Mudanças no Imposto de Renda: veja como cada classe social será impactada pelo novo projeto
O debate sobre as mudanças no Imposto de Renda voltou ao centro das atenções no Brasil com a aprovação, pela Câmara dos Deputados, de um projeto de lei que promete alterar a forma como diferentes classes sociais contribuem. O texto, que ainda precisa passar pelo Senado antes de ser sancionado pelo presidente Lula, prevê alívio para trabalhadores que ganham entre R$ 5 mil e R$ 7,3 mil por mês e aumento de carga para contribuintes de alta renda.
De acordo com estimativas do Ministério da Fazenda, cerca de 10 milhões de brasileiros poderão ser beneficiados com isenções e descontos, enquanto pouco mais de 200 mil pessoas da elite econômica do país deverão pagar mais, em função da criação de uma alíquota mínima de 10% de IRPF.
Alívio para a base: trabalhadores de até R$ 5 mil mensais
A primeira e mais simbólica das mudanças no Imposto de Renda afeta diretamente os trabalhadores com carteira assinada que recebem até R$ 5 mil por mês. Atualmente, a faixa de isenção é limitada a R$ 3.036 mensais. Com o novo projeto, milhões de brasileiros deixarão de pagar IRPF, aumentando a renda líquida disponível para consumo e alívio financeiro das famílias.
A alteração busca corrigir a defasagem da tabela do IRPF acumulada ao longo dos anos, atendendo a uma promessa de campanha do governo Lula.
Faixa intermediária: salários entre R$ 5 mil e R$ 7,3 mil
Quem ganha entre R$ 5 mil e R$ 7.350 mensais terá uma tabela exclusiva e progressiva, que prevê deduções automáticas. O objetivo é evitar que trabalhadores logo acima da linha de isenção paguem valores desproporcionais de IRPF.
Essa medida representa um alívio parcial nas mudanças do Imposto de Renda, reduzindo o peso tributário da chamada classe média.
Profissionais de alta renda: salários acima de R$ 50 mil
A partir dessa faixa, o governo pretende garantir que nenhum contribuinte de altíssima renda pague menos que 10% de imposto. Atualmente, muitos que ganham acima de R$ 50 mil mensais (R$ 600 mil ao ano) se beneficiam de brechas legais, resultando em alíquotas efetivas abaixo de 7%.
Com as mudanças no Imposto de Renda, quem se enquadrar nesse perfil passará a ter uma alíquota mínima obrigatória de 10%. Isso significa aumento de tributação para a elite econômica, especialmente o 0,1% mais rico do país, grupo formado por pouco mais de 200 mil pessoas.
Profissionais liberais com empresa própria
Advogados, médicos, engenheiros e outros profissionais que utilizam pessoa jurídica para receber seus rendimentos também serão afetados. Hoje, dividendos distribuídos pelas empresas não sofrem tributação no IRPF.
Com a nova regra, quem recebe mais de R$ 50 mil mensais em dividendos passará a pagar 10% de IRPF retido na fonte, mesmo que a declaração anual de ajuste permita restituições posteriores. Essa é uma das mudanças no Imposto de Renda mais significativas, já que impacta diretamente modelos de planejamento tributário bastante usados por profissionais liberais de alta renda.
Ricos pagarão mais: efeito concentrado no 0,1%
Segundo dados oficiais, os contribuintes do 0,1% mais rico do Brasil têm renda média mensal de R$ 392 mil e pagam apenas 7,4% de IRPF. Com a nova lei, esse grupo passará a recolher pelo menos 10%. Para o 0,01% mais rico, que hoje paga em média 3%, a diferença será ainda mais significativa.
A lógica do projeto é simples: aliviar a base da pirâmide e transferir o ônus para os mais ricos. Essa redistribuição é o ponto central das mudanças no Imposto de Renda defendidas pelo governo.
Impactos sociais e econômicos
Os efeitos do projeto vão além da arrecadação. Ao desonerar trabalhadores de baixa e média renda, o governo busca ampliar o poder de consumo de milhões de famílias. Por outro lado, ao aumentar a carga sobre os mais ricos, busca reforçar a justiça tributária e reduzir a desigualdade.
Críticos, porém, apontam que a efetividade depende de fiscalização e de ajustes em benefícios fiscais que ainda permitem margens para planejamento agressivo. A discussão sobre como o Brasil tributa renda e patrimônio continua no centro da agenda econômica.
O que muda para cada faixa de renda com o novo IRPF
-
Até R$ 5 mil/mês – total isenção do IRPF.
-
Entre R$ 5 mil e R$ 7,350/mês – nova tabela exclusiva, progressiva, com deduções automáticas.
-
Entre R$ 7,350 e R$ 50 mil/mês – manutenção das regras atuais, sem grandes mudanças.
-
Acima de R$ 50 mil/mês – aplicação da alíquota mínima de 10% no IRPF.
-
Dividendos acima de R$ 50 mil/mês – tributação de 10% na fonte.






