Ações da Braskem (BRKM5) registram fortes quedas após relatório do 4T25; BTG Pactual mantém recomendação neutra
As ações da Braskem (BRKM5) caíram de forma expressiva nesta segunda-feira (2), destacando-se entre os papéis mais penalizados do Ibovespa (IBOV). O movimento acompanha a divulgação do relatório operacional do quarto trimestre de 2025 (4T25), que evidenciou queda nas vendas de resinas e produtos químicos no Brasil, além de spreads mais estreitos e menor utilização da capacidade produtiva da maior petroquímica da América Latina.
Às 15h18 (horário de Brasília), os papéis BRKM5 eram negociados a R$ 9,30, com desvalorização de 3,02%. Analistas e investidores apontam que os números refletem desafios estruturais e operacionais que a Braskem precisa enfrentar para recuperar a rentabilidade e reduzir riscos financeiros.
Cenário doméstico pressionando as ações da Braskem
No Brasil, as vendas de resinas da Braskem recuaram 8% em relação ao mesmo período do ano passado, atingindo 743 mil toneladas, enquanto os principais produtos químicos tiveram queda de 13%, para 595 mil toneladas. Além disso, a companhia registrou redução de 3% nos spreads de químicos e de 15% nas resinas, pressionando margens e resultados financeiros.
A taxa de utilização de eteno no Brasil encerrou dezembro em 59%, abaixo dos 70% registrados no 4T24, evidenciando subutilização das plantas industriais e impacto direto na rentabilidade da Braskem. Estes números reforçam a cautela do BTG Pactual sobre o desempenho da empresa e das ações da Braskem.
Desempenho internacional traz sinais positivos, mas spreads continuam pressionados
Apesar das dificuldades no mercado doméstico, a Braskem apresentou desempenho positivo no exterior. Nos Estados Unidos e na Europa, a taxa de utilização das instalações atingiu 71% no trimestre, ante 67% no mesmo período do ano anterior, e as vendas subiram 7%, totalizando 479 mil toneladas. Entretanto, o spread recuou 10%, para US$ 347 por tonelada, limitando a geração de caixa adicional.
No México, a Braskem registrou crescimento de 14% nas vendas, alcançando 221 mil toneladas, com taxa de utilização de 92%, frente a 77% no 4T24. Apesar do aumento nos volumes, os spreads caíram 20%, para US$ 625 por tonelada, mantendo a pressão sobre a rentabilidade e indicando desafios para a valorização das ações da Braskem.
Avaliação do BTG Pactual e recomendações
O BTG Pactual mantém recomendação neutra para as ações da Braskem, com preço-alvo de R$ 9. Analistas Rodrigo Almeira e Gustavo Cunha destacam que, embora haja sinais positivos fora do Brasil, o cenário no Brasil, com menores volumes e spreads pressionados, limita a expectativa de resultados financeiros expressivos.
O banco aponta que o Programa Especial de Sustentabilidade da Indústria Química (PRESIQ), aprovado recentemente, é um passo importante, mas ainda há necessidade de ajustes na estrutura de capital. Possíveis medidas incluem conversão de dívida em capital, descontos (haircut) ou injeção de recursos adicionais, ações que podem gerar diluição aos acionistas minoritários.
Impactos no fluxo de caixa e alavancagem
De acordo com o BTG, a Braskem deve registrar um Ebitda de US$ 86 milhões no 4T25, acompanhado por nova queima de caixa. A alavancagem da companhia tende a aumentar, e a posição de caixa deve atingir aproximadamente US$ 2 bilhões, refletindo desafios operacionais e financeiros que podem afetar a confiança dos investidores e o desempenho das ações da Braskem.
A situação evidencia que, mesmo com desempenho internacional positivo, a geração de caixa doméstica limitada e a necessidade de reestruturação da dívida são fatores determinantes para a valorização futura dos papéis no Ibovespa.
Expectativas para o 4T25 e próximos passos
O mercado aguarda a divulgação oficial dos resultados do 4T25, prevista para 26 de março de 2026, quando a Braskem detalhará receitas, lucros e investimentos. Analistas destacam que a evolução dos spreads, volumes de produção e gestão da alavancagem será decisiva para medir a capacidade da empresa de recuperar rentabilidade.
O acompanhamento das operações internacionais continuará sendo um fator mitigador para os impactos negativos do mercado brasileiro, mas não elimina a volatilidade potencial das ações da Braskem, especialmente diante de cenários macroeconômicos desafiadores.
Perspectivas para investidores
Para investidores, o momento exige atenção. Embora a Braskem tenha oportunidades de crescimento no exterior, a volatilidade das resinas e produtos químicos, somada à necessidade de ajustes na estrutura de capital, indica que os retornos das ações da Braskem podem ser limitados no curto prazo.
Monitoramento constante dos relatórios operacionais e financeiros, bem como estratégias de diversificação, serão essenciais para aqueles que buscam aproveitar oportunidades sem assumir riscos excessivos.
Contexto do setor petroquímico brasileiro
O setor petroquímico enfrenta desafios estruturais, incluindo volatilidade nos preços internacionais de químicos e resinas, custos de insumos e necessidade de investimentos em sustentabilidade e modernização. A Braskem, como maior petroquímica da América Latina, é diretamente impactada por esses fatores, tornando essencial a análise detalhada de resultados e relatórios para tomada de decisão de investidores.
Mesmo com desempenho internacional positivo, a capacidade de geração de caixa no Brasil e o controle de spreads são determinantes para a valorização das ações da Braskem e para a estabilidade do Ibovespa.
O cenário futuro das ações da Braskem
Especialistas alertam que, sem ajustes estratégicos e gestão eficiente do capital, as ações da Braskem podem enfrentar mais volatilidade. No entanto, a empresa mantém potencial de longo prazo devido à liderança no setor, presença global e diversificação internacional, o que pode favorecer a recuperação gradual do valor dos papéis quando os ajustes operacionais forem consolidados.
O acompanhamento próximo de cada trimestre, com atenção a volumes, spreads e alavancagem, será essencial para investidores que desejam antecipar oportunidades e riscos associados à maior petroquímica da América Latina.





