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Confiança do empresário da indústria segue negativa há 10 meses, aponta CNI

por Redação
14/10/2025 às 11h15 - Atualizado em 21/11/2025 às 15h25
em Economia, Destaque, Notícias
Confiança Do Empresário Da Indústria Segue Negativa Há 10 Meses, Aponta Cni - Gazeta Mercantil

Confiança do empresário da indústria segue negativa há 10 meses, aponta CNI

A confiança do empresário da indústria brasileira completou dez meses consecutivos em queda, segundo dados divulgados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Mesmo com uma leve alta no índice em outubro de 2025, o setor industrial segue imerso em um ambiente de pessimismo econômico, reflexo da desaceleração da economia, dos juros elevados e da baixa demanda doméstica.

O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) subiu um ponto em outubro, atingindo 47,2 pontos, mas ainda permanece abaixo da linha dos 50 pontos, que separa a zona de otimismo da de falta de confiança. O resultado mostra que, embora haja uma leve melhora nas percepções sobre o futuro, a confiança empresarial segue abalada em todos os portes de empresas — pequenas, médias e grandes.


Panorama geral da confiança empresarial em 2025

A pesquisa da CNI ouviu 1.164 empresas entre 1º e 7 de outubro de 2025, sendo 458 de pequeno porte, 444 médias e 262 grandes. Apesar da ligeira recuperação, o resultado mostra que os empresários ainda percebem o ambiente de negócios como desafiador, marcado por incertezas no cenário fiscal, baixo consumo das famílias e lentidão nas políticas de incentivo à produção.

O gerente de Análise Econômica da CNI, Marcelo Azevedo, destacou que “a melhora registrada ainda é insuficiente para indicar uma reversão de tendência”. Segundo ele, o ICEI segue quase três pontos abaixo da linha de neutralidade, o que reforça o sentimento de cautela entre os industriais brasileiros.

“O final do ano costuma ser mais favorável para a indústria, e isso se reflete nas expectativas. É possível que o ICEI melhore, mas não o suficiente para mudar o quadro de falta de confiança que vem desde o início do ano”, explicou o economista.


Desempenho dos componentes do ICEI

O Índice de Condições Atuais — que avalia a percepção dos empresários sobre o momento econômico e o desempenho das próprias empresas — avançou 1,3 ponto, passando de 41,9 para 43,2 pontos.
Apesar da melhora, o indicador segue abaixo dos 50 pontos, o que indica que, para a maioria dos entrevistados, a situação atual ainda é pior do que há seis meses.

A elevação desse componente reflete uma ligeira melhora na percepção sobre o ambiente empresarial, impulsionada pela expectativa de aumento sazonal da produção nos últimos meses do ano. No entanto, fatores como inflação persistente, custo de crédito elevado e desaceleração da demanda interna continuam pesando sobre a confiança industrial.

Já o Índice de Expectativas — que mede a visão dos empresários sobre os próximos seis meses — teve sua terceira alta consecutiva, crescendo 2,9 pontos, e chegou a 49,1 pontos. Apesar de ainda abaixo da zona de otimismo, o número indica uma desaceleração no pessimismo.

Essa melhora é atribuída à esperança de recuperação gradual do consumo e à possibilidade de redução da taxa básica de juros (Selic), fatores que poderiam aliviar o custo financeiro e incentivar novos investimentos no setor produtivo.


Indústria brasileira enfrenta cenário de incerteza econômica

Mesmo com pequenas variações positivas no ICEI, a indústria brasileira ainda enfrenta uma combinação de fatores adversos. Entre os principais desafios citados pelos empresários estão:

  • Custo elevado de energia e insumos industriais;

  • Burocracia e insegurança regulatória;

  • Juros altos que dificultam o crédito produtivo;

  • Dificuldades na exportação devido à desaceleração global;

  • Queda no consumo interno e aumento da inadimplência.

Esses elementos comprometem não apenas a rentabilidade das empresas, mas também a disposição dos empresários em investir, o que impacta diretamente a geração de empregos e o crescimento econômico do país.

Segundo especialistas do setor, o pessimismo prolongado pode ter efeito cumulativo, reduzindo o ritmo de contratações e postergando projetos de modernização e expansão industrial.


Comparativo histórico e impactos regionais

Nos últimos dez meses, o ICEI tem se mantido consistentemente abaixo de 50 pontos, o que caracteriza um dos períodos mais longos de desconfiança da indústria desde 2015.
Enquanto setores ligados à exportação e ao agronegócio conseguiram manter algum fôlego, as indústrias voltadas ao mercado interno foram as mais afetadas, especialmente nos ramos de bens de consumo duráveis, construção civil e metalurgia.

O estudo da CNI também revela diferenças regionais na percepção de confiança.
Empresários do Sudeste e do Sul demonstraram um leve otimismo com as vendas de fim de ano, impulsionadas pela Black Friday e pelo Natal. Já nas regiões Norte e Nordeste, a falta de incentivos fiscais e a lentidão em obras públicas mantêm o sentimento de insegurança em alta.


Expectativas para os próximos meses

Mesmo com a leve melhora nas expectativas, o ICEI ainda reflete uma postura defensiva das empresas. A maioria dos empresários deve evitar contratações e novos investimentos até o final de 2025, aguardando sinais mais concretos de retomada econômica.

Entre os fatores que podem mudar esse cenário estão:

  • Redução da Selic, atualmente em patamar elevado;

  • Aceleração de programas de infraestrutura e inovação tecnológica;

  • Maior previsibilidade fiscal e política;

  • Aumento da confiança do consumidor.

O governo tem buscado medidas para estimular o investimento privado, como linhas de crédito voltadas à modernização industrial e programas de incentivo à exportação. No entanto, o impacto dessas ações ainda não foi sentido no curto prazo, segundo os empresários consultados.


O papel da confiança na retomada da economia

A confiança do empresário da indústria é considerada um termômetro importante da economia brasileira. Quando o índice se mantém baixo por longos períodos, como o atual, isso indica cautela no consumo, redução de investimentos e lentidão na recuperação econômica.

A confiança é essencial para que empresários planejem contratações, aumentem a produção e invistam em inovação. Sem ela, a atividade industrial tende a estagnar, gerando efeitos em cadeia sobre o emprego e a renda.

Economistas ressaltam que a retomada da confiança depende de estabilidade institucional, previsibilidade nas políticas públicas e condições macroeconômicas favoráveis. Uma eventual melhora nos próximos meses poderá sinalizar um novo ciclo de expansão para 2026, mas, por enquanto, o cenário segue de prudência e incerteza.


Setores com melhor desempenho relativo

Alguns segmentos da indústria mostraram resiliência diante do pessimismo geral, segundo o levantamento.
Os ramos de alimentos e bebidas, papel e celulose e equipamentos médicos apresentaram melhor percepção de condições atuais, sustentados por exportações e demanda estável.

Em contrapartida, setores como automotivo, têxtil e eletroeletrônico continuam entre os mais afetados, com queda na produção e alto nível de estoques. Esses segmentos dependem fortemente da confiança do consumidor e do acesso ao crédito, fatores ainda limitados pelo cenário macroeconômico restritivo.


Otimismo cauteloso e desafios persistentes

A confiança do empresário da indústria permanece em terreno negativo, mas os sinais de melhora observados em outubro sugerem uma possível inflexão moderada para os próximos meses. O setor aguarda condições macroeconômicas mais favoráveis para retomar o ritmo de produção e investimento.

Enquanto isso, a CNI segue acompanhando o comportamento do índice, que continuará sendo um dos principais indicadores do humor industrial brasileiro.

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