Reforma do Imposto de Renda: 90% dos brasileiros acreditam em melhora financeira, aponta pesquisa Quaest
A reforma do Imposto de Renda se consolida como uma das medidas mais populares do governo Lula. De acordo com pesquisa da Genial Quaest divulgada em outubro de 2025, 90% dos brasileiros acreditam que a proposta trará melhora financeira, seja de forma significativa ou moderada. O levantamento reflete o otimismo da população diante da promessa de isenção para quem ganha até R$ 5 mil mensais — medida que pode impactar diretamente o poder de compra e a economia doméstica.
A pesquisa ouviu 2.004 entrevistados em todas as regiões do país entre os dias 2 e 5 de outubro, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%. Segundo os dados, 79% dos entrevistados aprovam a reforma, enquanto apenas 17% se declaram contrários e 4% não souberam responder.
Reforma do Imposto de Renda é vista como alívio para classe média e baixa renda
Entre os principais pontos da reforma do Imposto de Renda, está o fim da cobrança para quem recebe até R$ 5 mil mensais. A mudança representa uma redução de carga tributária para trabalhadores formais e autônomos, além de estimular o consumo e a movimentação econômica.
De acordo com a Quaest, 41% dos entrevistados afirmam que terão uma melhora importante nas finanças pessoais, enquanto 49% acreditam que o impacto será pequeno, mas positivo. Apenas 10% disseram não esperar qualquer mudança.
Para o governo federal, a medida é estratégica politicamente e deve consolidar o discurso de justiça fiscal — uma das bandeiras centrais do terceiro mandato de Lula. Já para o mercado, o desafio está em equilibrar o custo fiscal da isenção e garantir que o aumento de arrecadação entre os mais ricos compense a perda de receita.
Brasileiros apoiam aumento de impostos para os mais ricos
A pesquisa também mostra que a população apoia a progressividade tributária, princípio que orienta o novo modelo proposto. Segundo os dados, 64% dos entrevistados concordam com o aumento de impostos para os mais ricos como forma de compensar a isenção para quem ganha menos. Apenas 29% se opõem à medida, enquanto 6% preferiram não responder.
Esse resultado reforça a percepção de que há um desejo coletivo por mais equilíbrio e justiça no sistema tributário brasileiro, marcado há décadas pela concentração da carga sobre o consumo — o que penaliza as classes mais baixas.
A reforma do Imposto de Renda surge, portanto, como uma oportunidade de corrigir distorções históricas e redistribuir de forma mais justa o peso dos tributos.
Lula aposta capital político na reforma do Imposto de Renda
Para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a reforma é uma aposta eleitoral de alto valor simbólico. A isenção para quem ganha até R$ 5 mil reforça a imagem de um governo voltado à defesa da classe trabalhadora e do poder de compra das famílias.
Além disso, o Palácio do Planalto vê a aprovação da medida como uma forma de recuperar popularidade e fortalecer a narrativa de “governo do povo”. A expectativa é que o impacto da reforma seja sentido ainda em 2026, ano de eleições municipais, o que pode favorecer aliados políticos em diversas regiões do país.
No Congresso, o Senado Federal ainda discute ajustes na proposta enviada pelo Executivo. Apesar das divergências sobre a compensação fiscal, o clima é favorável à aprovação, dado o apoio expressivo da opinião pública e a pressão dos eleitores sobre os parlamentares.
Desconhecimento ainda é desafio para o governo
A Quaest aponta, porém, que 33% dos brasileiros ainda desconhecem a proposta da reforma do Imposto de Renda. O número é considerado alto por especialistas, que alertam para a necessidade de maior comunicação governamental sobre o tema.
A falta de compreensão pode gerar dúvidas ou expectativas desalinhadas quanto aos impactos reais da reforma, especialmente entre microempreendedores e trabalhadores informais. Para reverter esse cenário, o governo planeja uma campanha de esclarecimento nacional, explicando quem será beneficiado, como funcionará o novo sistema e quais serão as novas faixas de contribuição.
Impactos econômicos esperados com a reforma do Imposto de Renda
Especialistas em economia avaliam que a reforma do Imposto de Renda tem potencial para aumentar o consumo interno, especialmente entre as famílias de renda média e baixa, que representam a maior parte da população brasileira.
Com mais dinheiro disponível no bolso do trabalhador, setores como comércio, alimentação e serviços podem registrar crescimento nas vendas e uma consequente recuperação no emprego formal.
Por outro lado, analistas alertam que o governo precisará conter o impacto fiscal da medida. A expectativa é que a perda inicial de arrecadação seja compensada por novas faixas de tributação sobre rendas mais altas, lucros e dividendos, além da melhoria na eficiência da cobrança e combate à evasão.
Mercado financeiro monitora efeitos da reforma
No mercado financeiro, a reforma do Imposto de Renda é vista com cautela. Apesar do potencial positivo sobre o consumo, há preocupação com possíveis pressões inflacionárias e efeitos sobre a dívida pública caso o aumento de arrecadação entre os mais ricos não cubra as renúncias tributárias.
O Banco Central (BC) e o Ministério da Fazenda trabalham para alinhar as expectativas. A equipe econômica de Fernando Haddad tem defendido que a reforma do IR será fiscalmente neutra, ou seja, sem gerar déficit adicional, e que o impacto líquido deve ser compensado pela taxação de grandes fortunas e lucros no exterior.
Reforma do IR e percepção social
O levantamento da Quaest revela também uma mudança importante na percepção dos brasileiros em relação ao papel do Estado. A maioria da população entende que tributar mais quem tem maior renda é uma medida justa, especialmente quando os recursos são revertidos em serviços públicos de qualidade e políticas sociais eficientes.
Nesse contexto, a reforma do Imposto de Renda não é apenas uma questão econômica, mas também social e simbólica. Representa o desejo por um sistema tributário mais equitativo, onde os esforços sejam distribuídos de forma proporcional à capacidade de contribuição de cada cidadão.
Próximos passos no Senado e impacto político
A tramitação da reforma no Senado Federal deve continuar até o fim de 2025. A base governista tenta acelerar a votação, enquanto a oposição busca incluir ajustes nas faixas de renda e nos mecanismos de compensação.
Independentemente do ritmo, analistas políticos avaliam que o apoio popular maciço tornará difícil a rejeição da proposta. Caso aprovada, a reforma do Imposto de Renda deve ser um dos principais trunfos de Lula em 2026, fortalecendo o discurso de que o governo “entregou o que prometeu”.






