A agenda econômica desta terça-feira, 10 de fevereiro de 2026, concentra as atenções do mercado financeiro brasileiro na divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e nas declarações do ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Os dois eventos chegam em um momento de elevada sensibilidade dos investidores às perspectivas para a inflação, a trajetória dos juros e a condução da política fiscal.
O resultado do principal indicador de inflação do país será acompanhado de perto por analistas, gestores e operadores, especialmente pela possibilidade de alterar as expectativas para os próximos passos do Banco Central. Ao mesmo tempo, qualquer sinalização de Haddad sobre gastos públicos, arrecadação, metas fiscais ou crescimento econômico poderá provocar ajustes nos preços dos ativos ao longo do pregão.
Com isso, dólar, contratos de juros futuros e ações negociadas na Bolsa devem reagir à combinação entre os dados econômicos e o tom adotado pelo governo.
IPCA é o principal indicador do dia
O IPCA divulgado nesta terça-feira ocupa posição central na agenda dos mercados por ser a principal referência da inflação oficial brasileira e um dos fatores mais relevantes para as decisões de política monetária.
Mais do que o número cheio, investidores devem observar a composição do índice. A evolução dos preços de serviços, alimentação, produtos industriais e itens administrados pode oferecer sinais sobre a persistência das pressões inflacionárias e sobre o ritmo do processo de desinflação.
Uma leitura acima das expectativas tende a reforçar a percepção de que os juros poderão permanecer elevados por mais tempo. Por outro lado, um resultado mais favorável pode estimular apostas em uma trajetória menos restritiva para a política monetária ao longo de 2026.
A reação inicial, no entanto, dependerá também da qualidade do dado. Uma inflação aparentemente moderada, mas sustentada por fatores pontuais, pode produzir uma interpretação diferente daquela provocada por uma desaceleração disseminada entre os principais grupos de preços.
Juros futuros devem reagir imediatamente
O mercado de renda fixa costuma ser um dos primeiros a reagir à divulgação do IPCA. Os contratos de juros futuros negociados no mercado brasileiro incorporam rapidamente qualquer mudança nas expectativas para a inflação e para as decisões do Comitê de Política Monetária (Copom).
Caso os dados indiquem uma desaceleração mais consistente dos preços, a curva de juros poderá registrar queda, especialmente nos vencimentos mais longos. Esse movimento tende a beneficiar ativos prefixados e títulos públicos atrelados à inflação.
Já uma surpresa inflacionária pode produzir o efeito contrário, elevando os prêmios exigidos pelos investidores e pressionando os juros futuros. Nesse cenário, a discussão sobre a velocidade de eventual flexibilização monetária volta a ganhar força.
A leitura do IPCA, portanto, não interessa apenas aos operadores de curto prazo. Fundos de investimento, bancos e investidores institucionais utilizam o indicador para revisar projeções e ajustar estratégias de alocação.
Fala de Haddad também está no radar
Além dos números da inflação, o mercado acompanha nesta terça-feira as declarações de Fernando Haddad. Em um ambiente no qual a política fiscal continua sendo um dos principais fatores de influência sobre os ativos brasileiros, o discurso do ministro pode ter impacto sobre o comportamento dos juros, do dólar e da Bolsa.
Investidores buscam sinais sobre a capacidade do governo de cumprir metas fiscais, controlar despesas e manter uma trajetória considerada sustentável para as contas públicas.
Uma comunicação percebida como favorável à previsibilidade e ao equilíbrio fiscal pode contribuir para a redução da percepção de risco e para uma melhora do humor dos mercados. Em sentido contrário, declarações que aumentem as dúvidas sobre a trajetória das contas públicas podem provocar pressão sobre o câmbio e os juros futuros.
O mercado também estará atento a eventuais comentários sobre medidas econômicas, arrecadação, crescimento e a estratégia do governo para conciliar expansão da atividade econômica e responsabilidade fiscal.
Dólar pode oscilar com inflação e cenário fiscal
O mercado de câmbio deve reagir tanto ao resultado do IPCA quanto às declarações do ministro da Fazenda.
Um dado de inflação mais benigno, combinado com uma sinalização fiscal considerada positiva, pode favorecer o real. Já uma inflação acima das expectativas ou um aumento das incertezas sobre a política econômica tende a elevar a cautela dos investidores e fortalecer a demanda por proteção cambial.
O comportamento do dólar também dependerá do ambiente externo. Movimentos da moeda americana no mercado internacional, expectativas em relação aos juros nos Estados Unidos e a disposição dos investidores para assumir risco em mercados emergentes continuam no radar.
Por isso, mesmo uma reação inicialmente provocada por fatores domésticos pode ganhar intensidade ou perder força dependendo do cenário internacional.
Bolsa acompanha setores mais sensíveis aos juros
Na Bolsa, as empresas mais sensíveis à trajetória dos juros devem estar entre as principais afetadas pela divulgação do IPCA.
Setores como varejo, construção civil e companhias com maior dependência de crédito tendem a reagir de forma mais intensa às mudanças nas expectativas para a Selic. Uma perspectiva de inflação mais controlada e de juros menores pode melhorar as projeções para consumo, financiamento e investimentos.
Os bancos, por sua vez, acompanham os possíveis efeitos da política monetária sobre margens financeiras, crédito e inadimplência.
Empresas exportadoras e companhias ligadas às commodities também podem registrar oscilações influenciadas pelo comportamento do dólar. Dessa forma, o impacto da agenda desta terça-feira tende a ser distribuído de maneira diferente entre os setores do Ibovespa.
Mercado avalia inflação além do número cheio
A expectativa em torno do IPCA não se limita à variação mensal ou acumulada do índice. Analistas devem observar quais grupos contribuíram para o resultado e se as pressões de preços apresentam caráter temporário ou persistente.
Os preços de serviços permanecem entre os componentes acompanhados com atenção por sua relação com a atividade econômica e o mercado de trabalho. Alimentação e itens administrados também podem influenciar a percepção sobre a trajetória futura da inflação.
Uma composição mais favorável pode reduzir preocupações com a persistência inflacionária, enquanto pressões disseminadas podem manter o Banco Central em posição cautelosa.
Essa análise qualitativa será fundamental para determinar se a reação inicial dos mercados ao dado será mantida ou revista ao longo do dia.
Credibilidade fiscal segue como fator decisivo
As declarações de Haddad ocorrem em um momento em que a credibilidade da política fiscal continua sendo um componente importante na formação dos preços dos ativos brasileiros.
A percepção sobre a capacidade do governo de administrar as contas públicas influencia diretamente o prêmio de risco exigido pelos investidores. Esse efeito se reflete nos juros de longo prazo, no comportamento do câmbio e no fluxo de recursos para o mercado brasileiro.
Por isso, o mercado deve avaliar não apenas eventuais anúncios, mas também o tom da comunicação do ministro e a consistência das mensagens em relação às metas econômicas do governo.
Dia pode ser marcado por volatilidade
A expectativa é de que a volatilidade aumente nos momentos seguintes à divulgação do IPCA e às declarações do ministro da Fazenda.
As primeiras reações podem ser rápidas, especialmente nos contratos de juros futuros e no mercado de câmbio. Ao longo do pregão, porém, os movimentos podem ser recalibrados à medida que investidores analisam os detalhes dos dados e a repercussão das falas de Haddad.
O cenário externo também continuará funcionando como variável adicional. Mudanças no humor dos mercados internacionais podem ampliar ou neutralizar os efeitos da agenda doméstica.
IPCA e Haddad definem o tom do mercado nesta terça-feira
A combinação entre a divulgação da inflação oficial e as declarações do ministro da Fazenda transforma esta terça-feira, 10 de fevereiro de 2026, em um dia importante para os mercados brasileiros.
O IPCA poderá alterar as expectativas para a trajetória dos juros, enquanto a comunicação de Fernando Haddad será analisada em busca de sinais sobre a política fiscal e a condução da economia.
O comportamento do dólar, dos juros futuros e do Ibovespa ao longo do dia deverá refletir a interpretação dos investidores sobre esses dois fatores. Mais do que a reação imediata, o mercado buscará identificar se os acontecimentos desta terça-feira são capazes de modificar as perspectivas para inflação, Selic, risco fiscal e crescimento econômico ao longo de 2026.










