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Americanas não fechará mais lojas e aposta em estratégia logística para crescer

por Alice Nascimento
28/03/2026 às 16h48
em Negócios
Americanas Vende 10 Lojas Deficitárias Da Natural Da Terra Por R$ 69,3 Milhões - Gazeta Mercantil

Americanas não fechará mais lojas e redefine estratégia com foco em experiência física e logística inteligente

Em um movimento que sinaliza maturidade estratégica após um dos períodos mais turbulentos de sua história recente, a Americanas não fechará mais lojas de forma massiva e aposta agora em um modelo híbrido que reposiciona o papel das unidades físicas no centro da operação. A decisão, anunciada pelo CEO Fernando Soares, marca uma virada importante na trajetória da companhia e redefine o futuro do varejo brasileiro.

A mudança ocorre após um intenso processo de reestruturação que incluiu o fechamento de cerca de 300 unidades ao longo de 2025. Agora, com a estabilização da base operacional, a companhia sinaliza que o ciclo de cortes ficou para trás. A nova diretriz — de que a Americanas não fechará mais lojas — surge como um ponto de inflexão e reposiciona a empresa em um cenário cada vez mais competitivo.

Leia também: Americanas vende 10 lojas deficitárias da Natural da Terra por R$ 69,3 milhões.


O fim de um ciclo: da retração à reconstrução

O período recente foi marcado por decisões difíceis. O fechamento de lojas impactou diretamente a base de clientes e a presença física da marca em diversas regiões. Segundo Fernando Soares, essa retração não refletiu queda estrutural da demanda, mas sim uma reorganização necessária.

Nesse contexto, o anúncio de que a Americanas não fechará mais lojas representa o encerramento de uma fase defensiva e o início de uma estratégia voltada ao crescimento sustentável.

A empresa, que mantém cerca de 1.470 unidades, passa agora a operar com ajustes pontuais, evitando cortes amplos e priorizando eficiência operacional.


Loja física como protagonista do novo modelo

Se antes o digital ocupava posição central, agora é o espaço físico que assume protagonismo. A decisão de que a Americanas não fechará mais lojas está diretamente ligada à redefinição do papel dessas unidades.

Hoje, aproximadamente 95% da receita da empresa vem das lojas físicas, uma inversão significativa em relação ao passado, quando o digital tinha maior peso. Essa mudança reflete uma leitura pragmática do comportamento do consumidor brasileiro.

As lojas deixam de ser apenas pontos de venda e passam a funcionar como hubs logísticos, centros de experiência e pilares da estratégia omnichannel.


Capilaridade como vantagem competitiva

Com presença em mais de 800 cidades, a Americanas possui uma das maiores redes físicas do país. Ao afirmar que a Americanas não fechará mais lojas, a companhia reforça o valor dessa capilaridade.

São cerca de 95 milhões de visitas mensais, considerando lojas físicas, site e aplicativo. Esse alcance permite à empresa operar com uma proximidade única do consumidor, algo difícil de replicar por concorrentes puramente digitais.

Além disso, a base digital — com mais de 35 milhões de seguidores nas redes sociais — complementa essa presença, criando um ecossistema integrado.


Lojas como pontos de entrega: a revolução logística

Um dos pilares da nova estratégia é transformar as unidades físicas em pontos de entrega. A decisão de que a Americanas não fechará mais lojas está diretamente conectada a esse movimento.

A ideia é utilizar a estrutura existente como uma rede logística distribuída, capaz de atender tanto clientes quanto parceiros. Esse modelo reduz custos de entrega, melhora prazos e amplia a eficiência operacional.

Segundo Fernando Soares, a capilaridade da empresa abre espaço para parcerias com marketplaces interessados em expandir sua presença no Brasil.


Parcerias estratégicas e integração de plataformas

A nova fase da empresa também inclui colaborações com outras gigantes do varejo. Um exemplo é a parceria com o Magazine Luiza, que permite integração operacional entre plataformas.

Nesse cenário, o fato de que a Americanas não fechará mais lojas fortalece sua posição como parceira estratégica, oferecendo infraestrutura física para operações conjuntas.

A lógica é clara: em vez de competir isoladamente, a empresa busca sinergias que ampliem sua relevância no mercado.


O papel do digital: complementar e estratégico

Embora o digital represente atualmente apenas cerca de 4% das vendas, ele continua sendo uma peça importante. A decisão de que a Americanas não fechará mais lojas não significa abandono do ambiente online, mas sim uma reconfiguração de prioridades.

O foco agora está em aumentar a frequência de compra e o ticket médio, utilizando ferramentas digitais para potencializar a experiência física.

Programas como o Cliente A são exemplos dessa estratégia, incentivando recorrência e fidelização.


Recuperação judicial e retomada da confiança

A empresa também avançou no processo de saída da recuperação judicial, um marco significativo em sua trajetória recente. O anúncio de que a Americanas não fechará mais lojas está alinhado a esse momento de reconstrução.

Segundo a companhia, três fatores sustentam esse avanço:

  • Cumprimento das obrigações do plano
  • Transformação operacional
  • Melhora consistente dos resultados

A empresa encerrou 2025 com caixa superior à dívida e voltou a registrar lucro líquido, sinalizando recuperação financeira.


Resultados operacionais e disciplina financeira

O período de reestruturação trouxe ganhos expressivos. A companhia reportou melhorias operacionais superiores a R$ 2 bilhões, além de um avanço de R$ 770 milhões em desempenho ao longo do ano.

Nesse contexto, a decisão de que a Americanas não fechará mais lojas reflete confiança na sustentabilidade do modelo atual.

A estratégia também prioriza crescimento da massa de lucro, evitando aumentos de preços que possam comprometer a competitividade.


O fim da Ame e a revisão do marketplace

Como parte da transformação, a empresa desativou a Ame e revisou sua atuação no marketplace. A operação foi reduzida a parcerias estratégicas, alinhadas ao novo posicionamento.

A decisão de que a Americanas não fechará mais lojas reforça essa mudança: o foco deixa de ser expansão digital desenfreada e passa a ser integração eficiente entre canais.


O novo consumidor e a experiência omnichannel

O consumidor atual busca conveniência, agilidade e personalização. Ao afirmar que a Americanas não fechará mais lojas, a empresa reconhece que a experiência física ainda desempenha papel central na jornada de compra.

A integração entre canais permite que o cliente transite com fluidez entre loja, aplicativo e site, criando uma experiência consistente.


Sinalização ao mercado e impacto nas ações AMER3

Para investidores, o anúncio de que a Americanas não fechará mais lojas representa uma sinalização positiva. A estabilização da operação e o avanço na recuperação judicial indicam um cenário mais previsível.

O ticker AMER3 passa a refletir não apenas desafios superados, mas também potencial de crescimento.


Entre crise e reinvenção: a nova narrativa da Americanas

A trajetória recente da Americanas é marcada por contrastes. De um lado, uma crise profunda; de outro, uma reinvenção estratégica.

A decisão de que a Americanas não fechará mais lojas sintetiza essa transição, mostrando que a empresa busca equilíbrio entre eficiência, inovação e proximidade com o consumidor.


Quando o varejo físico deixa de ser passado e se torna futuro estratégico

A nova fase da empresa revela uma mudança de paradigma: o varejo físico, muitas vezes considerado ultrapassado, volta ao centro das estratégias. Ao afirmar que a Americanas não fechará mais lojas, a companhia redefine o papel das lojas em um mundo digital.

Mais do que pontos de venda, elas se tornam ativos estratégicos, capazes de integrar logística, experiência e relacionamento.

Esse movimento pode influenciar todo o setor, sinalizando que o futuro do varejo não está na escolha entre físico e digital, mas na combinação inteligente de ambos.

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