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Assaí (ASAI3) expande estratégia inspirada na Costco para 200 lojas e aposta em ofertas relâmpago

Rede intensifica modelo de produtos por tempo limitado para elevar fluxo nas lojas, estimular compras por impulso e ampliar competitividade no atacarejo.

por Alice Nascimento
15/05/2026 às 17h39
em Negócios
Assaí Expande Estratégia Inspirada Na Costco Para 200 Lojas E Aposta Em Ofertas Relâmpago-Gazeta Mercantil

O Assaí Atacadista, controlado pelo Assaí (ASAI3), intensificou em 2026 a expansão da estratégia “In&Out” em suas operações no Brasil, em um movimento inspirado no modelo de negócios da varejista norte-americana Costco. A iniciativa já está presente em cerca de 200 lojas da rede e busca ampliar vendas, aumentar o fluxo de consumidores e estimular compras por impulso por meio da oferta de produtos vendidos por tempo limitado e sem reposição de estoque.

A estratégia foi detalhada pelo CEO da companhia, Belmiro Gomes, em publicação nas redes sociais nesta semana. Segundo o executivo, o projeto nasceu após visitas técnicas e estudos sobre o funcionamento da Costco, considerada uma das maiores referências globais no segmento de cash & carry.

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O modelo adotado pelo Assaí prevê a comercialização de itens fora do portfólio tradicional da rede, sobretudo produtos não alimentares, com preços agressivos e disponibilidade limitada. Entre os produtos já vendidos dentro da iniciativa estão fritadeiras elétricas, micro-ondas, refrigeradores, bicicletas elétricas e mercadorias associadas ao calendário esportivo, especialmente ao futebol.

A companhia afirma que o conceito parte de uma lógica simples: estimular a percepção de escassez para acelerar a decisão de compra do consumidor. A política é clara dentro da operação. Quando o estoque termina, o produto deixa imediatamente de ser ofertado, sem reposição posterior.

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O avanço do “In&Out” ocorre em um momento de forte competição no setor brasileiro de atacarejo, segmento que vem disputando consumidores em um ambiente marcado por inflação persistente nos alimentos, pressão sobre renda das famílias e busca crescente por preços mais baixos.

Estratégia do Assaí mira aumento do fluxo e compras por impulso

A aposta do Assaí no modelo “In&Out” está diretamente ligada ao comportamento do consumidor dentro das lojas físicas. O objetivo é transformar parte da experiência de compra em um evento recorrente, estimulando visitas frequentes diante da possibilidade de encontrar produtos exclusivos com preços reduzidos.

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Segundo Belmiro Gomes, a inspiração veio da observação do modelo da Costco, cuja estratégia conhecida internacionalmente como “treasure hunting”, ou “caça ao tesouro”, tornou-se um dos pilares de fidelização da varejista nos Estados Unidos.

Na prática, o cliente passa a entender que determinadas ofertas podem desaparecer rapidamente, criando um gatilho de urgência que favorece a conversão imediata da compra.

No setor varejista, esse mecanismo é visto como uma forma eficiente de elevar o tíquete médio sem necessariamente depender apenas da expansão de lojas ou do aumento estrutural de preços.

O Assaí informou que as negociações comerciais são conduzidas por sua área de Novos Negócios, responsável por identificar oportunidades de compras pontuais, sobretudo em produtos importados ou itens adquiridos em grandes lotes.

A companhia também reforçou que a estratégia preserva a essência operacional do atacarejo, baseada em baixo custo e elevada competitividade de preços.

“A premissa é inegociável: preço realmente imbatível. Acabou o estoque, acabou a venda”, afirmou Belmiro Gomes ao comentar o modelo adotado pela empresa.

Modelo inspirado na Costco ganha espaço no varejo brasileiro

A ampliação do “In&Out” pelo Assaí acontece em meio à crescente influência de modelos internacionais no varejo alimentar brasileiro. Redes nacionais têm buscado incorporar práticas ligadas à experiência do consumidor, eficiência logística e estratégias de fidelização.

A Costco, referência citada pelo Assaí, construiu parte relevante de seu crescimento global justamente sobre a lógica da escassez programada. O consumidor encontra mercadorias exclusivas, muitas vezes fora do mix tradicional, com preços considerados altamente competitivos.

Esse sistema gera um comportamento recorrente de visitas às lojas, já que o cliente entende que os produtos disponíveis em uma semana podem não retornar posteriormente.

Analistas do setor observam que o modelo se adapta especialmente bem ao atacarejo, segmento em que o fluxo elevado de consumidores favorece compras adicionais não planejadas.

O Assaí afirma receber cerca de 40 milhões de clientes por mês em suas unidades espalhadas pelo país. Com uma base dessa magnitude, pequenas alterações no comportamento de compra podem gerar impacto relevante sobre receitas e margens operacionais.

Além disso, o formato ajuda a diferenciar a companhia em um mercado cada vez mais disputado por concorrentes como Carrefour Brasil, dono do Atacadão, e Grupo Mateus, especialmente forte nas regiões Norte e Nordeste.

O movimento também ocorre em paralelo à busca das grandes redes por novas avenidas de crescimento em um cenário de desaceleração econômica e consumo mais seletivo.

Produtos sazonais ampliam engajamento do consumidor

Uma das apostas recentes do Assaí dentro da estratégia “In&Out” envolve produtos ligados ao futebol e ao calendário esportivo internacional deste ano.

A companhia passou a utilizar eventos sazonais para acelerar vendas temporárias de televisores, acessórios, itens eletrônicos e produtos relacionados ao entretenimento doméstico.

No varejo, o uso de datas específicas ou eventos de grande audiência costuma funcionar como impulsionador de vendas de curto prazo, especialmente em categorias de maior valor agregado.

O modelo permite ainda que o Assaí teste categorias e produtos sem assumir compromisso permanente com estoque ou espaço fixo nas lojas.

Essa flexibilidade operacional é considerada estratégica dentro do atacarejo, onde a eficiência da ocupação física das unidades tem impacto direto sobre rentabilidade.

Além dos produtos eletrônicos, o modelo também abriu espaço para categorias menos tradicionais no canal alimentar, como mobilidade elétrica leve, utensílios domésticos premium e itens importados.

A diversificação amplia a percepção de valor da experiência de compra e aproxima parcialmente o atacarejo de formatos híbridos que misturam abastecimento cotidiano e compras de oportunidade.

Competição no atacarejo pressiona redes por inovação comercial

O avanço do “In&Out” também evidencia a mudança de dinâmica competitiva no atacarejo brasileiro. O setor deixou de disputar consumidores apenas com base em preço e passou a investir fortemente em experiência de compra, serviços financeiros e fidelização.

Nos últimos anos, grandes redes ampliaram investimentos em aplicativos, programas de cashback, cartões próprios, serviços digitais e estratégias promocionais mais sofisticadas.

O Assaí busca agora transformar o fluxo intenso de consumidores em vantagem competitiva adicional, usando ofertas limitadas para aumentar permanência nas lojas e estimular consumo incremental.

A estratégia ganha relevância porque o crescimento orgânico do setor começou a desacelerar após o ciclo acelerado de expansão observado durante e após a pandemia.

Com menos espaço para abertura indiscriminada de unidades, redes passaram a focar produtividade por loja, eficiência operacional e rentabilidade.

Nesse contexto, iniciativas capazes de elevar o tíquete médio sem aumento proporcional de custos tendem a ganhar prioridade dentro das companhias abertas do varejo alimentar.

Para investidores, o desempenho operacional do Assaí continua sendo acompanhado de perto em razão da elevada sensibilidade do setor ao comportamento do consumo das famílias brasileiras, juros e inflação.

Empresas de atacarejo também monitoram a evolução do desemprego, renda disponível e programas de transferência de renda, fatores que impactam diretamente o consumo básico.

Estratégia reforça posicionamento do Assaí em ambiente de margens apertadas

O modelo “In&Out” surge ainda como ferramenta para sustentar competitividade em um ambiente de margens tradicionalmente apertadas no atacarejo.

O setor opera com grande dependência de volume e eficiência logística, o que reduz espaço para erros operacionais ou aumentos expressivos de custos.

Ao trabalhar com produtos temporários adquiridos em negociações pontuais, o Assaí consegue criar campanhas de forte apelo comercial sem necessariamente alterar sua estrutura permanente de sortimento.

Além disso, a ausência de reposição ajuda a reduzir riscos relacionados a excesso de estoque ou obsolescência de determinados itens.

O movimento também reforça uma tendência mais ampla no varejo global: o uso da experiência de descoberta como mecanismo de retenção do consumidor físico em um momento de avanço do comércio eletrônico.

Embora o atacarejo continue fortemente associado à compra de abastecimento, redes passaram a perceber valor estratégico em transformar a visita à loja em uma experiência mais dinâmica.

No caso do Assaí, a iniciativa pode ajudar a ampliar frequência de consumidores e fortalecer percepção de oportunidade de compra.

A estratégia ainda funciona como mecanismo indireto de diferenciação frente à concorrência, especialmente em regiões metropolitanas com alta concentração de unidades de atacarejo.

Movimento do Assaí amplia disputa por consumidores no varejo alimentar

A expansão do “In&Out” pelo Assaí ocorre em um momento de intensa reorganização do varejo alimentar brasileiro, marcado por pressão competitiva, consolidação setorial e mudanças no perfil de consumo.

Nos últimos meses, empresas do setor anunciaram reestruturações operacionais, revisões de portfólio e novos investimentos em formatos híbridos de venda.

O avanço da estratégia inspirada na Costco sinaliza que o Assaí pretende ampliar seu posicionamento para além da lógica tradicional de preço baixo, incorporando elementos de experiência de compra e senso de exclusividade.

A companhia aposta no potencial de um fluxo mensal de aproximadamente 40 milhões de consumidores para acelerar vendas adicionais e capturar maior participação de mercado em um setor cada vez mais disputado.

Para o mercado varejista, o desempenho do modelo nas próximas temporadas promocionais poderá indicar se o atacarejo brasileiro está entrando em uma nova fase de sofisticação comercial, baseada não apenas em escala e preço, mas também em comportamento do consumidor e estímulo à recorrência de visitas.

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