Atividade Econômica do Brasil Cresce em Abril: Sinais de Resiliência em Meio à Pressão Monetária
A atividade econômica do Brasil surpreendeu positivamente em abril de 2025, registrando crescimento acima das expectativas do mercado. De acordo com dados do Banco Central (BC), o Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), considerado uma prévia do PIB, avançou 0,2% no mês — número acima da projeção de 0,1% dos analistas. No entanto, o resultado representa uma desaceleração frente ao crescimento de 0,7% registrado em março.
Mesmo com a perda de ritmo, o desempenho sinaliza resiliência da economia brasileira, apesar dos efeitos do aperto monetário promovido pelo BC, da inflação persistente e do fim do impulso da agropecuária. Com um cenário macroeconômico desafiador e a expectativa de desaceleração a partir de junho, a análise detalhada dos setores revela um quadro complexo, mas ainda com pontos de sustentação.
Neste artigo, você vai entender:
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O que esperar da atividade econômica do Brasil nos próximos meses
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Por que o mercado ainda aposta na resiliência da economia
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Impactos da política monetária e da Selic na desaceleração gradual
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Perspectivas para o crescimento do PIB até 2026
Crescimento do IBC-Br surpreende, mas ritmo perde força
Segundo o Banco Central, o IBC-Br de abril apresentou expansão de 0,2% em comparação com março, considerando os dados dessazonalizados. Apesar da desaceleração frente ao mês anterior, o resultado superou as previsões do mercado, que esperavam um avanço de apenas 0,1%.
A principal contribuição positiva veio do setor de serviços, com crescimento de 0,4%, compensando parcialmente as quedas observadas na agropecuária (-0,9%) e na indústria (-1,1%). O desempenho dos serviços também foi confirmado pelo IBGE, que apontou avanço pelo terceiro mês consecutivo. Já o varejo recuou 0,4%, interrompendo uma sequência de três meses de alta, e a produção industrial subiu apenas 0,1%, abaixo do esperado.
Resiliência em meio a um cenário macroeconômico adverso
Mesmo com os primeiros sinais de desaceleração, a atividade econômica do Brasil continua mostrando resiliência. A política monetária contracionista adotada pelo Banco Central, com a taxa Selic mantida em 14,75% ao ano, tem como objetivo conter a inflação, mas ao mesmo tempo pressiona o ritmo de crescimento do país.
Além disso, o ambiente externo também impõe desafios, com incertezas geopolíticas e instabilidades nos mercados internacionais. No entanto, a demanda interna segue sustentada pelo mercado de trabalho aquecido, o que garante algum suporte à atividade, mesmo com a desaceleração de setores produtivos como indústria e agropecuária.
Desaceleração gradual: um processo já em curso
Economistas avaliam que a desaceleração da economia será gradual, iniciando-se de forma mais evidente a partir de junho. O dado de abril já sinaliza esse movimento com menor intensidade de crescimento. Para maio, os indicadores antecedentes apontam continuidade no processo de esfriamento da atividade econômica.
Essa desaceleração é atribuída, principalmente, à combinação de:
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Fim do impacto positivo da agropecuária sobre o PIB;
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Alta taxa de juros que desestimula investimentos e consumo;
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Inflação ainda elevada, corroendo o poder de compra das famílias;
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Incertezas domésticas e externas que afetam a confiança dos agentes econômicos.
Perspectivas para o PIB em 2025 e 2026
A mais recente pesquisa Focus, conduzida pelo Banco Central, indica que o mercado espera um crescimento de 2,20% para o PIB brasileiro em 2025, e de 1,83% em 2026. Esses números refletem a expectativa de desaceleração progressiva, mas sem uma queda brusca da atividade.
O desempenho do primeiro trimestre de 2025, com crescimento de 1,4% sobre o trimestre anterior, foi sustentado pela agropecuária. No entanto, à medida que esse setor perde força, os demais setores precisarão compensar a perda para manter o crescimento.
A força do setor de serviços e a recuperação gradual do consumo das famílias podem atuar como pilares de sustentação, desde que o ambiente inflacionário seja controlado e a política monetária passe por ajustes.
Selic e sua influência na atividade econômica do Brasil
A manutenção da Selic em 14,75% é um dos principais fatores que impactam a atividade econômica do Brasil neste momento. A taxa elevada tem efeito direto sobre:
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Financiamentos ao consumo e à produção;
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Investimentos empresariais;
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Custo do crédito para empresas e famílias.
O Comitê de Política Monetária (Copom) do BC deve se reunir nesta semana, e a expectativa majoritária entre os analistas é de manutenção dos juros. Dos 39 economistas consultados, 27 acreditam que a taxa será mantida no mesmo patamar, refletindo o compromisso do BC com o combate à inflação, mesmo diante dos sinais de desaceleração econômica.
Fatores que sustentam a economia mesmo em desaceleração
Apesar do cenário de esfriamento, alguns fatores continuam sustentando a economia brasileira:
1. Mercado de trabalho aquecido
O emprego formal segue em alta, com geração líquida de vagas em diversos setores. Isso garante renda e consumo, mesmo com juros altos.
2. Inflação sob controle (relativo)
A inflação permanece elevada, mas mostra sinais de estabilidade. Essa percepção ajuda a manter a confiança do consumidor e do empresariado.
3. Saldo comercial positivo
As exportações brasileiras continuam em patamar elevado, impulsionadas pela demanda global por commodities e pelo câmbio favorável.
4. Base fiscal relativamente estável
O ajuste fiscal conduzido pelo governo federal gera alguma previsibilidade macroeconômica, o que sustenta o apetite por investimento de médio e longo prazo.
O papel do IBC-Br na leitura da atividade econômica do Brasil
O IBC-Br, índice de atividade econômica do Banco Central, é considerado um dos principais termômetros do comportamento do PIB, antecipando tendências do crescimento nacional. O indicador é calculado com base em proxies representativas dos setores de:
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Agropecuária
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Indústria
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Serviços
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Impostos sobre produção
Embora não seja um substituto exato do PIB, o IBC-Br fornece pistas relevantes sobre a dinâmica econômica e é amplamente monitorado por analistas, investidores e formuladores de políticas públicas.
O desempenho da atividade econômica do Brasil em abril de 2025 mostra uma economia que começa a desacelerar, mas mantém sua capacidade de adaptação frente a condições adversas. A política monetária ainda apertada, o fim do ciclo agropecuário favorável e a inflação persistentemente alta colocam desafios relevantes, mas o setor de serviços, o mercado de trabalho e as exportações continuam oferecendo suporte.
Para os próximos meses, a expectativa é de desaceleração mais evidente, mas dentro de um ritmo controlado. O papel do Banco Central será crucial para equilibrar a estabilidade monetária com a retomada do crescimento sustentável.






