Bitcoin recua abaixo de US$ 65 mil com aversão a risco global e pressão das bolsas de Nova York
O mercado de criptomoedas atravessa um dos momentos mais delicados do ano, com o bitcoin abaixo dos US$ 65 mil em meio a um cenário global de aversão ao risco, queda das bolsas de Nova York e aumento das incertezas regulatórias nos Estados Unidos. O movimento reflete uma combinação de fatores macroeconômicos, financeiros e políticos que vêm afetando diretamente os ativos considerados mais voláteis.
Por volta das 17h40 (horário de Brasília), o bitcoin registrava queda expressiva de 13,10%, cotado a US$ 64.014,47, enquanto o ethereum recuava 13,85%, para US$ 1.873,28, segundo dados de mercado. A retração intensificou-se ao longo da sessão, com aumento do volume vendedor e perda de níveis técnicos relevantes.
Bitcoin abaixo dos US$ 65 mil amplia sinal de correção
O movimento que levou o bitcoin abaixo dos US$ 65 mil começou ainda no início do pregão, quando a criptomoeda perdeu o patamar psicológico de US$ 70.000. A partir daí, as vendas se aceleraram, refletindo uma mudança clara no apetite ao risco por parte dos investidores.
Nos últimos sete dias, o bitcoin acumulou queda de aproximadamente 22,2%, desempenho que reforça a leitura de que o mercado entrou em uma fase mais aguda de correção. Analistas avaliam que a dinâmica recente tem sido fortemente influenciada pela correlação crescente entre criptoativos e outros ativos de risco, como ações, especialmente as do setor de tecnologia.
Correlação com bolsas de Nova York pressiona criptomoedas
A queda do bitcoin abaixo dos US$ 65 mil ocorre em sintonia com o desempenho negativo das bolsas de Nova York, que recuaram pela terceira sessão consecutiva. A liquidação de ações de tecnologia em Wall Street teve efeito direto sobre o mercado de criptomoedas, que passou a ser tratado por muitos investidores institucionais como parte do mesmo bloco de ativos de risco.
Esse comportamento reforça a tese de que, em períodos de baixa liquidez e aumento da incerteza, os investidores tendem a reduzir exposição a posições mais voláteis, priorizando instrumentos considerados mais defensivos.
Ambiente macroeconômico agrava a pressão
Além do desempenho das bolsas, o ambiente macroeconômico global tem contribuído para manter o bitcoin abaixo dos US$ 65 mil. Dados mais fracos do mercado de trabalho nos Estados Unidos elevaram dúvidas sobre o ritmo da atividade econômica, enquanto preocupações com o setor de inteligência artificial (IA) aumentaram a cautela nos mercados.
Ao mesmo tempo, houve queda nos rendimentos dos Treasuries, movimento típico de busca por proteção, enquanto o dólar se fortaleceu frente a outras moedas. Esse conjunto de fatores costuma ser desfavorável para ativos alternativos, como as criptomoedas, que dependem de maior apetite ao risco para sustentar altas mais consistentes.
Mercado cripto já perdeu US$ 2 trilhões em valor
O recuo do bitcoin abaixo dos US$ 65 mil faz parte de um ajuste mais amplo no mercado de ativos digitais. Desde o pico registrado em outubro, quando o valor total do mercado cripto alcançou cerca de US$ 4,4 trilhões, o setor já perdeu aproximadamente US$ 2 trilhões em capitalização.
Essa retração evidencia a magnitude do ajuste em curso e reforça o entendimento de que o ciclo atual é marcado por maior volatilidade e menor previsibilidade, especialmente diante da combinação de fatores macroeconômicos adversos e incertezas regulatórias.
Projeções mais pessimistas ganham espaço
Instituições financeiras passaram a adotar um tom mais cauteloso em relação às perspectivas do bitcoin. Para analistas da Stifel, a queda recente pode ser apenas o início de um movimento mais profundo. Em avaliações baseadas em ciclos anteriores de mercados em baixa, a corretora aponta que a criptomoeda poderia recuar até cerca de US$ 38.000, o que representaria uma desvalorização próxima de 70% em relação ao recorde histórico.
Esse tipo de projeção reforça a percepção de que o bitcoin abaixo dos US$ 65 mil ainda pode enfrentar novas ondas de volatilidade antes de encontrar um piso mais consistente.
Regulação nos EUA adiciona incerteza ao mercado
Outro fator relevante para o desempenho do bitcoin abaixo dos US$ 65 mil está ligado ao ambiente regulatório nos Estados Unidos. Declarações recentes do secretário do Tesouro, Scott Bessent, reacenderam debates sobre a necessidade de regras mais claras para o setor de criptomoedas, além de possíveis mudanças na tributação de ganhos com ativos digitais.
Esses comentários surgem em um momento sensível, em que o Congresso norte-americano analisa propostas relacionadas às moedas digitais, incluindo a chamada Lei Clarity, atualmente travada no Senado. A ausência de definições concretas mantém o mercado em compasso de espera e reduz a disposição de investidores institucionais a ampliar posições.
Impacto da inteligência artificial no sentimento do mercado
As preocupações com o setor de inteligência artificial também influenciam o cenário que mantém o bitcoin abaixo dos US$ 65 mil. O forte fluxo de capital para empresas ligadas à IA nos últimos meses levantou dúvidas sobre possíveis excessos de valuation, o que desencadeou correções em ações de tecnologia.
Como o mercado cripto tem sido associado a narrativas de inovação e tecnologia, qualquer ajuste brusco nesse segmento acaba contaminando o sentimento em relação às criptomoedas, ampliando movimentos de venda.
Ethereum acompanha movimento e amplia perdas
O ethereum, segunda maior criptomoeda em valor de mercado, também sofre com o ambiente adverso. A queda de quase 14% na sessão reforça que o movimento não está restrito ao bitcoin, mas afeta o conjunto do mercado.
A perda de fôlego do ethereum ocorre em paralelo ao bitcoin abaixo dos US$ 65 mil, indicando que os investidores estão reduzindo exposição de forma generalizada, independentemente das especificidades de cada projeto.
Liquidez reduzida intensifica volatilidade
Analistas destacam que a baixa liquidez observada em determinados períodos do pregão contribui para oscilações mais acentuadas. Em um ambiente de menor volume, ordens de venda mais robustas têm impacto desproporcional sobre os preços, o que ajuda a explicar a rapidez com que o bitcoin abaixo dos US$ 65 mil perdeu níveis técnicos relevantes.
Esse fator aumenta o risco de movimentos abruptos, tanto para baixo quanto para cima, tornando o mercado ainda mais desafiador para investidores de curto prazo.
Leitura estratégica do movimento do bitcoin
Do ponto de vista estratégico, o fato de o bitcoin abaixo dos US$ 65 mil acompanhar o desempenho de ações e outros ativos de risco reforça a necessidade de análise integrada do cenário macroeconômico. A criptomoeda, que em outros ciclos foi vista como alternativa descorrelacionada, hoje responde de forma mais direta a fatores como juros, dólar e desempenho das bolsas globais.
Esse novo padrão de comportamento exige maior cautela na gestão de risco e na definição de estratégias de alocação.
Perspectivas de curto e médio prazo
No curto prazo, o mercado segue atento à evolução dos dados econômicos nos Estados Unidos, às sinalizações de política monetária e aos desdobramentos regulatórios. Qualquer mudança nesses vetores pode alterar rapidamente o humor dos investidores.
Enquanto isso, o bitcoin abaixo dos US$ 65 mil permanece como símbolo de um mercado em ajuste, no qual a volatilidade elevada tende a continuar sendo a principal característica.
Bitcoin abaixo dos US$ 65 mil redefine o sentimento do investidor
O atual patamar do bitcoin serve como referência psicológica importante. A forma como o mercado reagirá nas próximas sessões pode indicar se o movimento recente será apenas uma correção técnica ou o início de um ciclo mais prolongado de baixa.
Em um ambiente marcado por incertezas macroeconômicas, pressões regulatórias e correções em ativos de risco, o desempenho do bitcoin continuará sendo observado de perto por investidores, analistas e formuladores de política econômica.






