Queda do Bitcoin: Entenda as Razões da Desvalorização da Criptomoeda em Agosto
A queda do bitcoin voltou a movimentar o mercado de criptomoedas nesta sexta-feira (22), após semanas de forte valorização que levaram a moeda digital a registrar novas máximas históricas. Com um recuo superior a 5% no acumulado semanal, o ativo digital reflete um sentimento de cautela entre os investidores, que ajustam suas posições diante das incertezas sobre a política monetária dos Estados Unidos e o cenário econômico global.
Mais do que um simples ajuste técnico, a queda do bitcoin reacende o debate sobre volatilidade, especulação e os fatores que influenciam diretamente os preços das criptomoedas em 2025.
Bitcoin Cai Após Máximas Históricas
Depois de ultrapassar o patamar de US$ 118 mil e animar os entusiastas, o bitcoin passou por um movimento de correção. Nesta sexta-feira, a moeda é cotada a US$ 112.037,63, acumulando queda de 0,99% em 24 horas e mais de 5% em sete dias.
Esse movimento ocorre em paralelo a um desempenho positivo nos mercados tradicionais. Enquanto bolsas asiáticas fecharam em alta e os índices europeus operam majoritariamente no positivo, o mercado de cripto enfrenta um “ressaca” pós-euforia.
A queda do bitcoin mostra que, mesmo em um cenário de crescente aceitação institucional, a moeda digital ainda é altamente sensível a fatores externos, como juros, inflação e declarações de autoridades monetárias.
Desempenho das Principais Criptomoedas
O movimento de baixa não se restringe ao bitcoin. A maioria das principais criptomoedas também registra quedas nesta semana:
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Ethereum (ETH): US$ 4.235,83 (-8,67% na semana)
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XRP (XRP): US$ 2,79 (-10,34% na semana)
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Solana (SOL): US$ 178,48 (-8,30% na semana)
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Dogecoin (DOGE): US$ 0,2106 (-8,68% na semana)
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Cardano (ADA): US$ 0,8289 (-12,35% na semana)
O cenário é de perdas quase generalizadas, exceto para algumas stablecoins como USDT e USDC, que mantêm sua paridade com o dólar. Esse movimento reforça a percepção de que os investidores buscam ativos de menor risco em momentos de incerteza.
Queda do Bitcoin e o Fator Jerome Powell
Um dos principais elementos por trás da queda do bitcoin é a expectativa em torno do discurso de Jerome Powell, presidente do Federal Reserve (Fed), no Simpósio de Jackson Hole.
O evento reúne autoridades monetárias de todo o mundo e costuma ditar o rumo da política econômica global. Powell fala em um momento crítico: menos de um mês antes da reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), que poderá definir um possível corte de juros nos EUA.
A manutenção dos juros elevados reduz a atratividade das criptomoedas, uma vez que investidores tendem a migrar para ativos de renda fixa em busca de segurança e retorno previsível.
O Papel da Inflação nos Estados Unidos
Outro fator crucial é a inflação nos Estados Unidos, que permanece acima da meta de 2% estabelecida pelo Fed. Os dados da próxima semana serão decisivos para indicar se haverá espaço para cortes de juros já em setembro.
Caso a inflação siga pressionada, a tendência é de que o Fed mantenha os juros altos por mais tempo, o que impacta diretamente ativos de risco como o bitcoin. Nesse cenário, a queda do bitcoin pode se intensificar, testando novos suportes abaixo dos US$ 110 mil.
Aspecto Psicológico e Suportes Técnicos
A análise técnica mostra que o bitcoin perdeu suportes importantes nos últimos dias. O nível psicológico de US$ 110 mil é visto como linha de defesa para evitar uma queda mais acentuada.
Se esse patamar for rompido, analistas apontam que a moeda pode buscar a faixa dos US$ 105 mil ou até mesmo abaixo dos US$ 100 mil, dependendo do humor do mercado.
Por outro lado, caso Powell sinalize cortes de juros, o bitcoin pode recuperar força e retomar a trajetória de valorização, mostrando novamente sua sensibilidade ao discurso das autoridades monetárias.
Comparação com Outros Ciclos de Queda do Bitcoin
Historicamente, o bitcoin já passou por diversos ciclos de forte valorização seguidos de quedas expressivas. Em 2017, após atingir quase US$ 20 mil, o ativo recuou mais de 80% nos meses seguintes.
Em 2021, a moeda também atingiu recordes e depois enfrentou correções de mais de 50%. Esses ciclos fazem parte da natureza do ativo, que é altamente especulativo e dependente do fluxo de liquidez global.
A queda do bitcoin em 2025, portanto, não foge ao padrão histórico de volatilidade da criptomoeda.
Impactos no Mercado Global de Criptomoedas
A retração do bitcoin afeta todo o ecossistema cripto. Exchanges relatam queda no volume de negociações, projetos menores sofrem ainda mais com a falta de liquidez, e stablecoins ganham espaço como refúgio.
Além disso, a pressão sobre o bitcoin também gera impactos em setores ligados, como mineração. A desvalorização reduz a margem de lucro dos mineradores, podendo levar a ajustes na rede e até à queda da taxa de hash no médio prazo.
Investidores na Defensiva
Os investidores, diante da queda do bitcoin, adotam uma postura mais cautelosa. Muitos realizam lucros acumulados nas últimas semanas, enquanto outros preferem esperar os sinais do Fed antes de retomar posições agressivas.
Fundos institucionais, que vinham ampliando exposição ao ativo, também reduzem posições temporariamente, aguardando maior clareza sobre o rumo da política monetária.
Oportunidade ou Risco?
Para os mais otimistas, a queda do bitcoin representa uma oportunidade de compra, já que acreditam no potencial da moeda superar novos recordes nos próximos meses, principalmente se o Fed iniciar o ciclo de corte de juros.
Já os mais conservadores alertam que o cenário ainda é incerto e que o bitcoin pode testar níveis mais baixos antes de retomar sua trajetória de alta.
Perspectivas para o Futuro do Bitcoin
O futuro do bitcoin dependerá de uma combinação de fatores: política monetária do Fed, inflação nos EUA, aceitação institucional e a própria psicologia do mercado.
Apesar da queda atual, o ativo ainda acumula valorização de quase 20% em 2025, mostrando que segue como uma das principais apostas para quem busca diversificação e potencial de retorno no longo prazo.
A queda do bitcoin em agosto de 2025 reflete a sensibilidade da criptomoeda ao cenário macroeconômico global. A expectativa em torno do discurso de Jerome Powell e dos dados de inflação nos EUA definirá os próximos passos da moeda digital.
Entre riscos e oportunidades, o bitcoin continua no centro das atenções do mercado, reafirmando sua relevância no sistema financeiro global.






