STF condena Bolsonaro: maioria formada com voto de Cármen Lúcia
Um julgamento histórico para a democracia brasileira
O STF condena Bolsonaro em um julgamento que já entrou para a história do Brasil. Com o voto da ministra Cármen Lúcia, a Corte atingiu maioria pela condenação do ex-presidente e de seus aliados por crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado e ao ataque às instituições democráticas.
A decisão marca um divisor de águas no enfrentamento às ameaças contra o Estado Democrático de Direito e coloca sob responsabilidade judicial os principais nomes ligados ao 8 de janeiro de 2023. O caso ainda depende do voto final do ministro Cristiano Zanin, mas a maioria formada já é suficiente para consolidar o entendimento da Corte.
Como o STF formou maioria contra Bolsonaro
Até o momento, três ministros se manifestaram pela condenação de Jair Bolsonaro e dos demais acusados. Alexandre de Moraes e Flávio Dino haviam votado anteriormente pela responsabilização dos réus em todos os crimes imputados pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
Na sessão mais recente, o voto de Cármen Lúcia consolidou o placar em 3 a 1, garantindo a maioria necessária para que o julgamento tivesse resultado favorável à acusação. Assim, ficou estabelecido que o STF condena Bolsonaro por sua participação na organização de atos que atentaram contra a ordem democrática.
Crimes apontados na acusação
Segundo a denúncia da PGR, os crimes praticados pelo grupo liderado por Bolsonaro e seus aliados incluem:
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Organização criminosa armada;
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Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito;
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Golpe de Estado;
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Dano qualificado pela violência e grave ameaça;
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Deterioração de patrimônio tombado.
No caso do deputado Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), parte das acusações foi suspensa em razão de foro parlamentar, restando apenas três imputações. Essa exceção não altera o impacto da decisão principal, que confirma que o STF condena Bolsonaro e o considera peça-chave em uma empreitada criminosa contra a democracia.
O voto de Cármen Lúcia
O posicionamento da ministra Cármen Lúcia foi considerado firme e histórico. Em sua manifestação, ela afirmou que o julgamento remete a momentos de ruptura institucional vividos pelo Brasil no passado e que os atos de 8 de janeiro de 2023 não podem ser tratados como um episódio banal.
Segundo a ministra, há provas robustas de que Bolsonaro e seus aliados articularam um plano sistemático para fragilizar as instituições democráticas e impedir a alternância legítima de poder após as eleições de 2022.
Esse posicionamento reforça a linha adotada pelos ministros que já haviam se manifestado pela condenação e consolida a percepção de que o STF condena Bolsonaro não apenas por seus atos, mas também pelo simbolismo que carregam para a preservação da democracia.
A dosimetria das penas
Embora o resultado do julgamento já esteja definido com a formação da maioria, as penas ainda não foram anunciadas. O processo segue para a chamada dosimetria, momento em que os ministros definem as condenações específicas de cada réu.
As punições podem chegar a 30 anos de prisão em regime fechado, dependendo da gravidade dos crimes e do grau de participação de cada acusado. Essa etapa será decisiva para consolidar o peso do veredito que confirma que o STF condena Bolsonaro.
Divergência com o voto de Luiz Fux
Entre os votos até agora apresentados, Luiz Fux foi o único a se manifestar pela absolvição parcial de Bolsonaro. Ele defendeu a condenação apenas de Mauro Cid e do general Braga Netto, limitando sua posição ao crime de abolição do Estado Democrático de Direito.
Apesar disso, o voto de Cármen Lúcia superou a divergência e reforçou a maioria, deixando claro que o STF condena Bolsonaro e reconhece sua responsabilidade direta nos atos golpistas.
O impacto da Lei 14.197/21
Outro ponto de destaque no voto de Cármen Lúcia foi a defesa da legitimidade da Lei 14.197/21, que define os crimes contra a democracia e foi sancionada pelo próprio Bolsonaro.
Para a ministra, é inadmissível que os réus questionem a validade de uma norma que eles mesmos ajudaram a aprovar. Esse entendimento fortalece o argumento de que o STF condena Bolsonaro com base em legislação plenamente legítima e conhecida pelos acusados.
O simbolismo do 8 de janeiro
A decisão do STF também serve como resposta institucional aos atos de 8 de janeiro de 2023, quando prédios dos Três Poderes foram invadidos e depredados. Para Cármen Lúcia, o episódio foi resultado de uma série de acontecimentos planejados para minar a democracia.
Ao afirmar que o STF condena Bolsonaro, a Corte também envia um recado claro de que rupturas semelhantes não serão toleradas e de que a responsabilidade recairá sobre aqueles que incentivarem ou liderarem movimentos contra o regime democrático.
A reação política
O reconhecimento de que o STF condena Bolsonaro inevitavelmente repercute no cenário político nacional. Seus aliados classificam a decisão como perseguição, enquanto setores democráticos a veem como um marco na proteção das instituições.
Independentemente da leitura política, o fato é que a decisão do Supremo terá impacto direto nas eleições futuras, nas articulações partidárias e na forma como o ex-presidente será lembrado na história recente do Brasil.
Um marco para a democracia
Mais do que punir indivíduos, o julgamento simboliza a vitória das instituições sobre a tentativa de golpe. O STF condena Bolsonaro como parte de uma empreitada criminosa que buscou enfraquecer o Judiciário, as Forças Armadas e a própria soberania popular.
Esse resultado reforça o compromisso do Supremo com a defesa da Constituição e estabelece um precedente para que futuras ameaças à democracia sejam tratadas com rigor máximo.






