Banco do Brasil (BBAS3) reforça consultoria e agências para disputar investidores com fintechs
O Banco do Brasil (BBAS3) reforça sua estratégia de atendimento e consultoria para enfrentar a concorrência crescente de fintechs e plataformas digitais de investimento. A instituição aposta em uma combinação de tecnologia, presença física e orientação personalizada, com foco em clientes de alta renda, empresas e agronegócio. A iniciativa busca ampliar a “principalidade”, indicador que mede o grau de relacionamento financeiro do cliente com o banco, e aumentar a rentabilidade por meio da concentração de produtos financeiros.
Inauguração de Ponto BB e Casa Estilo
No último dia 5, em Belém (PA), o Banco do Brasil inaugurou um novo Ponto BB e a primeira Casa Estilo do País, destinada a investidores de maior patrimônio. Segundo Larissa Novais, diretora de clientes pessoa física, a iniciativa reflete uma mudança no comportamento do consumidor, que hoje alia autonomia digital à busca por orientação especializada.
“O cliente combina autosserviço digital com desejo por consultoria estruturada”, afirma Novais. Barbara Freitas, gerente-geral da unidade de atendimento, acrescenta que canais digitais atendem operações do dia a dia, enquanto agências físicas passam a se concentrar em negócios e assessoria financeira, oferecendo o contato humano valorizado pelo investidor.
Agências como centros de consultoria
O Banco do Brasil transforma suas agências em centros de relacionamento, batizados de Pontos BB, que combinam atendimento bancário com parcerias comerciais e experiências personalizadas. “As parcerias ajudam a oferecer uma experiência mais completa e transformam a agência em ponto de encontro”, explica Freitas.
Além de melhorar a experiência do cliente, o modelo permite compartilhar custos operacionais com empresas parceiras, reduzindo despesas em até 25% em algumas localidades. Um dos exemplos é a parceria com a Cacau Show em uma agência na região da Faria Lima, em São Paulo, que integra serviços e aumenta o fluxo de clientes.
Integração entre clientes PF e PJ
Outra frente estratégica do Banco do Brasil é integrar o atendimento de clientes pessoa física (PF) e pessoa jurídica (PJ). A instituição identificou que clientes com contas nos dois perfis apresentam maior potencial de receita quando atendidos de forma unificada.
Testes internos mostram que a integração eleva em até 70% a margem em contas PJ quando há alinhamento com PF. Novais reforça que este modelo amplia significativamente oportunidades de negócios e fortalece o relacionamento com clientes de maior potencial.
Competição com fintechs e expansão digital
O Banco do Brasil enfrenta a concorrência das fintechs, mas aposta na combinação de tradição e inovação. “Somos uma fintech de mais de 200 anos. Apesar da longevidade, inovamos todos os dias”, afirma Novais. Atualmente, a instituição possui uma base expressiva de clientes digitais: 3,7 milhões de contas abertas digitalmente em menos de cinco minutos no último ano, e 35 milhões de clientes utilizam canais digitais regularmente, com 12 milhões acessando o aplicativo em um único dia.
Freitas reforça que, mesmo entre clientes 100% digitais, o diferencial do banco está na orientação personalizada para decisões de investimento estratégicas, oferecendo consultoria humana quando necessária.
Estratégia de “principalidade” e alta renda
No centro da estratégia do Banco do Brasil está o conceito de “principalidade”, que mede a concentração do fluxo financeiro do cliente no banco, incluindo salários, movimentações, crédito e investimentos. Quanto maior a principalidade, maior a rentabilidade e recorrência de receitas.
Para o segmento de alta renda, o banco lançou a Casa Estilo e produtos exclusivos, como o cartão premium Altus Liv, que já cresceu 33% na base de clientes. Além disso, foi criado o subsegmento High Estilo, voltado a investidores com pelo menos R$ 1 milhão em aplicações, com atendimento personalizado. Hoje, 185 mil clientes estão inseridos nesse modelo, e a previsão é ampliar em 25% a base Estilo até 2029.
Crédito do trabalhador e expansão do varejo
Paralelamente, o Banco do Brasil amplia o relacionamento com clientes de varejo, investindo no crédito do trabalhador, que utiliza modelos analíticos para aumentar a precisão da concessão de crédito e segurança na expansão da base.
Outro público estratégico é o de proventistas, com 11,3 milhões de clientes que recebem salários pelo banco. Esse grupo apresenta alta principalidade, e o banco busca expandir ainda mais o relacionamento e aumentar a concentração de produtos financeiros.
Tecnologia e consultoria como diferencial competitivo
O Banco do Brasil aposta na sinergia entre tecnologia e atendimento humano para se diferenciar no mercado. Enquanto os canais digitais oferecem rapidez e praticidade, o atendimento presencial e consultivo agrega valor em decisões complexas de investimento, garantindo fidelização de clientes e crescimento de receita.
Executivos afirmam que a integração entre digital e presencial não só reforça a competitividade do banco frente às fintechs, mas também fortalece a marca como referência em consultoria financeira personalizada.





