Tarifaço de Trump: Alckmin Atribui Ataque Econômico ao “Clã Bolsonaro” e Define Grupo de Trabalho
O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, afirmou que o tarifaço de Trump — a sobretaxa de 50% imposta sobre produtos brasileiros — tem origem na influência de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro dentro do governo americano. Segundo Alckmin, o tarifaço de Trump retoma práticas que prejudicam o Brasil, com impacto direto em empregos e empresas.
A seguir, os principais pontos sobre essa acusação, a reação do governo brasileiro e o contexto que envolve essa crise comercial:
Clã Bolsonaro por trás do tarifaço de Trump?
Alckmin responsabiliza o chamado “clã Bolsonaro” por interferir nas decisões de Donald Trump que levaram ao tarifaço de Trump. Para o vice-presidente, a participação de aliados do ex-governo foi decisiva para provocar represálias econômicas que atingem duramente o país:
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Durante a pandemia da Covid-19, o governo Bolsonaro agiu contra os interesses nacionais, de acordo com o ministro.
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O período também ficou marcado por recorde de desmatamento e tentativas de golpe institucional.
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Mesmo fora do poder, o clã continuou operando contra o Brasil — segundo Alckmin, com outro efeito devastador: o tarifaço de Trump.
Discussão do governo: criar Grupo de Trabalho
Em resposta às medidas americanas, Alckmin revelou que o governo formará um Grupo de Trabalho para analisar e definir estratégias de reação ao tarifaço de Trump. A criação dessa instância técnica reforça o compromisso com o diálogo, sem precipitação, mas com decisões estratégicas e coordenadas.
Contexto do anúncio: evento do “Carro Sustentável”
No mesmo dia, Geraldo Alckmin participou do lançamento do “Carro Sustentável” no Planalto — programa que prevê isenção de IPI para carros elétricos, híbridos e Flex. No evento, estiveram presentes ministros como Fernando Haddad (Fazenda) e Marina Silva (Meio Ambiente), além de representantes da indústria automobilística e sindical.
O contraste entre medidas comerciais drásticas nos EUA e iniciativas ambientais no Brasil mostra a prioridade atual do governo em equilibrar estratégia internacional e desenvolvimento sustentável.
Efeitos esperados do tarifaço de Trump na economia
O tarifaço de Trump pode gerar consequências significativas:
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Setores mais impactados: agronegócio, indústria, comércio exportador e cadeias produtivas.
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Aumento do custo de insumos e pressão inflacionária local.
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Oscilações no câmbio e taxa de juros, por conta de instabilidade nos mercados.
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Redução de investimentos estrangeiros e retração no crescimento econômico.
O anúncio do Grupo de Trabalho sinaliza a reação rápida e coordenada do governo para mitigar esses efeitos.
Caminhos possíveis para resposta diplomática e econômica
Ao criar o comitê, o Brasil sinaliza que busca:
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Adoção de medidas baseadas em legislação de reciprocidade econômica.
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Reação técnica e diplomática, evitando escalada com retaliações econômicas diretas.
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Coordenação entre setores: Indústria, Agricultura, Fazenda, Itamaraty e Relações Exteriores.
Essa articulação visa conter o impacto do tarifaço de Trump sem comprometer a imagem internacional do país.
Significado político da declaração de Alckmin
Ao colocar a responsabilidade no “clã Bolsonaro”, Alckmin reforça duas narrativas:
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A continuidade das ações do ex-governo, agora com interferência internacional.
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A legitimidade do atual governo em buscar reparação sem jogar gás na polarização já existente.
Essa estratégia reforça o posicionamento institucional do Planalto e a narrativa de proteção aos interesses nacionais.
O tarifaço de Trump representa um ataque direto à economia e aos símbolos da produção nacional. No entanto, a resposta de Alckmin — atribuindo a culpa ao legado político anterior e chamando um Grupo de Trabalho — mostra que o governo busca atuar em bases técnicas e diplomáticas.
O grande desafio será transformar essa reação em medidas efetivas, protegendo setores vulneráveis e mantendo o diálogo, sem descambar para retaliações que possam trazer desequilíbrios maiores.
A tensão criada pelo tarifaço pode ser uma oportunidade para reposicionar contratos com outros países, acelerar projetos internos de sustentabilidade e fortalecer o aparato institucional de defesa comercial.






