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GLO na COP 30 divide opiniões em Belém e reacende debate sobre uso das Forças Armadas em eventos internacionais

Presença das Forças Armadas na COP 30, em Belém, mobiliza mais de 10 mil agentes e reacende discussão sobre limites da Garantia da Lei e da Ordem

por Redação
05/11/2025
em Política, Destaque, News
Presença Das Forças Armadas Na Cop 30, Em Belém, Mobiliza Mais De 10 Mil Agentes E Reacende Discussão Sobre Limites Da Garantia Da Lei E Da Ordem - Gazeta Mercantil

GLO na COP 30: medida em Belém divide opiniões e reacende debate sobre uso das Forças Armadas em segurança pública

Belém (PA) se prepara para sediar um dos maiores eventos climáticos do planeta — a 30ª Conferência das Partes da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP 30) — e, junto com a expectativa de receber cerca de 140 delegações internacionais, veio também uma medida que dividiu a opinião pública: a decretação da Garantia da Lei e da Ordem (GLO).

A decisão do governo federal, que autoriza o uso das Forças Armadas para reforçar a segurança da capital paraense até 23 de novembro, gerou reações opostas entre especialistas, autoridades e a população. Enquanto parte dos analistas vê a medida como protocolo comum em grandes eventos internacionais, outros alertam para o risco de militarização da segurança pública.

A operação, batizada de “Operação COP30”, envolve mais de 10 mil agentes federais, estaduais e municipais, com coordenação direta do Comitê Executivo de Segurança Integrada Regional (CESIR), sob supervisão da Polícia Federal.

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GLO na COP 30: o que é e por que foi decretada

A GLO (Garantia da Lei e da Ordem) é uma ferramenta prevista na Constituição Federal, que permite o emprego temporário das Forças Armadas em situações de grave perturbação da ordem pública ou quando as forças estaduais se mostram incapazes de garantir a segurança.

No caso da COP 30, a medida foi solicitada pelo governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), e autorizada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O objetivo é garantir a segurança de chefes de Estado, delegações internacionais, autoridades diplomáticas e da própria população de Belém durante o evento, que ocorrerá sob rígido esquema de vigilância.

O decreto determina que o emprego dos militares ocorra em articulação com as forças de segurança federais e estaduais, sem substituí-las, mas reforçando a capacidade operacional do Estado durante o período do evento.


Operação COP30: logística e estrutura de segurança em Belém

A estrutura montada para a COP 30 é considerada uma das maiores já organizadas na Região Norte. O plano de segurança inclui:

  • 10 mil agentes das forças estaduais, municipais e federais;

  • Bases de comando integradas entre Exército, Marinha, Aeronáutica, Polícia Federal, PRF e Secretaria de Segurança Pública do Pará (Segup);

  • Monitoramento em tempo real feito pelo CESIR (Comitê Executivo de Segurança Integrada Regional);

  • Bloqueio de avenidas e vias estratégicas nas imediações do Parque da Cidade, onde será realizado o evento principal;

  • Controle de tráfego aéreo e marítimo nos perímetros próximos ao Aeroporto Internacional Júlio Cézar Ribeiro e ao porto de Belém;

  • Fiscalização de hospedagens, transportes e credenciamentos de participantes.

Segundo o governo estadual, a GLO busca garantir tranquilidade e fluidez nas operações durante o evento, especialmente diante da presença de chefes de Estado, ministros e representantes de organismos internacionais.


Entenda por que a GLO divide opiniões

Apesar de ser uma medida constitucional e temporária, a decisão de decretar a GLO na COP 30 dividiu juristas e especialistas em segurança pública.

Para alguns, como o doutor em Direito do Estado pela USP, Renato Ribeiro de Almeida, o uso das Forças Armadas é “um procedimento comum em eventos de grande porte”, principalmente quando há interesse nacional e internacional envolvido.

De outro lado, analistas apontam que o emprego militar em funções civis pode abrir precedentes perigosos, especialmente se utilizado com frequência. O advogado Diego Serafim, do escritório Almeida Advogados e Consultores, ressalta que a GLO é uma medida de “caráter emergencial e excepcional”, e não um instrumento de política criminal.

“Transformar a GLO em regra enfraquece o equilíbrio federativo e cria dependência militar nas ações de segurança pública”, argumentam juristas.


Contexto político: GLO no Rio e o debate sobre seu uso

A decisão de Lula de aplicar a GLO na COP 30 reacendeu o debate político, especialmente após o governo negar o mesmo instrumento ao Rio de Janeiro, durante a recente megaoperação contra o Comando Vermelho.

Na ocasião, o governador Cláudio Castro (PL) afirmou que solicitou ajuda federal, mas que o pedido de GLO não foi atendido. O governo federal, por sua vez, argumentou que não houve protocolo formal e que o caso fluminense seria tratado por meio de cooperação técnica e criação de um escritório emergencial de combate ao crime organizado.

Essa diferença de postura gerou críticas entre políticos e analistas, que acusam o governo de adotar critérios políticos para autorizar ou negar o uso das Forças Armadas.

No caso da COP 30, o Planalto argumenta que o decreto é preventivo, voltado à proteção diplomática e institucional, sem relação direta com enfrentamentos criminais ou operações urbanas.


Diferença entre GLO e intervenção federal

A Garantia da Lei e da Ordem não se confunde com a intervenção federal, mecanismo mais severo em que a União assume temporariamente o controle de um Estado ou município, substituindo as autoridades locais.

Na GLO, o controle administrativo permanece com o governo estadual, e as Forças Armadas atuam de forma coordenada, apenas como reforço.

Essa distinção foi evidenciada pelo especialista Renato Almeida, que destacou que a GLO é uma resposta pontual e temporária, enquanto a intervenção federal é uma medida política e institucional.

Durante a COP 30, portanto, as forças estaduais e municipais continuarão atuando normalmente, com os militares apenas cobrindo pontos estratégicos e garantindo a proteção de autoridades e delegações.


GLO na COP 30: onde as Forças Armadas vão atuar

De acordo com o plano de segurança divulgado pela Segup (Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Pará), os militares estarão concentrados em pontos de alta relevância estratégica, como:

  • Parque da Cidade, sede principal da COP 30;

  • Aeroporto Internacional Júlio Cézar Ribeiro – Val-de-Cans;

  • Rotas de deslocamento oficial entre hotéis, centros de convenções e pontos turísticos;

  • Regiões de embarque fluvial e áreas próximas ao porto;

  • Zonas de segurança diplomática, com controle de acesso e barreiras perimetrais.

As Forças Armadas também estarão integradas a 10 mil agentes civis e estaduais, que farão o policiamento ostensivo, controle de multidões, fiscalização de eventos paralelos e atendimento de emergências.


Segurança e imagem internacional do Brasil

A COP 30, que será realizada em 2025, é vista como uma oportunidade estratégica para o Brasil consolidar sua imagem como líder na agenda ambiental global.

O evento ocorre em um contexto de crescimento da Amazônia como pauta central das negociações climáticas, e a segurança é considerada crucial para o sucesso diplomático da conferência.

A GLO na COP 30 busca assegurar que o país garanta estabilidade, credibilidade e organização diante das delegações estrangeiras. Segundo fontes do governo federal, a decisão foi tomada para “prevenir incidentes” e “garantir a integridade de participantes e do patrimônio público”.


Debate jurídico: quando o uso da GLO é legítimo

A legalidade da GLO na COP 30 está respaldada nos artigos 142 e 144 da Constituição Federal, que definem a competência das Forças Armadas para garantir a lei, a ordem e a integridade nacional em situações excepcionais.

Para que a medida seja legítima, é necessário que:

  1. Haja pedido formal do governador ao presidente da República;

  2. O decreto seja limitado no tempo e no espaço;

  3. O emprego militar ocorra em coordenação com forças civis;

  4. Haja risco concreto à ordem pública ou à segurança institucional.

A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF) reconhece que o uso das Forças Armadas é constitucionalmente válido, mas deve ser excepcional e transparente, com fiscalização dos órgãos de controle e respeito aos direitos humanos.


Equilíbrio entre segurança e democracia

A GLO na COP 30 reflete o dilema entre segurança e controle civil. Por um lado, a presença das Forças Armadas reforça a estrutura de proteção e transmite segurança internacional; por outro, reacende o debate sobre o limite do papel militar na vida civil.

Com a proximidade do evento, o desafio do governo é garantir que a GLO permaneça dentro dos limites constitucionais, sem desvirtuar-se em uma política de segurança permanente.

Belém se transforma, assim, em um laboratório de convivência entre forças civis e militares, sob os olhos atentos da comunidade internacional que, além das negociações ambientais, observará de perto como o Brasil administra a própria democracia.

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