A situação da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) tem movimentado os bastidores políticos em Brasília. Desde que foi condenada a 10 anos de prisão em regime fechado por crimes de falsidade ideológica e invasão de sistema de informática do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a parlamentar passou à condição de foragida. Em meio à repercussão, uma sugestão polêmica reacendeu o debate: Zambelli poderia trabalhar na Câmara durante o dia e cumprir pena à noite, mesmo condenada.
Essa possibilidade foi levantada pelo líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), e abriu espaço para discussões sobre precedentes, legalidade e os rumos da cassação do mandato da deputada. Entenda os principais pontos do caso Carla Zambelli prisão, o que pode acontecer nos próximos dias e o impacto desse episódio para o Congresso Nacional.
Quem é Carla Zambelli e por que ela foi condenada?
Carla Zambelli ganhou notoriedade nacional por sua atuação combativa nas redes sociais e por seu posicionamento alinhado à direita. Eleita deputada federal por São Paulo, tornou-se uma das figuras mais conhecidas do PL.
A condenação de Carla Zambelli à prisão se deu por sua participação em ações que envolveram a invasão de sistemas do CNJ. Junto ao hacker Walter Delgatti, ela foi considerada culpada por crimes graves que envolvem a estrutura do Judiciário, sendo enquadrada na Ação Penal 2428. A pena estabelecida foi de 10 anos em regime fechado.
Logo após a sentença, Zambelli viajou à Itália e passou a ser considerada foragida da Justiça brasileira.
A proposta de Sóstenes Cavalcante: Zambelli trabalhando de dia e presa à noite
Em entrevista à imprensa, o líder do PL na Câmara afirmou que, caso Zambelli seja presa, existe a possibilidade de ela trabalhar no Congresso durante o dia e retornar à prisão à noite, conforme modelo semelhante ao que já foi autorizado para outros parlamentares em casos anteriores.
Essa declaração foi baseada em precedentes históricos, como o do ex-senador Acir Gurgacz, que cumpria pena em regime semiaberto e manteve sua atuação legislativa durante o dia.
No entanto, há uma diferença crucial: Zambelli foi condenada em regime fechado, o que torna a comparação juridicamente complexa. Ainda assim, o PL parece determinado a manter o apoio à deputada, mesmo diante da gravidade da situação.
A situação jurídica da deputada Carla Zambelli
A prisão de Carla Zambelli é consequência de uma condenação por crimes digitais contra o sistema do CNJ. A pena de 10 anos em regime inicial fechado foi determinada por autoridades da Justiça, e a ausência da parlamentar no território nacional só agrava sua situação perante a lei.
Com a ausência da deputada, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados iniciou a tramitação do processo que pode resultar na cassação do seu mandato parlamentar. A defesa de Zambelli, representada pelo advogado Fábio Pagnozzi, já foi protocolada, na tentativa de barrar a perda do mandato.
A análise da cassação de mandato e seus desdobramentos
A cassação de um mandato parlamentar é um processo político, que depende da análise da CCJ e, posteriormente, da votação no Plenário da Câmara. Mesmo com a condenação judicial, a perda do mandato depende de aprovação pela maioria dos deputados.
No caso de Carla Zambelli, a ausência prolongada e o status de foragida podem pesar negativamente na avaliação dos colegas parlamentares. Ao mesmo tempo, sua base política continua a sustentar que ela está sendo alvo de perseguição e defende seu direito à ampla defesa.
Precedentes parlamentares: o caso Gurgacz
O deputado Sóstenes Cavalcante comparou o caso de Zambelli ao do ex-senador Acir Gurgacz (PDT-RO), que em 2018 foi autorizado a continuar trabalhando no Senado durante o dia, mesmo após ser condenado a pena em regime semiaberto.
A jurisprudência abre um debate jurídico e político: seria possível estender esse tipo de benefício a alguém condenado em regime fechado, como Zambelli?
A maioria dos juristas aponta que não. Regimes fechados impõem restrições mais severas e normalmente não permitem atividades externas, a não ser por decisões judiciais excepcionais.
O PL e o apoio incondicional à deputada
Desde o início do escândalo, o Partido Liberal tem se posicionado ao lado de Carla Zambelli. A frase do deputado Sóstenes — “o PL não abandona nenhum dos seus soldados” — evidencia o alinhamento da legenda com a parlamentar, mesmo em meio à crise.
Esse posicionamento tem como pano de fundo a influência de Zambelli entre os eleitores mais conservadores, que ainda a enxergam como uma representante legítima de seus ideais.
Contudo, o apoio irrestrito também pode trazer desgastes à imagem do partido, sobretudo entre eleitores indecisos ou mais moderados.
Qual o futuro político de Carla Zambelli?
A prisão de Carla Zambelli e o processo de cassação de mandato colocam sua carreira política em xeque. Caso a cassação seja confirmada e a pena seja efetivamente cumprida, será praticamente impossível que ela dispute eleições nos próximos anos.
Se conseguir manter o mandato e reverter judicialmente parte da condenação, Zambelli poderá tentar reconstruir sua imagem política, algo que será desafiador diante da repercussão negativa do caso.
O que pode acontecer nos próximos dias?
O desdobramento imediato mais aguardado é a decisão da CCJ sobre a cassação do mandato. Em paralelo, a Justiça brasileira pode iniciar esforços para promover a extradição da deputada, caso seja localizado seu paradeiro.
Enquanto isso, o PL tenta conter a crise, reforçando seu apoio institucional à parlamentar e buscando alternativas para evitar a cassação.
Carla Zambelli entre a prisão e a sobrevivência política
O caso de Carla Zambelli prisão é um dos mais emblemáticos da política brasileira recente. Ele envolve condenação criminal, fuga internacional, articulação partidária e tensão entre os Poderes.
Mais do que uma questão jurídica, a situação escancara as fragilidades institucionais do país, os limites da imunidade parlamentar e a complexidade de se aplicar sanções a representantes eleitos.
Os próximos capítulos prometem novos desdobramentos, que poderão definir não apenas o futuro de Zambelli, mas também os rumos do debate sobre ética e responsabilidade no Congresso Nacional.






