ações Domésticas Impulsionam o Índice com Destaques como Cogna, Assaí e CVC
O Ibovespa 2025 tem registrado um desempenho expressivo no acumulado do ano, impulsionado pela forte valorização de ações domésticas. Empresas como Cogna (COGN3) , Assaí (ASAI3) e CVC (CVCB3) figuram entre os maiores destaques do índice, acumulando valorizações superiores a 100% desde o início de 2025.
Segundo Rodrigo Santoro Geraldes, head de equities da Bradesco Asset Management (BRAM), esse movimento reflete uma combinação de fatores estratégicos, incluindo a expectativa de que o Banco Central do Brasil tenha encerrado o ciclo de aperto monetário e a recuperação dos papéis que sofreram fortes perdas em 2024.
“A reversão do estresse da curva de juros está beneficiando as empresas mais sensíveis à economia doméstica, especialmente aquelas que foram penalizadas no final do ano passado”, explicou Santoro em entrevista recente.
Além disso, o gestor destacou uma mudança na alocação de carteira por parte dos investidores, que estão migrando de ações ligadas às commodities para ativos mais voltados ao consumo interno. “Temos visto uma rotation — ou seja, rotação — de empresas de commodities para os domésticos, influenciada pela perspectiva de queda nos juros, além de câmbio e preços de commodities mais fracos.”
Por Que o Ibovespa 2025 Tem Surpreendido os Investidores?
A alta do Ibovespa 2025 não é resultado apenas da valorização isolada de alguns papéis, mas sim de um movimento mais amplo de reequilíbrio no mercado acionário brasileiro. Muitas das ações que lideraram a alta até agora apresentavam níveis de avaliação historicamente baixos, o que atraiu a atenção de gestores e investidores de longo prazo.
Empresas com boas perspectivas operacionais, gestão eficiente e potencial de geração de caixa têm sido alçadas ao status de favoritas na bolsa. Além disso, setores como varejo alimentar, utilities e construção civil têm se beneficiado diretamente da melhora nas condições macroeconômicas locais.
Santoro também ressaltou a importância de ajustes microeconômicos dentro de cada empresa: “Há companhias que melhoraram significativamente seus fundamentos e estão sendo recompensadas pelo mercado, mesmo sem grandes mudanças no cenário externo”.
Destaque Setorial no Ibovespa 2025
Dentro da visão estratégica da Bradesco Asset, alguns setores têm chamado a atenção como oportunidades promissoras:
Locação de Veículos: Localiza (RENT3)
A Localiza (RENT3) tem sido elogiada por seu desempenho consistente e posição competitiva no mercado. Segundo Santoro, a empresa vem melhorando trimestre a trimestre, com vantagens claras em relação aos concorrentes, especialmente em termos de alavancagem financeira e capacidade de repasse de custos.
“É uma empresa que consegue manter margens saudáveis mesmo em momentos de pressão inflacionária, graças ao seu modelo de negócios eficiente e sua forte presença nacional”, afirmou o gestor.
Construção Civil: Cury (CURY3)
No setor de habitação, a Cury (CURY3) aparece como uma escolha estratégica da BRAM, especialmente diante da perspectiva de redução da taxa Selic. Com foco no segmento de baixa renda, a construtora tem conseguido crescer mesmo em um ambiente econômico ainda incerto.
“O cenário de juros mais baixos tende a favorecer o crédito imobiliário, e a Cury está bem posicionada para capturar essa demanda reprimida”, destacou o especialista.
Varejo Alimentar: Grupo Mateus (GMAT3)
O Grupo Mateus (GMAT3) também foi citado como uma aposta sólida para quem busca exposição no setor de varejo. Com uma estratégia de expansão baseada em alocação eficiente de capital e diferenciação regional, a empresa tem demonstrado resiliência frente à concorrência direta.
“É uma empresa que consegue alocar capital com bom retorno e ainda vê espaço grande para crescimento nessa alocação, dada todas as vantagens competitivas que possui”, disse Santoro.
Utilities: Sabesp (SBSP3) e Copasa (CSMG3)
As concessionárias de saneamento básico também são vistas com bons olhos pela gestora. A Sabesp (SBSP3) , por exemplo, tem ganhado tração com a criação de novas URAEs (Unidades Regionais de Abastecimento de Água e Esgotamento Sanitário), especialmente no segmento de drenagem urbana.
Já a Copasa (CSMG3) é considerada uma oportunidade interessante tanto por sua atual geração de dividendos quanto por possíveis mudanças no controle acionário. “Também tem uma possibilidade de privatização para o ano que vem, com o governo de Minas aderindo ao Propag. Então, a gente vê uma simetria positiva para o papel”, observou o analista.
Bancos: BTG Pactual (BPAC11) Como Foco Estratégico
O setor bancário representa cerca de 20% da composição teórica do Ibovespa 2025 , e dentre as instituições financeiras, o BTG Pactual (BPAC11) é a preferida da Bradesco Asset.
“Na nossa visão, é um banco que aloca muito bem capital e tem espaço para crescer”, disse Santoro, destacando a capacidade do banco de inovar em serviços e aproveitar lacunas deixadas por grandes instituições tradicionais.
Commodities: Visão Mais Cautelosa
Apesar do otimismo com as ações domésticas, a BRAM mantém uma postura mais conservadora quanto ao setor de commodities, devido à expectativa de preços mais fracos tanto para o minério de ferro quanto para o petróleo.
“Nossa visão é de desbalanceamento entre oferta e demanda, principalmente no final do ano”, alertou o gestor. No entanto, ele destacou a Prio (PRIO3) como uma exceção positiva no setor.
“Claro que o preço do petróleo é importante para a companhia, mas a gente tem visto gatilhos positivos para os resultados da Prio do lado micro, como a integração do Campo de Peregrino”, afirmou Santoro.
Ele também mencionou a expectativa pela liberação de licenças para avançar com a operação de Wahoo, algo que pode impulsionar ainda mais os resultados da empresa.
Celulose: Preocupações com Oferta Excessiva
Outro setor sob vigilância é o de celulose, onde a Bradesco Asset enxerga riscos relacionados ao excesso de oferta. “A gente tem visto uma oferta maior do que o esperado vindo da China, o que pode pressionar os preços internacionais”, comentou o gestor.
Essa dinâmica pode impactar negativamente exportadores brasileiros, exigindo maior cautela na seleção de ativos dentro desse segmento.
Perspectivas para o Ibovespa 2025
O Ibovespa 2025 continua a ser acompanhado de perto por analistas e investidores de todo o mundo. Sua trajetória depende de fatores como a evolução da política monetária no Brasil, o comportamento do dólar e a performance dos setores estratégicos da economia.
Rodrigo Santoro ressaltou que, embora haja otimismo com o curto prazo, o sucesso sustentável do índice dependerá de reformas estruturais, confiança empresarial e continuidade de políticas econômicas responsáveis.
“O Brasil tem mostrado sinais importantes de recuperação, mas precisa consolidar esses avanços com decisões firmes no campo fiscal e regulatório”, concluiu.






