Vendas em Bares e Restaurantes: Crescimento de 0,4% em Julho Indica Recuperação Gradual do Setor
O setor de alimentação fora do lar, que inclui bares, lanchonetes e restaurantes em todo o Brasil, registrou uma alta de 0,4% em julho, segundo o Índice Abrasel-Stone. Apesar de modesto, o resultado aponta para uma recuperação gradual das vendas em bares e restaurantes, que ainda enfrentam grandes desafios em meio ao cenário econômico instável.
Na comparação com o mesmo período de 2024, o índice mostrou queda de 0,9%, revelando que a retomada ainda é desigual entre regiões e categorias. Entretanto, especialistas avaliam que fatores como férias escolares, melhora pontual no mercado de trabalho e leve redução do desemprego ajudaram a impulsionar o consumo no mês.
Índice Abrasel-Stone: termômetro do setor
O Índice Abrasel-Stone é referência nacional para medir o desempenho das vendas em bares e restaurantes. Ele monitora movimentações financeiras de estabelecimentos em 24 estados, com base nos dados transacionais da Stone.
Esse levantamento mensal é fundamental para empreendedores, pois ajuda a entender tendências de consumo, variação regional e os impactos da inflação nos hábitos alimentares da população. A análise de julho mostra que, embora a trajetória de crescimento seja tímida, ela traz esperança para o segundo semestre de 2025.
O que explica o crescimento das vendas em julho?
O presidente da Abrasel destacou que as férias escolares contribuíram para elevar a demanda, especialmente em cidades turísticas. Mesmo nos grandes centros urbanos, onde a rotina costuma ser mais estável, as vendas em bares e restaurantes mantiveram desempenho positivo.
Segundo economistas, o cenário também foi influenciado por:
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Mercado de trabalho mais aquecido: geração de empregos, ainda que em ritmo moderado.
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Queda no desemprego: ampliando o poder de compra das famílias.
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Demanda reprimida: consumidores voltaram a gastar mais com lazer e alimentação fora de casa.
Apesar disso, o endividamento das famílias e a inflação alta ainda impõem limites ao crescimento.
Panorama estadual: quem cresceu e quem recuou
Entre os 24 estados monitorados, apenas sete registraram alta nas vendas em bares e restaurantes em julho de 2025, na comparação anual:
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Rio Grande do Norte e Maranhão: +3,3%
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Piauí: +2,7%
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Paraná e São Paulo: +1%
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Goiás: +0,3%
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Roraima: +0,1%
Já os estados com desempenho negativo chamam atenção pelo impacto:
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Pará: -6,8%
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Tocantins: -5,9%
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Mato Grosso: -5,6%
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Alagoas: -5%
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Bahia: -4,8%
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Rondônia: -3,4%
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Rio Grande do Sul e Santa Catarina: -2,9%
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Pernambuco: -2,8%
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Paraíba e Minas Gerais: -2,3%
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Rio de Janeiro: -2,1%
Outros estados, como Sergipe, mantiveram estabilidade. Esse contraste revela a desigualdade regional da recuperação.
Inflação ainda pesa sobre o setor
Um dos maiores obstáculos enfrentados pelas vendas em bares e restaurantes é a inflação dos insumos. Em julho, o IPCA mostrou que a alimentação fora do lar subiu 0,87%, bem acima da inflação geral do mês (0,26%).
Nos últimos 12 meses, a inflação da alimentação fora de casa acumulou alta de 8,31%, superando tanto o índice geral (5,23%) quanto a inflação de alimentos e bebidas no domicílio (7,44%).
Esse cenário pressiona os negócios, que precisam repassar parte dos custos ao consumidor, mas enfrentam resistência em um mercado já fragilizado.
A disparada dos lanches e a recomposição de preços
Em julho, o item lanche foi o maior responsável pela inflação no setor, com alta de 1,9%, contra 0,4% da refeição tradicional. Esse movimento indica mudança de hábitos dos consumidores, que optam por alternativas mais rápidas e, em alguns casos, mais baratas, mas que tiveram aumento mais acentuado no mês.
A pesquisa da Abrasel mostra que:
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37% dos estabelecimentos não reajustaram preços nos últimos 12 meses.
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57% ajustaram preços iguais ou abaixo da inflação.
Ou seja, muitos empresários ainda operam com margens apertadas, tentando manter clientela, mesmo sacrificando a rentabilidade.
Desafios enfrentados pelos bares e restaurantes
Os empreendedores do setor relatam dificuldades que vão além da inflação. Entre os principais desafios que impactam as vendas em bares e restaurantes estão:
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Alto custo de insumos e energia.
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Carga tributária elevada.
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Endividamento e acesso limitado a crédito.
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Concorrência intensa, especialmente em grandes cidades.
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Mudanças nos hábitos de consumo pós-pandemia.
Apesar disso, o crescimento de julho sinaliza que existe espaço para recuperação, desde que os próximos meses tragam mais estabilidade econômica.
Expectativas para o segundo semestre
Especialistas acreditam que o segundo semestre de 2025 poderá consolidar a retomada das vendas em bares e restaurantes, caso a inflação siga controlada e o emprego continue em crescimento. Eventos sazonais, como feriados prolongados e festas regionais, também podem impulsionar o consumo.
Para muitos empresários, o desafio será equilibrar reajustes de preços com a manutenção da clientela. Uma retomada consistente dependerá de fatores macroeconômicos, como juros, renda disponível das famílias e políticas de apoio ao setor de serviços.
O desempenho de julho mostra que as vendas em bares e restaurantes estão em processo de recuperação, ainda que lenta e desigual entre estados. A inflação elevada e o endividamento das famílias seguem como obstáculos, mas a combinação de fatores sazonais e melhora do mercado de trabalho pode sustentar o crescimento ao longo do segundo semestre.
O setor continua sendo vital para a economia brasileira, empregando milhões de pessoas e movimentando cadeias produtivas de alimentos, bebidas e serviços. Por isso, acompanhar os próximos indicadores será essencial para avaliar o rumo da retomada.






