Bolsonaro GSI: Moraes retira Gabinete de Segurança Institucional da escolta do ex-presidente
O Supremo Tribunal Federal (STF) determinou uma mudança significativa na segurança do ex-presidente Jair Bolsonaro. O ministro Alexandre de Moraes decidiu que o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) não participará mais da escolta de Bolsonaro em seus deslocamentos. A medida transfere a responsabilidade integral para a Polícia Federal (PF) e para a Polícia Penal do Distrito Federal, responsáveis também por monitorar o cumprimento da prisão domiciliar.
A decisão ocorreu após falhas registradas no transporte de Bolsonaro ao hospital, quando o ex-presidente foi submetido a um procedimento dermatológico. O episódio levantou questionamentos sobre a forma como a segurança vinha sendo conduzida pelo GSI, aumentando as tensões políticas e jurídicas em torno do caso.
Por que Moraes decidiu retirar o GSI da escolta de Bolsonaro
A decisão do STF foi motivada pelo deslocamento realizado no dia 14 de setembro, quando Jair Bolsonaro foi levado ao Hospital DF Star, em Brasília, para retirada de oito lesões cutâneas. Segundo Moraes, houve “falhas graves” no transporte, incluindo:
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Desembarque e embarque em local inadequado.
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Ausência de controle rígido de acesso ao hospital.
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Permanência prolongada diante de apoiadores e da imprensa.
Durante a ocasião, Bolsonaro ficou mais de cinco minutos parado em frente a cerca de 100 apoiadores. Enquanto isso, o médico Cláudio Birolini concedia uma entrevista improvisada a jornalistas, o que gerou exposição desnecessária e descumprimento das regras impostas pela Justiça.
Para Moraes, o episódio mostrou que a segurança prestada pelo GSI não assegurava o padrão exigido em casos de prisão domiciliar de uma figura pública condenada.
O que muda com a saída do GSI
A partir da decisão, todo o transporte e escolta de Bolsonaro será organizado exclusivamente pela PF e pela Polícia Penal do Distrito Federal. O GSI continuará atuando apenas na proteção de familiares do ex-presidente, sem envolvimento direto em seus deslocamentos.
Essa mudança representa não apenas uma reconfiguração operacional, mas também um sinal político: o afastamento do GSI reduz a participação de uma estrutura ligada diretamente ao Executivo na custódia de Bolsonaro, reforçando a autonomia do Judiciário e das forças de segurança federais.
Bolsonaro, GSI e a prisão domiciliar
Bolsonaro cumpre prisão domiciliar em Brasília desde agosto, após decisão do STF que considerou o ex-presidente em descumprimento de medidas cautelares. Ele havia sido condenado a 27 anos de prisão no processo relacionado à tentativa de golpe de Estado.
Nesse contexto, a participação do GSI vinha sendo criticada por juristas e analistas políticos. Para parte deles, havia um risco de que a presença do órgão, tradicionalmente ligado ao Executivo, criasse conflitos de competência e fragilizasse o cumprimento das determinações judiciais.
A retirada do GSI da escolta de Bolsonaro, portanto, é vista como uma forma de reforçar a neutralidade institucional e garantir que as regras impostas sejam cumpridas de forma rigorosa.
Repercussões políticas da decisão
A decisão de Moraes repercutiu fortemente no cenário político:
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Aliados de Bolsonaro afirmaram que a medida é mais uma tentativa de enfraquecê-lo e expô-lo publicamente.
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Juristas destacaram que a decisão é coerente com o princípio de neutralidade da custódia de presos, especialmente figuras de grande relevância política.
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Integrantes do governo avaliaram que a medida reduz potenciais embaraços entre o Executivo e o Judiciário.
A retirada do GSI da escolta também é interpretada como parte de uma estratégia de maior controle sobre os movimentos de Bolsonaro durante sua prisão domiciliar.
O papel da Polícia Federal e da Polícia Penal
Com a nova configuração, a Polícia Federal assume a liderança na coordenação da segurança de Bolsonaro, garantindo protocolos mais rígidos de deslocamento. Já a Polícia Penal do Distrito Federal terá papel complementar, reforçando a vigilância em situações que envolvem saídas para consultas médicas ou outras necessidades autorizadas pela Justiça.
Essas instituições são vistas como mais adequadas para a função por não terem vínculos políticos diretos com o Executivo, o que amplia a imparcialidade da custódia.
A relação entre Bolsonaro e o GSI
Historicamente, o GSI sempre esteve próximo de Jair Bolsonaro, especialmente durante seu governo. O órgão tinha como função não apenas a segurança do presidente e de sua família, mas também o assessoramento em questões de inteligência e defesa institucional.
Com a decisão de Moraes, esse vínculo perde espaço no campo da custódia pessoal. Isso reforça a narrativa de que o ex-presidente passa a ser tratado sob parâmetros estritamente judiciais, sem privilégios associados ao cargo que ocupou.
Impactos para a imagem de Bolsonaro
A retirada do GSI da escolta de Bolsonaro fortalece a percepção de que o ex-presidente está cada vez mais limitado em suas movimentações. Para seus críticos, a medida simboliza o fim de qualquer resquício de tratamento especial. Já para apoiadores, pode ser usada como argumento de perseguição política.
De todo modo, a decisão amplia a pressão sobre Bolsonaro em um momento em que ele já enfrenta condenação histórica, dificuldades políticas e perda de influência dentro e fora do país.
A determinação de Alexandre de Moraes marca um divisor de águas na custódia de Jair Bolsonaro. Ao retirar o GSI da escolta, o STF busca reforçar a padronização da segurança, reduzir riscos e garantir que a prisão domiciliar seja cumprida em condições mais rígidas.
O episódio reafirma a relevância do debate sobre a neutralidade das instituições e os limites entre segurança institucional e custódia judicial, colocando em evidência o futuro político e jurídico de Bolsonaro.






