Tarifas dos EUA ao Brasil: Haddad descarta influência do BRICS e projeta nova cooperação com recursos estratégicos
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, negou que o protagonismo do Brasil no BRICS tenha motivado as tarifas de 50% impostas por Donald Trump sobre as exportações brasileiras. Em entrevista à BandNews, Haddad ressaltou que, se essa hipótese fosse verdadeira, países fundadores do bloco como Índia, China e África do Sul já teriam sofrido taxação similar — o que não aconteceu. As declarações visam desmentir narrativas geopolíticas equivocadas e destacar elementos estratégicos, como minerais críticos e terras raras, que podem ser usados como instrumento de negociação.
BRICS não motivou tarifas dos EUA ao Brasil
Na entrevista à BandNews, Fernando Haddad foi taxativo: o Brasil não foi alvo de tarifa por sua liderança ou influência dentro do BRICS. Embora Índia, China e África do Sul mantenham tensões comerciais com os EUA, nenhum desses países foi taxado em 50%, diferentemente do Brasil. Essa lógica revela que a imposição não teve caráter geopolítico ligado ao bloco, mas foi direcionada especificamente ao mercado brasileiro.
O Brasil sediou a cúpula do BRICS no Rio de Janeiro em julho de 2025. Ainda assim, nenhum dos outros membros do grupo sofreu sanções iguais. Haddad ressaltou que os EUA mantêm déficit comercial com o Brasil, enquanto exportam muito mais ao Brasil do que importam — contexto que torna a taxação injustificável como retaliação estratégica.
Impacto real das tarifas dos EUA ao Brasil
Apesar das tarifas de 50% despertarem grande preocupação, Haddad destacou que o impacto macroeconômico ainda é limitado. Segundo ele:
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Apenas 12% das exportações brasileiras têm os EUA como destino.
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Deste total, cerca de 4% estão vulneráveis à imposição tarifária — o que representa setores de exportação com menor flexibilidade de redirecionamento de mercado.
Produtos como commodities agrícolas ou minério podem ser redirecionados para outros mercados, muitos deles integrantes do BRICS e com demanda crescente por produtos brasileiros.
Diversificação e oportunidade no BRICS
Uma das estratégias apontadas por Haddad é a diversificação de mercados para minimizar os efeitos das tarifas dos EUA ao Brasil. A China, por exemplo, já autorizou 183 empresas brasileiras a exportarem café e outros insumos, fortalecendo o fluxo comercial fora dos EUA.
Essa abertura, segundo especialistas, representa o início de um redirecionamento estratégico de exportações, que pode mitigar os impactos do “tarifaço” de Trump. A habilitação da exportação para a China não é imediata, mas a sinalização já é considerada uma importante alternativa comercial.
Minerais críticos e terras raras como moeda de negociação
Haddad apresentou os minerais críticos e terras raras como recursos estratégicos negociáveis com os EUA. O Brasil possui reservas de lítio, cobalto, níquel e outros elementos essenciais para tecnologias de ponta. Ele sugeriu que acordos bilaterais poderiam incluir cooperação em:
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Produção de baterias elétricas;
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Componentes de energia renovável, como turbinas eólicas e painéis solares;
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Semicondutores e outras tecnologias de última geração.
A proposta coloca o Brasil em posição vantajosa, dado que os EUA dependem desses recursos e não têm reservas domésticas suficientes.
Panorama político e retórica internacional
Na entrevista ao Times Brasil, Haddad também comparou a percepção nas exportações: enquanto os EUA já sentem os efeitos inflacionários de tarifas sobre o café, o Brasil se mostra menos vulnerável ao choque. Ele enfatizou que o impacto é mais microeconômico — afetando consumidores e empresas específicas — do que macroeconômico, ao contrário do que costuma ser sugerido por retórica política.
O ministro busca ainda reforçar a narrativa de que o mercado brasileiro não se curva a pressões e que pode se reorganizar politicamente em torno de novos vetores econômicos.
Estratégias do Brasil para enfrentar as tarifas dos EUA ao Brasil
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Diversificação dos parceiros comerciais, com foco no BRICS.
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Abertura de novos mercados, como a China para produtos agrícolas e café.
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Aproveitamento de recursos estratégicos, com foco em tecnologia e sustentabilidade.
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Discussões bilaterais, a fim de incluir o Brasil em conversas de cooperação tecnológica.
Desafios e perspectivas
Apesar do otimismo moderado, Haddad reconheceu a necessidade de mais agilidade nas exportações habilitadas, assim como um ambiente institucional que incentive participação em cadeias globais de valor. O Brasil vive uma janela estratégica caso consiga converter suas reservas minerais em projetos de cooperação tecnológica.
Por fim, embora os efeitos das tarifas dos EUA ao Brasil possam ser enfrentados, há necessidade de cautela e de construção de uma agenda diplomática que priorize a adaptação às pressões comerciais sem ceder à narrativa adversarial.
Fernando Haddad foi claro ao afirmar que as tarifas dos EUA ao Brasil não derivaram de um suposto alinhamento geopolítico do país no BRICS. A imposição de taxas é limitada ao Brasil, não se estendendo a outros membros do bloco com tensões maiores com Washington. Ao mesmo tempo, o Brasil retém mecanismos estratégicos — como o uso de minerais críticos e terras raras — para contrabalançar os efeitos do tarifaço.
A diversificação comercial, aliada à integração com mercados emergentes e ao fortalecimento da economia baseada em recursos estratégicos, compõe o mapa de resistência à pressão americana. Haddad reforça que, embora o impacto ainda seja localizado, o país pode se reposicionar de forma negociada e proativa na geopolítica econômica global.






